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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 32

A carta estava dobrada dentro da gaveta da mesa de cabeceira, mas eu conseguia sentir a presença dela como se estivesse em cima do meu peito.

Pode brincar de madame, mas o passado sabe onde te acha. Abre o olho!

Eu já tinha lido aquela frase umas seis vezes. Talvez sete. Em algum lugar do meu cérebro, eu esperava que uma explicação para aquelas palavras fosse aparecer a qualquer momento se eu continuasse lendo.

Não apareceu.

O pior era não saber quem tinha escrito.

Alguém sabia que eu estava morando na mansão. Alguém sabia da mudança na minha vida. Alguém estava de olho. E esse alguém queria alguma coisa. Dinheiro? Silêncio? Favores? Eu não fazia ideia. Tentei puxar pela memória todos os tipos de problema que eu tinha arrastado comigo da vida antiga.

O único que realmente me assustava era o agiota.

Eu tinha pegado dinheiro emprestado uma vez, mas eu vinha pagando tudo direitinho. Sem atraso. Sem conversa. Sem gracinha. Eu gostava muito do meu cabelo, do meu rim e, em geral, da experiência completa de continuar viva. Então não fazia sentido.

A não ser que, naquele mundo, “não fazia sentido” era exatamente o tipo de coisa que antecedia uma tragédia.

Bateram na porta para o jantar, e eu enfiei a carta no fundo da gaveta como quem esconde uma granada.

A sopa veio em um prato fundo de porcelana fina demais para alguém ter coragem de arranhar. Era um creme de mandioquinha com azeite trufado e pão quente do lado. Gostoso o suficiente para eu quase esquecer que estava em uma mesa onde os talheres pareciam ter certidão de nascimento própria.

Eu fiquei olhando para o pão por um segundo, lutando contra a vontade de mergulhá-lo direto no creme como definitivamente uma pessoa civilizada de verdade não faria. Ainda estava pesando os prós e os contras da vergonha social quando vi Augusto pegar um pedaço, chuchar sem a menor cerimônia e levar à boca com a calma de quem claramente não se importava em perder prestígio diante de uma única neta.

Aquilo me salvou.

Peguei um pedaço também e fiz o mesmo.

Augusto levantou os olhos para mim, fingindo não notar, mas com um cantinho da boca quase sorrindo.

— Você parece preocupada, querida.

Meu coração deu um pulo idiota.

— Problemas da faculdade — respondi rápido demais.

Ele tomou mais um pouco da sopa.

— Algo em que eu possa ajudar?

— Não. É só... tenho uma prova difícil amanhã.

— Ah. — Ele fez um gesto leve com a colher. — Você vai tirar de letra.

Eu sorri, mas foi um sorriso fraco. O tipo de sorriso que você j**a na mesa quando não quer j**ar a verdade.

Olhei em volta. A sala de jantar parecia ainda maior à noite, iluminada daquele jeito quente que deixava tudo bonito demais para ser confortável.

— Hoje seremos só nós dois?

— Arthur ainda não voltou do hospital — Augusto respondeu. — Geórgia está na casa de uma amiga.

— E Claire prefere me evitar.

Ele riu.

— Ela vai se acostumar.

— Corajoso da sua parte dizer isso com tanta confiança.

Acabei rindo também.

— E o pai do Arthur? Quando vou conhecê-lo?

— Eduardo? Ah... — Ele encostou as costas na cadeira. — Um bom homem. Excelente homem. Mas trabalha demais. Sempre trabalhou demais. Logo deve voltar de viagem.

Aquilo me fez pensar em outra coisa que estava me coçando por dentro.

— Eu sei que combinaram esse casamento entre Arthur e eu antes mesmo de nascermos, mas... — mexi na colher dentro do creme, sem olhar para ele. — E se ele não gostar de mim? Assim como Claire.

Augusto nem hesitou.

— Impossível. Eduardo vai adorá-la.

Levantei os olhos.

Capítulo 32 1

Capítulo 32 2

Capítulo 32 3

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