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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 9

O carro de Arthur estava estacionado no pátio da frente da mansão como se fizesse parte de uma pintura surrealista. Quero dizer, não que entendesse de pinturas para definir um estilo, mas aquilo parecia... surreal.

Parei. Olhei. E cai na gargalhada.

— Você espera sair vivo do morro subindo com um Rolls-Royce Phantom? — perguntei, olhando para Arthur com uma expressão que eu esperava estar comunicando a extensão do problema.

Ele revirou os olhos.

— Deve ter algo mais discreto na garagem.

— Claro. Deve ter — murmurei com desdém.

A garagem ficava no subsolo da mansão, acessada por uma rampa larga que abria para um espaço que eu, honestamente, não estava preparada para ver. As luzes acenderam automáticas, revelando fileira após fileira de carros que pareciam ter saído de um museu ou de um sonho de alguém com problemas sérios de humildade.

Parei de contar em vinte. Desisti.

— Tudo isso é do senhor Augusto?

— Não. — Arthur caminhou à frente sem me olhar. — Ele não liga para carro. São meus.

— Seus? — Não consegui disfarçar o espanto na minha voz.

— Eu coleciono carros antigos.

Fiquei parada processando aquilo por um segundo.

— Eu coleciono imãs de geladeira dos lugares que já fui — respondi. — Devo ter uns cinco. Todos do Rio.

Foi quando ele virou para me olhar. E riu.

De verdade. Não foi aquela risada curta e irônica que ele usava como pontuação quando queria me irritar. Foi uma risada real, que chegou rápido e sumiu rápido, mas foi perturbadora o suficiente para eu precisar olhar para outro lado.

Não pensa nisso, Zara. Foca.

— Você mora aqui, então? — perguntei, achando melhor procurar um assunto seguro.

— Sim. — Ele passou a mão na lateral de um conversível vermelho dos anos sessenta sem nem olhar para ele. — Nossas famílias são... sócias. Meu pai e meu padrinho construíram toda a fortuna juntos. São amigos de muito tempo. Tanto que... ele é meu padrinho — disse, como se o obvio precisasse ser explicado. — E ele sempre foi muito sozinho no mundo, sabe? Não fazia sentido deixar essa mansão só pra ele e cheia só de funcionários quando nossas famílias são praticamente uma.

Concordei com a cabeça e tentei, com toda a força que me restava depois de um dia daqueles, não achar bonito o jeito que ele falava do velho. A voz dele tinha ficado mais leve. Sem nenhuma daquelas arestas que ele usava comigo.

Não é da sua conta, Zara. Você vai receber meio milhão e nunca mais vai ver nenhum dos dois.

— Escuta — falei, com minha voz mais prática. — O senhor Augusto não está mais vendo. Você pode só me adiantar um pro Uber? Não precisa me levar. Ainda mais com um carro desses.

— Adoraria me livrar de você — ele respondeu, com uma sinceridade que absurda. — Mas eu respeito muito o que prometo ao meu padrinho. Se disse que ia te levar em casa, vou te levar em casa.

Ele parou diante de um carro prata, elegante, que continuava sendo obviamente caro mas que, comparado ao Phantom lá em cima, passava quase por humilde.

— Meu carro de disfarce — ele anunciou.

Olhei para o carro parado na minha frente e soltei uma risada.

— Claro. Vai se disfarçar muito com um BMW Série 3. — Abri a porta e entrei. — Mas ainda é melhor que um Rolls-Royce.

— Alguém entende de carros... — ele murmurou, quando entrou do outro lado. — Interessante.

Ficamos em silêncio imediatamente. O tipo de silêncio de quem não tem nada em comum. Exceto, claro, pelo fato de termos dormido juntos. Mas esse era exatamente o tipo de detalhe que nenhum dos dois parecia com vontade de colocar em pauta enquanto as ruas da cidade passavam pela janela.

Quando começamos a subir o morro, falei sem dramaturgia:

— Desliga os faróis.

Silêncio.

— O quê?

— Desliga os faróis e baixa os vidros. Eles precisam me ver.

— Isso só pode ser brincadeira.

Capítulo 9 1

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