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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 40

Genevieve me levou até um lugar que eu jamais encontraria sozinha.

Ficava num segundo andar discreto de um prédio antigo no Flamengo, sem vitrine chamativa, sem nome em dourado na fachada, sem segurança com cara de quem me seguiria pelos corredores achando que eu fosse roubar uma pulseira. Só uma portinha estreita, uma placa pequena e um elevador antigo que subia gemendo como se cada andar fosse uma ofensa pessoal.

— Confia em mim — Genevieve disse, enquanto a porta do elevador abria. — Ele é ótimo.

O ateliê era bonito de um jeito silencioso. Sem ostentação, mas claramente caro. Bancadas limpas, luz amarela suave, caixinhas de veludo, pedras organizadas em bandejas e aquele jeito de lugar onde gente trabalha com precisão e não com pressa.

Um homem de meia-idade levantou os olhos da bancada ao nos ver entrar. Tinha óculos na ponta do nariz e expressão cansada.

Genevieve tomou a frente.

— César, essa é Zara. Ela precisa de uma peça com urgência.

O homem me olhou, depois olhou Genevieve, depois voltou para mim com uma calma profissional.

— O que exatamente a senhorita precisa?

Antes que eu falasse, Genevieve explicou:

— Ela quer uma versão de uso social. Aparência de joia fina, acabamento impecável, materiais de qualidade, mas sem usar as pedras e metais originais.

César assentiu como se aquilo não fosse nem de longe o pedido mais estranho da semana.

— Semijoia de alto padrão, então.

Genevieve virou para mim.

— Ele usa materiais excelentes, só não verdadeiros. Seu diamante não vai ser um diamante de verdade, mas vai parecer um.

— Perfeito — murmurei, antes mesmo de me policiar.

Perfeito mesmo. Finalmente alguma solução naquela história que não envolvia eu confessar para Arthur que tinha sido roubada por um agiota ou vender um rim para recuperar o anel original.

— E você faz por foto? Quero dizer... não é desconfiando, mas eu prefiro, sabe?

César fez um gesto com a mão.

— Não é o ideal, mas dá para trabalhar. Vou precisar de boas imagens, medidas aproximadas do aro e o máximo possível de detalhes. Pedra, tonalidade do metal, lapidação, proporção.

Tirei o celular da bolsa e mostrei a imagem para ele.

— É esse. Ouro rosé, pedra verde oval, dois diamantes pequenos nas laterais... ou, no caso, coisas que vão fingir ser diamantes pequenos.

César pegou o celular com delicadeza, analisou a tela e depois me fez algumas perguntas. Eu respondi tudo com uma seriedade quase médica, o que fez Genevieve segurar o riso duas vezes. Em algum momento, ele pegou uma espécie de medidor e conferiu meu dedo com uma peça de metal.

— Cinco dias — decretou, por fim. — Consigo deixar pronto em cinco dias.

Prefeito! Bem a tempo para o baile.

Nós saímos dali e fomos até uma cafeteria pequena, bonita e silenciosa, dessas que servem café em xícaras menores do que a vontade da pessoa de beber. Sentamos perto da janela, e eu ainda estava com a sensação estranha de ter escapado de um desastre por pouco.

— Sério, Gen... você me salvou.

Genevieve mexia o café devagar, sem me pressionar a falar. O que, vindo de alguém como ela, era quase um talento.

— Ah, imagina, Zara — disse enfim. — Eu sei que deve estar sendo difícil pra você, sabe? Sem nenhuma amiga para te ajudar a navegar por esse novo mundo. Mas... pode contar comigo. De verdade. Eu não gostaria que ficasse qualquer mal-entendido entre nós só porque eu tenho um passado com Arthur.

Eu não respondi de imediato. Fiquei girando a xícara entre as mãos, olhando para o café como se houvesse uma resposta boa ali dentro.

Genevieve era legal. De verdade. E eu realmente precisava de uma amiga. Uma amiga de verdade, não só uma aliada provisória no meio da elite carioca e das patricinhas assassinas em potencial.

Mas era impossível negar que, lá no fundo, um pouquinho de ciúmes me dominava.

Capítulo 40 1

Capítulo 40 2

Capítulo 40 3

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