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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 55

~ ARTHUR ~

Eu ainda tinha alguns minutos antes da reunião com o conselho.

Não era tempo suficiente para resolver a bagunça que Zara tinha conseguido fazer na minha cabeça, mas era tempo suficiente para descer até a recepção e entender que tipo de homem estava procurando por ela.

A recepcionista da frente se levantou no instante em que me viu.

— Doutor Arthur.

— O homem que perguntou pela senhorita Zara Altieri ainda está aí?

Ela assentiu discretamente e indicou com o olhar a fileira de cadeiras mais afastada.

— Está ali. Na ponta.

Eu entendi na mesma hora o que a minha secretária quis dizer quando falou que ele era... um tanto estranho.

Porque ele claramente não era o tipo de pessoa que frequentava o hospital.

E não me entenda mal: o Sartori & Altieri tinha ramificações. Nós éramos um hospital de elite, sim, mas também mantínhamos projetos e alas específicas voltadas para pacientes de baixa renda, especialmente crianças. Tinha sido um programa que eu mesmo tinha ampliado.

Aquele homem não era nenhuma dessas coisas.

Era outra categoria.

Magro demais, duro demais, relaxado de um jeito que parecia ameaça em repouso. Tinha uma tatuagem subindo do pescoço para a lateral da mandíbula, um dente de ouro que aparecia sempre que ele mexia a boca e uma forma de ocupar a cadeira como se não estivesse numa recepção de hospital, mas num território neutro onde todo mundo ao redor devia alguma explicação a ele. A roupa também não ajudava: camiseta larga demais, corrente grossa, tênis gasto, olhar de quem não se impressionava com mármore ou sobrenome na parede.

Aproximei-me devagar.

Ele ainda não tinha notado a minha presença.

Foi então que vi o que ele estava fazendo com as mãos.

Brincando com alguma coisa.

Jogando de uma mão para a outra, como se não fosse nada.

Mas era.

Quando cheguei perto o suficiente, reconheci de imediato.

O anel de noivado da Zara.

Quem era aquele homem?

Aquele era o sujeito que tinha “assaltado” a Zara?

Mas não fazia sentido. Primeiro porque ela e Genevieve tinham dito que eram dois moleques. Segundo porque, ainda que aquilo fosse a definição delas para moleque, por que diabos ele viria até o hospital falar com ela? E por que traria o anel?

Parei diante dele.

— Boa tarde, senhor. Está procurando pela Zara Altieri?

Ele ergueu a cabeça, surpreso. Não muito. Só o suficiente para eu perceber que, por um segundo, ele não esperava ser abordado por alguém como eu.

— Altieri? — repetiu, como se testasse a palavra. — É. É ela mesma. Cadê?

Ignorei o modo como ele falou.

— Posso perguntar de onde o senhor a conhece?

A resposta veio rápido demais.

— Da faculdade.

— Ah, vocês fazem faculdade juntos? — perguntei, sem acreditar nem por um segundo naquela história. — Medicina?

Ele soltou um sorriso enviesado, mostrando o dente de ouro.

— Do campus, mano. Sou de outro esquema por lá.

— Certo. — Sustentei o olhar dele. — Olha, eu sou o noivo da Zara. Se tem alguma coisa pra falar com ela, eu passo o recado.

Capítulo 55 1

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