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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 56

Acontece que Arthur Sartori era um idiota. Um idiota que claramente não ligava a mínima para o que as pessoas falavam pelas costas, porque fez questão de me colocar para trabalhar... diretamente com ele.

Então, além de supervisor do programa, ele também tinha virado o médico responsável por mim.

O que, na prática, significava que vínhamos passando quase todas as tardes juntos. Entre rondas, prontuários, pacientes, orientações e corredores longos demais, eu tinha passado a conviver com Arthur em doses muito mais perigosas do que o recomendado por qualquer bula de bom senso. E frequentemente acabávamos sozinhos entre uma enfermaria e outra, ou entre um paciente e uma pausa curta demais para o meu coração fingir que aquilo era normal.

Hoje, porém, era sexta-feira.

E sexta-feira era, tecnicamente, o dia de folga do Arthur.

Digo tecnicamente porque, como ele nunca tirava folga de verdade, eu sabia que ia passar o dia enterrado em alguma pilha de documentos, relatórios, reuniões e questões burocráticas do hospital.

Então, por tabela, era meu dia de folga também.

E eu estava usando esse pequeno milagre civilizatório da única forma sensata possível: sentada com Genevieve numa confeitaria bonita demais, cercada de doces delicados, café caro e a sensação crescente de que eu ia surtar.

— Que bom que você veio — falei, largando a xícara no pires. — Eu já estou desesperada. Você tem noção de que faltam nove dias? Nove dias para eu me casar.

Genevieve mexeu calmamente o champanhe dela enquanto escolhia mais um docinho da bandeja como se casamento em nove dias fosse um conceito administrável.

— Como vão as coisas? — perguntou.

— Sob controle, eu acho. Claire contratou essa wedding planner...

Revirei os olhos na mesma hora. Até reproduzir o termo me irritava.

— ...e ela basicamente me manda mensagem de cinco em cinco minutos pra saber se eu prefiro marfim ou creme para as toalhas de mesa, quando, na prática, eu nem vejo diferença entre as duas cores. Ou se eu prefiro arroz selvagem com pignoli ou mix de sete grãos nobres com lâminas de amêndoas de Valência.

Genevieve ficou muito séria, balançando a cabeça, como se aquela foi uma questão importantíssima.

— E qual você escolheu?

— Arroz selvagem com pignoli. — Dei de ombros. — Eu nem sei que raios é pignoli ou porque o arroz estaria se sentindo particularmente selvagem nesse dia.

Ela riu.

— E o vestido? Geórgia disse que estava vindo da França.

Suspirei.

— Eu nem sei como ele é. Claire escolheu e mandou trazer. Disse que era um presente.

— Bom, ao menos Claire tem bom gosto.

— Vai chegar em cima da hora. Tomara que não precise de nenhum ajuste significativo.

— Claire está cuidando de tudo, não está?

— Sim. O que é bem estranho pra quem não queria esse casamento. — Peguei um docinho qualquer só para fazer alguma coisa com as mãos. — Até um milhão de casais de padrinhos ela arrumou. Uns primos, amigos, sei lá mais quem... Disse que um altar cheio de padrinhos e madrinhas fica mais harmônico e tem mais padronização visual.

Genevieve arqueou uma sobrancelha.

— Isso soa exatamente como a Claire.

— “Padronização visual”, Genevieve — repeti, ainda ofendida. — Eu nem sei quem vão ser aquelas pessoas.

Ela riu de novo.

— Bom, por padrão, padrinhos dão presentes bons. Então se prepara pra ganhar pelo menos uma lua de mel muito especial.

— Thomas já prometeu isso. Aliás, ele e Geórgia foram os únicos que Arthur realmente convidou como padrinhos. E eu... — hesitei por um instante — bem, você sabe que eu não tenho muitos amigos. Nem aqui, nem de antes, mas... eu gostaria muito que você fosse minha madrinha principal.

Genevieve congelou por meio segundo.

Depois levantou da cadeira num impulso e veio me abraçar.

— Ah, meu Deus, Zara, eu ia adorar! Eu nunca fui madrinha antes!

Ri, apertando-a de volta.

Capítulo 56 1

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