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INVENTEI UM NAMORADO E ELE ERA MEU NOIVO BILIONÁRIO romance Capítulo 92

O carro saiu do escritório em silêncio. Eu estava no banco de trás, olhando pela janela sem realmente ver a cidade passando, ainda com o eco da fala da advogada de Leonora na cabeça.

O silêncio durou talvez dois minutos antes de Arthur começar a conversar em voz baixa com o doutor Renato Cavalcanti — o advogado da família que tinha vindo junto no carro — como se eu não estivesse ali ao lado, ou talvez como se aquela conversa fosse inevitável e era melhor começar logo.

Fui entendendo fragmentos enquanto a cidade passava.

Leonora queria provar que eu era uma golpista. Que eu tinha me passado por neta do Augusto usando um teste de parentesco falsificado.

— Eu não fiz isso — murmurei, mais para mim mesma do que para eles.

— Mas só palavra não vai valer de nada diante do arsenal que ela vai jogar contra a gente — Arthur explicou, sem desviar os olhos do advogado.

O doutor Cavalcanti assentiu e continuou, com aquela calma de quem já tinha visto disputas assim antes e não se impressionava com nenhuma delas.

— Além disso, ela tem laudos médicos que alegam que o senhor Augusto apresentava início de Alzheimer.

— Um caralho! — A palavra saiu antes que eu pudesse segurar. — Ele tinha a cabeça melhor que a minha!

— Bom, eles também vão ter que provar tudo o que estão alegando — Arthur disse.

Encarei a janela por um momento, tentando organizar o que estava na minha cabeça, e então me lembrei de algo que Leonora tinha deixado escapar durante o b**e-boca que se seguiu ao anúncio da impugnação, quando as vozes tinham subido de tom por alguns minutos antes do advogado pedir ordem.

— Ela disse que tem testemunha. Dentro da mansão.

Arthur deu de ombros.

— Deve ter comprado algum funcionário. Não vai funcionar.

— Espero que não — murmurei.

Mas por um instante me lembrei de como Leonora tinha chegado para me conhecer no dia do meu casamento, com a Claire ao lado. Não como duas antigas conhecidas. Como alguém que tinha a Claire exatamente onde queria — usando aquela suposta cordialidade como controle, guiando-a pelo braço com a naturalidade de quem sabe que a outra vai seguir sem questionar.

O doutor Cavalcanti se ajeitou no banco e chamou minha atenção de volta.

— O que precisamos fazer agora é manter a calma. Vocês dois precisam seguir a vida normalmente. Especialmente você, Zara.

— O que isso quer dizer?

Ele me olhou com aquela seriedade de quem vai dizer algo importante e quer ter certeza de que está sendo ouvido.

— Zara, escute com atenção. A partir de hoje, você não toca em um centavo dessa herança. Não compra carro, não aceita joia, não pede adiantamento, não se muda para nenhum imóvel do Augusto. Mesmo que seja seu. Principalmente se for seu.

— Devo sair da mansão? — Olhei desesperada para Arthur. — Pra onde eu vou?

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