Acordei me sentindo horrível.
Inchada, enjoada a ponto de ter vomitado duas vezes desde que abri os olhos, ligeiramente tonta e com um tremor nas mãos que eu preferia atribuir a qualquer coisa que não fosse o que estava acontecendo naquele dia.
— Droga, eu devia ter bebido menos ontem — reclamei para Geórgia e Genevieve, que já estavam me fazendo companhia desde o café da manhã. — Só pode ser isso.
— Também pode ser nervosismo — disse Genevieve. — Você vai se casar em poucas horas.
— Ou gravidez — disse Geórgia.
Olhei para ela.
— O quê?
— Ué, você é médica. Devia saber que são sintomas.
— Céus, às vezes eu odeio que todos sejam médicos ou futuros médicos nessa família. De qualquer forma, já estou melhor — peguei um copo de suco de laranja para provar meu ponto. — É bebida, nervosismo e curiosidade para ver meu vestido.
— Ainda não chegou? — Genevieve pareceu alarmada.
— Claire me mandou mensagem de manhã avisando que a entrega estava em curso. Vai chegar a tempo.
— Eu não sei de onde minha mãe tirou essa ideia genial de encomendar o vestido e não ir buscar pessoalmente — Geórgia balançou a cabeça. — Entrega pelo correio? É loucura.
— Pelo menos ela foi generosa o suficiente de me dar esse presente. Não vou reclamar.
E não ia mesmo.
Eu tinha achado que meu relacionamento com Claire ia piorar depois do baile de debutantes, depois do anel e de tudo que aconteceu naquela noite. Mas de alguma forma ela tinha se conformado com o fato de que Arthur e eu íamos nos casar e que não havia nada que ela pudesse fazer a respeito. Então tinha assumido o casamento como um projeto pessoal — provavelmente porque, ao menos assim, não ia passar vergonha por minha causa. Outra vez. Ia garantir que tudo saísse bem.
Quase não tinha dado certo, na verdade, porque faltavam algumas horas para o meu casamento e o vestido ainda não estava aqui. Mas ela me garantiu que estava vindo, e desde que a designer estivesse de prontidão para qualquer ajuste, ia dar certo. Tinha que dar.
Depois do café da manhã, a cavalaria chegou.
Era como eu tinha começado a chamar mentalmente aquela mobilização toda. Primeiro as damas que eu nunca tinha conhecido — uma prima distante do Arthur aqui, uma filha da melhor amiga da Claire ali. Em pouco tempo o lugar tinha virado um camarim coletivo com gente que eu mal sabia o nome recebendo os mesmos serviços que eu. Spa, massagem, champanhe e vinho circulando em bandejas — que eu sabiamente ignorei dado o estado da minha manhã —, penteado nos cabelos, unhas, maquiagem...
Havia um barulho específico naquele quarto que eu nunca tinha ouvido antes. O barulho de muitas mulheres se preparando juntas, com aquela mistura de conversas sobrepostas, gargalhadas, alguém chamando a maquiadora, alguém pedindo mais champanhe, o secador ligando e desligando em ciclos irregulares. Era caótico e, de um jeito que eu não esperava, era bom. Havia algo muito humano naquilo. Algo que eu tinha passado a vida sem ter.
Tudo muito organizado por trás. Tudo muito Claire.
Eu estava sentada na cadeira enquanto a cabeleireira finalizava algum produto no meu cabelo, olhando para o espelho com aquela expressão de noiva às vésperas que mistura entusiasmo com um tipo específico de terror, quando vi pelo reflexo uma figura parada na soleira da porta.
Uma senhora de uns sessenta e cinco, setenta anos. Postura impecável, daquelas que não precisam de esforço porque foram construídas assim ao longo de décadas. Cabelo preso com elegância de quem não tentava esconder a idade. Roupas de quem sabe exatamente o que está usando e por quê.
— Então essa é a noiva — ela disse, com uma voz que tinha aquela cadência de quem morou fora por muito tempo.
— Zara Altieri, futura Sartori. — Claire surgiu ao lado dela. — Zara, essa é Leonora Altieri. Sua tia-avó.



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