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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 30

Tinha dispensado o motorista que meu avô colocou à minha disposição.

Por quê? Boa pergunta. Por algum motivo que eu não sabia explicar direito, ainda tinha vergonha de muita coisa sobre aquela vida nova. De chegar na faculdade num carro com motorista. De ser vista sendo deixada na porta como filha de alguém importante. De parecer que eu estava exibindo alguma coisa que eu ainda não tinha certeza de que era minha de verdade. Era irracional, eu sabia. Mas os sentimentos raramente pedem permissão antes de aparecer, e esse em específico teimava em ficar.

Quase me arrependi quando a chuva começou.

Fiquei no ponto de ônibus olhando para o céu com a expressão de quem tem certeza de que o universo está fazendo isso de propósito, e comecei a repetir mentalmente que estava tudo bem, que eu tinha conseguido entrar para o Programa Sartori & Altieri de Excelência Clínica, e que isso era uma conquista real que nenhuma quantidade de água caindo do céu podia tirar.

Estava convencida disso quando o carro passou.

Em velocidade. Por dentro da poça. Diretamente na minha direção.

A água me atingiu de cima a baixo com uma eficiência que eu acharia impressionante se não estivesse tão furiosa. Procurei qualquer coisa ao redor para jogar de volta, uma pedra, uma garrafa, qualquer coisa, mas o carro já estava longe e a janela estava descendo.

Bárbara me olhou com um sorriso que não disfarçava a intenção.

— Favelada!

O carro foi embora.

Fiquei parada no ponto encharcada, enlameada e com o cabelo grudado no rosto. Respirei fundo com toda a força que eu tinha.

— Nada vai estragar meu dia.

Quando cheguei na mansão, já estava praticamente seca, mas a roupa ainda carregava as marcas de lama. Entrei pelo hall principal, já calculando quanto tempo levaria para um banho rápido antes de poder começar a estudar para uma prova, quando ouvi passos descendo as escadas.

Arthur parou quando me viu. Balançou a cabeça negativamente, os lábios pressionados numa linha que mal conseguia esconder o que estava tentando esconder.

— Dia ruim?

— Pelo contrário. — Sorri de volta, porque eu ainda tinha orgulho o suficiente para isso. — Dia perfeito. Fui selecionada para o Programa Sartori & Altieri de Excelência Clínica.

Ele me olhou por um segundo e deu uma piscadela.

— A propósito, de nada.

E continuou descendo as escadas.

Fiquei parada onde estava por exatamente três segundos antes de meu cérebro processar o que ele tinha dito. Então desci atrás dele tão rápido que quase escorreguei no último degrau.

— O que quer dizer com de nada?

— Bom. — Ele fez um gesto amplo com a mão, como se estivesse apontando para o mundo inteiro. — Sartori & Altieri. Sabe?

— Sim, sua família, minha família. E daí?

— E daí que eu facilitei para você.

Parei.

— Você... você facilitou para mim?

— Eu estou à frente do programa, sou um dos supervisores. Quando seu nome apareceu na lista...

— Você não facilitou para mim. — Senti o sangue subir com aquela rapidez que eu já conhecia bem. — Eu sou a melhor aluna da minha sala.

— Você é. De fato, suas notas são um destaque. — Ele me olhou com uma calma irritante. — Mas você sabe que esse programa tem foco na parte clínica, certo?

— Meio que está no nome.

— E você já prestou atenção no feedback dos seus professores sobre seus pontos negativos?

Franzi o nariz.

Preferia ignorar esse tipo de coisa. Era a parte dos feedbacks que eu dobrava e guardava no fundo da gaveta mental onde ficavam as coisas que eu não queria processar. Mas as frases vieram mesmo assim, como sempre vêm quando você tenta não pensar em algo.

Capítulo 30 1

Capítulo 30 2

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