Era sexta-feira à noite e eu estava na minha despedida de solteira.
Tá, não era exatamente uma despedida clássica. Sem clube de stripper, sem homens fingindo ser policiais seminus, sem aquelas faixas de "a noiva" que a pessoa usa envergonhada a noite toda. Tinha uma adolescente do meu lado, o que já colocava um limite natural em algumas possibilidades.
Mas eu estava com a Genevieve e a Geórgia numa balada. Uma daquelas de gente rica, com música eletrônica, bebidas em copos sem preço no cardápio e camarotes exclusivos onde elas tinham garantido uma mesa sem aparente dificuldade.
— Sério, eu devia ser a madrinha responsável pela despedida de solteira — reclamou Geórgia, olhando para o salão com olhos de general insatisfeito. — Ia ter muito mais homem gostoso e muito menos música ruim.
Ri.
— Você é menor de idade. Não devia nem estar com um copo de bebida na mão, quem dirá pensando em gigolôs.
— Quem disse que sou menor de idade? — Ela soou falsamente ofendida, como quem praticou aquela expressão no espelho.
— Sua carteira de identidade? — Genevieve disse o óbvio.
— Não essa! — Geórgia deslizou uma carteira para o centro da mesa com um sorriso de triunfo. Vinte e um anos. Claramente falsa, mas com uma qualidade surpreendentemente boa.
— Alguém acredita nisso?
— Bem, estou com um copo de bebida nas mãos, não estou?
As três rimos, e por alguns minutos foi só aquilo — risada, música alta, o tipo de leveza que aparece quando você está com pessoas que não precisam de contexto para existir junto de você.
Até Genevieve mudar de assunto com aquele jeito dela, direto mas sem peso.
— Então. Como está se sentindo para amanhã? Nervosa?
— Um pouco. — Mexi no copo. — Só espero não fazer nenhuma besteira.
— Você vai estar se casando com meu irmão! — Geórgia abriu os braços como se eu tivesse dito algo absurdo. — Devia estar se importando com coisas mais importantes do que não fazer besteira.
— Vocês realmente se entenderam naquela fazenda, não é? — Gen me olhou com aquele sorriso que sabia mais do que eu tinha contado.
— Estamos em um bom momento — confirmei, o que era a versão resumida de muita coisa.
— Sem possibilidades de sair correndo antes do sim?
— Eu diria que noventa e nove por cento de chance de não sair correndo antes do sim.
— E o um por cento? — Geórgia inclinou a cabeça. — É vagabundo?
Aquilo arrancou uma gargalhada das três que durou mais do que devia.
— Aquele um por cento é medroso — disse, quando consegui falar. — Isso sim.
Terminei o que tinha no copo e me levantei.
— Preciso ir ao banheiro. Já volto.
Atravessei o salão entre mesas e pessoas e luzes que piscavam no ritmo de uma música que eu não conhecia, mas que meu corpo tinha decidido acompanhar mesmo assim. Estava quase chegando quando reconheci um rosto.
Gustavo.
Estava numa mesa mais afastada, de costas para a pista, e havia uma garota encostada nele de um jeito que não deixava dúvida sobre o que estava acontecendo. Não era a Alícia.
Desviei o olhar imediatamente. Não era meu assunto. Eu não sabia se Gustavo e Alícia tinham alguma coisa séria ou se pagavam, e não éramos amigas o suficiente para eu perguntar. Continuei andando.
O banheiro da balada era enorme, cheio de espelhos, luzes especiais e mulheres conversando. Ainda assim a primeira coisa que vi quando entrei foi a Alícia sentada numa das penteadeiras, com o celular na mão e os olhos visivelmente vermelhos, em um estado que ela estava claramente tentando disfarçar através da maquiagem mas que não estava funcionando muito bem.
Ignorei. Fui direto para uma das cabines e fechei a porta.


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