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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 77

Os dias tinham passado mais rápido do que eu esperava. De repente já era terça-feira, e eu estava sentada numa cadeira de coleta no laboratório do Sartori & Altieri com o braço estendido e uma enfermeira preparando o material. Arthur estava parado do outro lado da sala, de jaleco, com aquela postura de sempre que de alguma forma parecia menos formal do que de costume naquele contexto.

— Trouxe as amostras do meu vô? — perguntei.

— Já foram entregues.

Ele tinha ficado responsável por isso. Primeiro porque não queríamos contar ao Augusto que estaríamos refazendo o teste — a saúde dele parecia mais fragilizada ultimamente, e a última coisa que ele precisava era se preocupar com uma questão que, para ele, já estava completamente resolvida. Segundo porque eu achei melhor deixar Arthur cuidar das amostras do lado dele. Assim, se alguém um dia quisesse questionar o resultado, não poderia me acusar de ter manipulado nada. As amostras de Augusto, Arthur tinha coletado. As minhas, colhidas no próprio hospital, na frente dele.

A agulha entrou.

Fechei os olhos e fiz uma careta involuntária.

— Medo de agulha? — ele perguntou, vindo um passo na minha direção.

— De sangue.

Ele não conseguiu segurar a gargalhada, o que era pouco profissional mas eu preferi não comentar dado o contexto.

— Zara, você faz faculdade de medicina.

— Eu sei, eu sei. É só do meu sangue, especificamente. Prefiro ele dentro do meu corpo.

Ele riu de novo, depois fez um carinho no meu ombro com uma leveza que foi mais eficiente do que qualquer argumento racional. Fiquei com os olhos fechados até a enfermeira dizer que tinha terminado.

Saímos do laboratório e fomos pelos corredores na direção da recepção, aquele trajeto que eu já estava começando a conhecer de cor depois de dias circulando por ali. Arthur caminhava ao meu lado com aquela familiaridade de quem pertence a cada corredor daquele lugar, cumprimentando funcionários pelo nome, desviando de macas sem olhar, existindo naquele espaço de um jeito que eu ainda estava aprendendo.

Quando estávamos quase chegando na saída, ele falou:

— Escuta, eu sei que já deu seu horário, mas...

— Mas você é meu chefe e vai me explorar — brinquei.

— Na verdade, só se você quiser.

— O quê? — Virei o rosto para ele, não tendo certeza se tinha entendido direito.

— Vir comigo em um lugar.

— Quero.

Ele me olhou com uma expressão levemente surpresa, como se esperasse resistência e não soubesse o que fazer com a ausência dela.

— Não vai perguntar onde?

— Não. — Dei de ombros.

Um sorriso atravessou o canto da boca dele, e ele fez um gesto com a cabeça indicando a direção.

Capítulo 77 1

Capítulo 77 2

Capítulo 77 3

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