~ ARTHUR ~
— Um agiota? — perguntei, sentado à mesa da minha sala no hospital, olhando para Thomas parado à minha frente.
— Foi o que eu descobri.
Ele jogou uma pasta sobre a minha mesa, e eu a puxei para perto imediatamente, já abrindo e folheando o conteúdo.
Relatórios curtos. Nome solto aqui, apelido ali. Endereço possível. Foto ruim. Anotações do segurança. Um levantamento rápido, mas o suficiente para me deixar ainda mais irritado.
— O que eu não entendo... — murmurei, sem tirar os olhos do papel — é porque a Zara entregou o anel pra ele.
E mentiu pra mim.
Mas isso eu não disse em voz alta.
Thomas apoiou uma das mãos no encosto da cadeira à minha frente.
— Provavelmente ela tinha uma dívida. Explicaria ele voltar atrás dela.
— Ela teria como pagar com dinheiro.
— Eu não sei como funciona a mente dessas pessoas, Arthur. O que eu descobri é o que está nessa pasta.
Continuei folheando.
— Você checou as câmeras da cafeteria que elas disseram que estiveram, certo? Zara e Genevieve.
— Sim. — Thomas assentiu. — E elas de fato estiveram lá. Mas nenhum assalto aconteceu.
Fechei a pasta.
O couro da cadeira rangeu quando me recostei.
Então peguei o telefone da mesa e disquei o ramal da minha secretária.
— Helena, por favor, entre em contato com a Genevieve e diga que eu a chamei para um drink hoje à noite.
Pausei, ouvindo a resposta do outro lado.
— Sim, sim. No bar do Milani. Perfeito.
Desliguei sem acrescentar mais nada.
Thomas, claro, não teve a mesma educação.
Ficou me olhando com aquela cara de curiosidade debochada e um sorriso no canto da boca.
— O quê? — perguntei.
— Vai tomar um drink com a sua ex, é?
Suspirei.
— Não começa. Você sabe que não tem nada entre nós. Nunca teve, de verdade.
Thomas ergueu as sobrancelhas.
— Ah, você diz isso. Mas a história que me contou quando rompeu o acordo de vocês não foi exatamente essa.
Revirei os olhos, porque eu sabia exatamente do que ele estava falando.
Genevieve e eu entramos num relacionamento por interesse mútuo. E não interesse um no outro.
Ela gostava de um cara que a família não aprovava. Eu gostava da minha solteirice, que a minha mãe também não aprovava. Por mais que meu pai e meu padrinho insistissem que tudo bem eu permanecer solteiro enquanto a “neta perdida” não aparecia — e meu padrinho sempre teve certeza de que a encontraria — minha mãe não era muito simpática ao tipo de solteirice que eu praticava.
Então foi isso.
Ajuda mútua.
Ela ganhava um namorado de sobrenome aceitável. Eu ganhava paz social por alguns meses.
Exceto que, em certo ponto, aquilo começou a ficar estranho.
Em certo ponto, eu achei que Genevieve... pudesse estar confundindo as coisas.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO