Ninguém era perfeito. O mais importante era o quanto você sabia fingir que era.
Eu estava pensando exatamente nisso enquanto uma mulher mexia no meu cabelo como se estivesse tentando negociar paz entre nações e outra espalhava iluminador no meu rosto como se eu fosse um projeto de restauração histórica.
Eu precisava fingir muito bem naquela noite.
Precisava ser perfeita.
Queria orgulhar meu avô. Queria não envergonhar Arthur. E, no fundo, queria ter o meu momento. Um momento único em que eu entrasse naquele mundo não como a menina errada no lugar errado, nem como a neta perdida, nem como a favelada, nem como a noiva improvável. Só como... eu. A melhor versão possível de mim.
Então eu não neguei quando Claire contratou todo tipo de profissional para me preparar.
E, quando eu digo todo tipo, é todo tipo mesmo.
Cabeleireira, maquiadora, esteticista, manicure... Uma massagista, o que, devo admitir, foi maravilhoso. E uma depiladora, o que, devo admitir também, foi torturante.
Sério. Pra quê depilar certas partes do corpo para um baile? Não era como se alguém fosse me ver tão exposta assim.
Se tudo sair como você está planejando, talvez vá.
— Cala a boca — murmurei para a minha própria voz interna.
A maquiadora, concentrada no meu delineado, arqueou uma sobrancelha.
— Desculpa?
— Nada. Eu estava... conversando comigo mesma.
— Recomendo fazer isso depois que eu terminar a maquiagem, querida.
Quando finalmente me deixaram em paz por cinco segundos e eu pude me olhar no espelho de verdade, precisei admitir uma coisa desconfortável: eu estava linda.
O vestido vermelho tinha uma saia rodada que parecia se mover mesmo quando eu ficava parada. O decote era discreto o suficiente para Claire aprovar e, ao mesmo tempo, bonito o suficiente para eu me sentir adulta dentro dele. O cabelo tinha sido preso num penteado meio solto, meio elaborado, com ondas organizadas e alguns fios estrategicamente fora do lugar para que eu parecesse chique em vez de sufocada. A maquiagem realçava meus traços sem me apagar. Eu ainda parecia eu. Só uma versão minha que sabia que enfiar mini cachorro quente na boca dos outros durante um evento era errado.
O colar que eu tinha encomendado na Ella Deluxe repousava delicado no meu pescoço. E no meu dedo estava o anel. A cópia do anel de noivado. Perfeita a ponto de eu quase esquecer que era falsa.
— Você está incrível — Geórgia disse da poltrona perto da janela, onde já estava me observando havia alguns minutos com a animação de quem tinha encontrado um reality show ao vivo. — Vai deixar meu irmão de queixo caído.
Soltei uma risadinha.
— Seu irmão me parece do tipo que se impressiona fácil, pelo que andei ouvindo falar.
Geórgia riu.
— Bom... não exatamente. Já que é fácil conquistá-lo por uma noite, mas não pra sempre. Ou, pelo menos, era, né? Agora que vocês estão noivos...
Olhei meu reflexo mais uma vez.
— Sendo honesta? Não acho que isso o impediria. Não é como se ele estivesse apaixonado por mim.
Geórgia inclinou a cabeça.
— Talvez ainda não. Mas você tem noção de que ele atravessou metade da cidade, debaixo de chuva, só pra te comprar um quindim?
Virei o rosto na direção dela.
— O quê?
— Ele falou que passou lá perto e resolveu comprar? — ela perguntou, já rindo.
— Falou.
— Mentiroso.
Meu coração tropeçou.
— Como assim mentiroso?
Geórgia se levantou, aproximando-se de mim com a naturalidade de quem estava prestes a soltar uma bomba adorável.
— Ele foi lá só pra isso. E ainda fez questão de garantir que usassem a mesma receita de dez anos atrás, porque precisava — aspas no ar — “dar um presente para alguém que precisava sentir o gosto do passado”.
Eu fiquei olhando para ela.
— Isso é meio...
— Totalmente romântico — Geórgia completou, sem a menor piedade.
Ela estava certa. Era romântico. Irritantemente romântico. E muito a cara dele fazer de um jeito que ainda pudesse fingir que não era.
— E como você sabe disso tudo? — perguntei, desconfiada.
Geórgia sorriu, orgulhosa de si mesma.
— Porque eu sou fofoqueira. E porque eu estava no escritório dele no dia e fui junto.
Nós duas ainda estávamos rindo quando alguém bateu à porta.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO