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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 49

— Eu... eu...

A resposta morreu na minha boca antes de nascer.

Porque, antes que eu conseguisse inventar alguma mentira decente, a voz veio da porta:

— Zara foi assaltada.

Virei o rosto.

Genevieve estava parada ali, ainda impecável apesar da correria, do banheiro, do escândalo e da minha total incapacidade de passar uma noite sem transformar luxo em caos. Ela entrou com naturalidade demais para quem estava, na prática, salvando a minha vida outra vez.

— Nós duas fomos, na verdade — continuou, aproximando-se da maca. — Foi horrível, Arthur. Arma apontada e tudo.

Arthur virou o rosto para ela tão rápido que eu quase senti o movimento no ar.

— Quando isso? — perguntou, já confuso e preocupado. — Por que ninguém me contou?

Genevieve soltou um suspiro, como se ainda estivesse afetada.

— Saindo de uma cafeteria na Zona Sul. Eu fiquei péssima, porque fui eu que pedi pra Zara me acompanhar até lá, pra resolver uns assuntos, depois do ensaio do baile.

Arthur passou a mão no rosto, nitidamente irritado.

— E o seu segurança? Porque eu sei que a Zara é imprudente o suficiente para dispensar um, mas você...

Genevieve deu de ombros com uma calma que eu invejei na hora.

— Nós estávamos literalmente saindo da cafeteria. Eu só precisava dar alguns passos até o carro. Não ia ficar com o segurança grudado em mim enquanto tomava café e conversava com uma amiga. Ele até tentou interferir, mas foi tudo muito rápido... Eles só arrancaram o anel da Zara e a minha correntinha. E saíram correndo. Dois moleques.

Arthur franziu a testa.

— Achei que você tinha dito que teve arma.

Meu coração deu um pequeno salto, mas eu já estava metida naquela mentira.

— Mais ou menos — falei, entrando no jogo. — Quero dizer... estava por baixo da roupa. Então podia ser ou podia não ser. A Gen não está acostumada com esses truques, então preferi não arriscar.

Arthur se virou para mim na mesma hora.

— Você não seria nem louca de arriscar!

Era engraçado o jeito como ele brigava quando estava preocupado. Como se a bronca fosse só a embalagem socialmente aceitável do pânico.

— O que eu não entendo — continuou ele — é porque você não me contou logo.

Abri a boca, mas Genevieve respondeu antes.

— Zara ficou com muito medo de te magoar. E, como estávamos às vésperas do baile, eu sugeri uma cópia. O que eu não esperava era que sua mãe tivesse olhos de águia.

Ela riu.

Eu ri atrás.

Um pouquinho atrasada.

Um pouquinho nervosa demais.

Um pouquinho consciente demais de que a mentira estava ficando detalhada demais para o meu gosto.

Mas Arthur parecia menos desconfiado e mais incomodado com a ideia de eu ter passado por aquilo sem dizer nada. E, sinceramente, eu preferia lidar com a indignação dele do que com a verdade.

Genevieve se aproximou um pouco mais da maca.

— Zara... eu só queria saber como você está.

Ela me lançou uma piscadela rápida quando Arthur não estava olhando, e aquilo foi o suficiente para eu entender que ainda havia mais a ser dito. Só não ali. Não na frente dele.

— Não se preocupa — respondi. — Eu estou bem. Eu só quero... ir pra casa agora. Tirar essa roupa, essa maquiagem e dormir por umas quinze horas.

— Me parece uma excelente ideia — Genevieve disse, sem perder tempo.

— Nem pensar — Arthur cortou.

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