Treze dias.
Eu não conseguia parar de pensar que faltavam treze dias para organizar um casamento inteiro.
E o pior: eu era a noiva.
Quero dizer... eu devia ver isso como o melhor, certo? O sonho? A parte divertida? A chance de escolher flores, provar bolo e fingir que entendia a diferença entre bege champagne e off-white marfim?
Em vez disso, tudo o que eu conseguia pensar era que, em treze dias, eu mal organizava meu novo closet sem surtar. Em treze dias, eu provavelmente não tinha nem estabilidade emocional para escolher um guardanapo sem querer agredir alguém com ele.
E, ainda assim, lá estava eu na segunda-feira de manhã, entrando na faculdade como se fosse uma pessoa perfeitamente funcional.
As coisas estavam diferentes.
Não completamente. Não como se eu tivesse virado uma celebridade da noite para o dia. Mas estavam diferentes.
Ninguém me confrontava diretamente.
Ninguém mais ria na minha cara.
Ninguém me chamava de louca por causa do “namorado inventado”.
Mas continuavam fofocando. Talvez mais do que antes. Porque agora nem a Alícia conseguia mais me fazer passar como delirante com fic inventada quando eu e Arthur tínhamos tido o casamento anunciado num dos maiores eventos da elite carioca.
Eu passei por um grupo perto da escada e ouvi o sussurro mais repetido da manhã:
— Como isso aconteceu?
Uma hora, quando dobrei o corredor perto do pátio, ouvi a Alícia responder.
— Sei lá. Ela é golpista. Vai saber como convenceu o pobre do Augusto Altieri de que é neta dele. Aliás, agora faz sentido ela ter entrado pro Programa de Excelência Clínica, não é?
Eu continuei andando de cabeça erguida.
Porque não havia nada que eu pudesse fazer para calar a Alícia. E acredite: eu já tinha tentado. A garota me odiava com a consistência de uma religião. Ela ia continuar falando de mim ainda que a monarquia fosse restaurada no Brasil e eu me tornasse rainha.
Mas eu não ia deixar aquilo me abalar.
Porque hoje era o meu primeiro dia no hospital fazendo parte do Programa Sartori & Altieri de Excelência Clínica.
E ninguém ia estragar isso para mim.
Nem Alícia.
Nem a elite do Rio.
Nem um noivado relâmpago.
Nem a minha própria cabeça, que ainda doía quando eu me mexia rápido demais.
Quando cheguei à entrada principal do hospital, já havia um grupo reunido ali. Os selecionados do programa. Alguns animados demais, falando alto e tentando parecer confiantes. Outros silenciosos, concentrados, olhando em volta como se já estivessem absorvendo a responsabilidade do lugar. Eu fiquei no meu canto, observando.
Chamavam aquilo de programa, treinamento, excelência clínica.
Na prática, ainda parecia um bando de estudantes tentando descobrir se tinha autoridade suficiente até para segurar um prontuário sem parecer criança fantasiada de adulto.
Foi então que Arthur apareceu.
E, por um segundo vergonhoso, eu simplesmente esqueci de respirar.
Arthur atravessou o saguão com a mesma segurança irritante com que atravessava qualquer lugar do mundo. Jaleco impecável, postura reta, expressão profissional. Não era o homem com que passei uma noite. Não era o meu noivo por contrato. Não era o cara que tinha atravessado a cidade na chuva por causa de um quindim.
Era o doutor Arthur Sartori.
E isso, por algum motivo, me deixou ainda mais nervosa.
Ele se aproximou do grupo e esperou o burburinho morrer.
— Bom dia. Sou Arthur Sartori.
Como se alguém ali precisasse de apresentação.
— Vou supervisionar o Programa Sartori & Altieri de Excelência Clínica.
Senti meu rosto corar na hora.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO