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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 53

Quando o tour acabou, Arthur dispensou o grupo com a mesma voz calma e profissional que tinha usado a manhã inteira, reforçando que todos receberíamos mais orientações ainda naquele dia por e-mail. Eu já estava praticamente ensaiando uma fuga estratégica para casa (ou, no mínimo, para longe dele, de Alícia e de qualquer lugar parecido com um hospital) quando ouvi:

— Zara... uma palavrinha na minha sala, por favor.

Alguns burburinhos surgiram no mesmo instante em que os outros começaram a se dispersar. Claro. Porque aparentemente o universo não descansava enquanto eu não parecesse uma beneficiária oficial de nepotismo com crachá e noivo administrador.

Segui Arthur corredor adentro já irritada.

Porque não bastava todo mundo comentando pelas minhas costas sobre o fato de eu estar ali “por contatos”. Ele ainda precisava piorar chamando justamente a mim para a sala dele? Ou não era isso? Era o contrário? Ele ia me dizer, com toda a educação corporativa do mundo, que seria melhor eu me afastar do programa para evitar mal-entendidos?

Olha, eu juro, se fosse isso, Alícia ia me pagar.

Arthur abriu a porta da sala, deixou que eu entrasse e fechou atrás de si.

— Eu queria falar com você sobre...

— Sobre o fato de você não ter me preparado avisando que seria o supervisor do programa e que trabalharíamos diretamente juntos?

Ele piscou, como se eu tivesse estragado a ordem do raciocínio dele.

— Eu disse. Te disse no dia em que aprovamos a lista de selecionados.

Cruzei os braços.

— Bem, você me disse que era um dos supervisores. Não que eu ia ter que lidar com você todos os dias.

Arthur deu de ombros.

— Isso importa?

Soltei uma risada curta, incrédula.

— Claro que importa, tá todo mundo comentando pelas minhas costas.

— Olha, não é isso...

— E você vai fazer o quê? Vai me suspender do programa pra não causar mal-entendido?

Ele franziu a testa de verdade.

— Claro que não. Que loucura...

Parei por um momento só para observar o rosto dele. Entregava claramente que aquela possibilidade nem tinha passado pela cabeça dele.

O que, por algum motivo, me irritou mais.

— Então, se for sobre a Alícia...

— Se fosse sobre a Alícia, eu resolveria com a Alícia — ele me cortou, já impaciente. — Céus, Zara, por que você sempre espera o pior de mim com relação a você?

Fiquei alguns segundos só olhando para ele.

Porque a resposta era simples demais para ser bonita.

— Não é que eu espere o pior de você — falei, mais baixo. — Eu espero o pior de todo mundo. Foi o que o mundo me ensinou.

Alguma coisa no rosto dele mudou.

Arthur deu alguns passos na minha direção, diminuindo o espaço entre nós com uma calma que fez meu coração errar o ritmo.

— Sinto muito que a vida tenha sido difícil com você, Zara — ele disse. — Mas você não precisa ficar na defensiva comigo.

Soltei o ar pelo nariz.

— Não preciso? Eu vi como você me olhou quando a Alícia disse aquilo sobre o exame. E eu lembro muito bem de todas as vezes que você me chamou de golpista.

Ele inclinou um pouco a cabeça.

— Como eu te olhei?

— Como alguém que...

Parei. Porque eu mesma não sabia mais definir.

Arthur continuou, mais perto:

— Porque tudo o que estava passando na minha cabeça naquele momento era que eu não queria que você perdesse a cabeça e quebrasse o nariz dela na frente de todo mundo. Porque aí, sim, eu teria que te expulsar do programa.

Eu não consegui conter a risada.

— Acho que eu tenho uma fama.

Arthur sorriu de leve.

— Tem. E eu devia estar preocupado com isso como seu supervisor.

Ele deu mais um passo.

— O problema é que, naquele momento, eu não estava pensando como seu supervisor.

Senti o coração tropeçar.

— E estava pensando como o quê?

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