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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 50

Genevieve revirou os olhos de um jeito teatral antes mesmo de terminar de me encarar.

— Se querem saber, eu acho que vocês dois são completamente loucos.

Arthur soltou um ar pelo nariz, quase um riso. Eu, honestamente, também não tinha argumentos muito fortes contra aquilo.

Genevieve apontou para nós dois como se estivesse prestes a distribuir sentenças.

— Mas, se vão fazer isso, façam direito. Vou conversar com a Angélica e organizar uma entrada.

Ela saiu antes que qualquer um de nós pudesse responder. E, de repente, o silêncio caiu sobre a sala de um jeito quase íntimo demais.

Fiquei sentada na maca por um segundo, sem saber muito bem o que fazer com as mãos, com a cabeça latejando e com a certeza de que, apesar de todo o caos, eu ainda ia ter que me levantar e entrar naquele baile como se fosse a mulher mais segura do mundo.

Tirei um espelhinho da bolsa.

Se eu ia fazer papel de perfeita, pelo menos precisava saber exatamente o tamanho do estrago.

Abri o espelho e comecei a me examinar. O rosto ainda estava utilizável. A maquiagem tinha sobrevivido mais do que eu merecia. O cabelo... bom, o cabelo estava fazendo um esforço heroico.

Foi então que Arthur deixou escapar, num tom baixo demais para ser só educação:

— Não se preocupe. Você está linda.

Levantei os olhos do espelho.

Por um segundo, me peguei odiando o fato de acreditar nele.

Sorri tímida, fechei o espelho e o guardei na bolsa.

— É bonito o carinho que você tem pelo meu avô — falei, mais para ocupar o silêncio. — Sei que está fazendo isso por ele. Dar esse momento a ele e também... o casamento, claro.

Arthur, que estava apoiado na cadeira, com os antebraços nos joelhos, levantou o rosto para mim.

— Ele é muito importante pra mim.

Inclinei a cabeça.

— Por quê? Quero dizer... eu sei que ele é seu padrinho, mas... você está abrindo mão de parte da sua vida.

A frase saiu mais dura do que eu queria. Como se eu estivesse acusando. Mas Arthur não pareceu se ofender.

Ele só respirou fundo.

— Casamentos por contrato acontecem no nosso mundo o tempo todo. Não me entenda mal, eu não fico... feliz por isso. Mas poderia ter sido pior.

Arqueei uma sobrancelha.

— Nossa. Muito obrigada pela parte que me toca.

Arthur riu.

— Ainda assim, eu faria — completou. — Augusto é muito importante pra mim.

Eu o encarei por um segundo.

— Por quê?

Arthur se recostou de novo na cadeira, como se estivesse decidindo se queria mesmo abrir aquela porta.

— Eu tinha outra irmã.

A frase caiu no ar com um peso que me endireitou na maca sem que eu percebesse.

— A mais nova de nós três — continuou. — Ela morreu aos oito anos. Leucemia linfoblástica aguda.

Meu coração apertou imediatamente.

— Arthur... eu sinto muito.

Ele balançou a cabeça devagar, como se o “sinto muito” fosse uma peça educada demais para uma dor antiga.

— Não foi um período fácil. Meus pais... meus pais fizeram tudo o que puderam. Eles se dedicaram cem por cento àquilo. E eu e a Geórgia... ficamos de lado.

Ele não falou aquilo com ressentimento. Falou apenas como quem relata um fato antigo.

— Eu já tinha vinte anos — disse. — Então eu entendo perfeitamente. Tudo o que eu queria era que a Clarice se recuperasse. Ainda assim... não foi fácil.

Capítulo 50 1

Capítulo 50 2

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