~ ARTHUR ~
Chegar a um baile daqueles ao lado da minha mãe depois da cena na mansão era como tentar carregar uma bandeja de cristal no meio de um terremoto e fingir que estava tudo sob controle.
Claire ainda não tinha superado o episódio do anel. Nem ia superar tão cedo. Ela seguia ao meu lado com aquela postura impecável de mulher que parecia elegante até quando estava prestes a assassinar alguém com um comentário.
— Tenho certeza de que essa menina ainda vai nos surpreender esta noite — ela disse, ajustando a luva curta no pulso. — E não vai ser de forma positiva.
Augusto, que vinha do outro lado, respondeu antes que eu pudesse.
— A garota ainda está aprendendo a se portar em ambientes como esse, Claire. E tem todo o direito de errar.
Minha mãe soltou um sorriso sem humor.
— Isso depende... do tamanho do erro.
Eu virei o rosto para ela.
— Não se preocupe, mãe. Tudo o que as pessoas vão sair comentando sobre Zara daqui hoje é a data do nosso casamento.
Claire revirou os olhos daquele jeito controlado que, nela, significava o equivalente emocional de jogar uma cadeira pela janela.
Geórgia, que vinha logo atrás de nós, suspirou teatralmente.
— Bom, vocês que são adultos que se entendam. Eu vou me divertir.
Olhei por cima do ombro.
— Nada de beber. Como você bem lembrou, ainda não é adulta.
— Me erra, Arthur.
Augusto soltou uma risada baixa.
— Essa aí vai dar trabalho.
— Vai dar? — perguntei. — Ela já dá.
Geórgia mostrou a língua para mim com a maturidade de uma criança de onze anos usando vestido de alta-costura e, por algum motivo, aquilo melhorou um pouco o humor do meu padrinho.
O salão principal do baile estava exatamente como eu lembrava desses eventos: dourado demais, flores demais, brilho demais, e um nível de tensão social que faria uma sala de cirurgia parecer relaxante. Homens de terno, mulheres com diamantes suficientes para financiar uma ala hospitalar, mães avaliando outras mães, filhas sendo empurradas para o mercado matrimonial mais sofisticado e perverso da cidade.
Nós avançamos pelo salão cumprimentando gente demais. Augusto foi naturalmente sugado por uma roda de sócios e amigos antigos, todos com aquele ar de homem importante que envelhece falando de mercado, legado e whisky caro.
Eu aproveitei a primeira brecha para me afastar.
Foi assim que encontrei Thomas num canto, já com um copo na mão e a expressão satisfeita de quem estava gostando demais de observar aquele zoológico humano.
— Eu não imaginei que você realmente fosse aparecer — falei, pegando uma taça de champanhe de uma bandeja que passava.
Thomas sorriu.
— Tenho dois motivos muito fortes para estar aqui.
— Estou com medo de perguntar.
— O primeiro: ver o anúncio do seu casamento. — Ele ergueu a taça em minha direção. — Sério, Arthur, eu nunca achei que fosse viver para ver isso.
Soltei um ruído que podia passar por riso.
— É. Nem eu. Quero dizer, eu sempre soube da existência desse acordo entre meu pai e meu padrinho, mas não imaginava que a neta desaparecida ia reaparecer do nada.
Thomas tomou um gole, me observando por cima da borda do copo.
— E você bem que gostou dela, não é?
Ignorei.
— E o segundo motivo?
O sorriso dele aumentou.
— A maior seleção de mulher gata por metro quadrado do Rio de Janeiro.
Eu ri. Não porque fosse uma grande piada, mas porque era Thomas, e Thomas conseguia dizer as coisas mais absurdas com a segurança de um cientista apresentando um dado estatístico.
— Você é um caso perdido.
— E você é um homem noivo tentando fingir que não percebeu o mesmo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO