~ ARTHUR ~
O caseiro veio nos buscar de carroça.
Não era o tipo de frase que eu imaginava precisar pensar em algum momento da minha vida, mas ali estava, sentado num banco de madeira ao lado de Zara, sendo transportado por uma mula chamada Bernardete enquanto o senhor Dito — sessenta e poucos anos, chapéu de palha, expressão sorridente — conduzia com a calma de quem não tinha pressa para coisa nenhuma.
— Bonita fazenda — Zara murmurou, olhando para os dois lados da estrada de terra enquanto a propriedade ia se revelando aos poucos. Pastagem, árvores antigas, um lago ao fundo brilhando contra o sol.
— Fico feliz que aprove — respondi.
— Não disse que aprovei. Disse que é bonita.
Típico.
A sede da fazenda era uma casa antiga, daquelas com varanda corrida, madeira escurecida pelo tempo e uma solidez que sugeria que tinha sobrevivido a muita coisa e pretendia sobreviver a muito mais. Dona Conceição, a esposa do caseiro, nos recebeu na porta com uma eficiência silenciosa que eu apreciei.
— Preparei o quarto principal para o casal — ela disse, já nos conduzindo para dentro. — É o maior. Tem banheira.
Zara me lançou um olhar rápido.
— Ótimo — falei, antes que qualquer um dos dois tornasse aquilo mais complicado do que precisava ser. — Muito obrigado.
Fomos guiados até o quarto, mas ficamos parados no corredor por um segundo.
— Depois eu cuido disso, posso fizer em um quarto de hospedes — disse para Zara enquanto Dona Conceição se afastava. — Vou pedir para prepararem o almoço pra você, não precisa me esperar.
— E você?
— Preciso ir até a cidade.
— A cidade? Para quê?
— Dar queixa do carro e dos nossos pertences.
Ela franziu a testa.
— Dar queixa? O que você vai falar? Eram só dois homens mascarados. Não vão pegá-los.
— Talvez não. Mas preciso comunicar que meu carro e meu celular foram roubados. Você sabe o que podem fazer com o celular de um Sartori?
— Bloqueia o IMEI.
— É claro que vou bloquear. Mas vou fazer tudo do jeito certo.
Ela ficou me olhando por um segundo com uma expressão que eu não soube classificar direito. Alguma coisa mais próxima de nervosismo, o que era curioso, porque nervosismo não era algo que eu associava facilmente a ela.
— Você pode fazer isso online — ela disse. — BO online. Eles não gostam quando você vai pessoalmente para essas coisas menores.
— Eu gosto de fazer as coisas do jeito antigo. E não chamaria de “coisas menores” terem apontado uma arma pra sua cabeça.
Ela abriu a boca, fechou, e assentiu com a cabeça de um jeito que parecia mais resignação do que concordância.
— Então eu vou junto.
— Não é necessário.
— Tinham coisas minhas no carro. Eu presenciei tudo. Preciso ir junto.
Eu ia responder quando ela deu um passo na minha direção. A mão foi para a gola da minha camisa com uma lentidão completamente desnecessária, me puxando levemente para perto, e o clima entre nós mudou de tom antes que eu pudesse me preparar para isso.
— Mas... vamos fazer isso depois do almoço. — A voz saiu baixa, com uma leveza calculada. — Primeiro um banho.
— Isso ia demorar muito — consegui dizer.
— Podemos economizar tempo se... fizermos isso juntos.
Levei meio segundo a mais do que eu gostaria para processar o que ela estava insinuando. Sorri.



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Os comentários dos leitores sobre o romance: INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO