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Quadros de um divórcio romance Capítulo 132

“A vida não pede permissão para começar.

Ela nasce mesmo quando o mundo ainda está em ruínas.

E, às vezes, é exatamente isso que a torna inevitável.”

O advogado pigarreou, a voz saindo mais baixa do que o habitual.

— Cássio… o que acabou de acontecer aqui?

Ele não respondeu. Apenas se recostou na cadeira, os olhos vazios, como alguém que já não tinha mais energia para lutar.

Riviera respirou fundo, fechou a porta com cuidado e avançou alguns passos.

Cássio desviou o olhar da passagem agora fechada.

— Fala — disse, seco.

Riviera hesitou por um segundo a mais do que o necessário.

— Helena… bem… recebemos a notificação oficial da ação referente às coleções.

— Nós já não esperávamos por isso? — Cássio respondeu, sem emoção.

— Não… quer dizer, sim. Mas...

— Anda — ele o interrompeu. — Arranca o curativo de uma vez. Não há nada que você possa dizer que possa deixar meu dia pior.

Riviera inspirou fundo.

— Eu já acessei o processo online. — Fez uma pausa curta, estratégica. — As provas apresentadas por ela são numerosas. Há pareceres de especialistas respeitados em diversas áreas, todos consultados durante o processo de criação e dispostos a depor como testemunhas. Há e-mails, registros de reuniões, trocas de mensagens… inclusive conversas diretas com o senhor, em que você cobra o andamento do trabalho.

Cássio fechou os olhos por um instante.

— A advogada dela não poupou esforços — continuou Riviera. — Enquanto isso, o que temos… — engoliu em seco — é basicamente a sua palavra.

O silêncio caiu pesado.

Cássio abriu os olhos devagar.

— Parece que menosprezei minha falta de sorte. Sempre tem como piorar.

— Há indícios fortes de apropriação indevida de autoria. — Riviera escolheu cada palavra. — Se o juiz entender que houve má-fé continuada, podemos estar falando não apenas de uma indenização astronômica… mas de sanções que atingem diretamente a empresa. A credibilidade. O direito de uso do próprio nome em novos projetos.

A cadeira rangeu quando Cássio se inclinou para frente, os cotovelos apoiados na mesa.

— Não é só isso… — Riviera disse, escolhendo as palavras com extremo cuidado.

Cássio soltou um riso amargo, sem humor algum.

— Nunca é, né? O que mais?

— Ela entrou com um pedido de revisão de bens.

Cássio ergueu a cabeça num sobressalto.

— Mas ela não pode fazer isso. — A voz saiu mais firme do que ele realmente se sentia. — Fomos casados em regime de separação total. Está tudo em meu nome.

Riviera assentiu, mas o gesto não trouxe alívio algum.

— Sim. Em tese. — Fez uma pausa curta. — Mas se um cônjuge comprovar que colaborou diretamente para os ganhos do outro, isso pode ser revisto judicialmente.

Cássio sentiu o estômago afundar.

— E nesse caso… — Riviera continuou — o próprio processo das coleções se torna peça-chave. Se o juiz reconhecer que a autoria é dela, isso automaticamente demonstra que parte substancial do patrimônio foi construída a partir do trabalho da Helena.

O corpo de Cássio perdeu a sustentação. A mente começou a refazer caminhos, cifras, imóveis, contratos, marcas — tudo agora sob uma luz diferente.

— Então… — murmurou, a voz quase inaudível — não é só dinheiro. Não é só imagem.

Riviera sustentou o olhar dele.

— É tudo. Inclusive a empresa.

Cássio fechou os olhos. Soltou um riso curto, sem humor.

— Então é isso. — Passou a mão pelo rosto. — Eu perdi a mulher, dinheiro… e agora vou perder tudo o que construí.

— Ainda temos uma opção — disse Riviera, com cautela. — Podemos tentar propor um acordo na audiência de mediação. Ou, se você concordar, tentar um acordo por fora. Se ela aceitar, pode desistir da ação, o que ao menos preservaria a imagem da empresa.

— O problema é que eu não tenho mais dinheiro suficiente pra negociar com ela. — Passou a mão pelos cabelos, o gesto nervoso. — Fui burro demais. Devia ter aceitado a proposta que ela fez naquele evento.

De repente, se perguntou se a visita dos ex-sogros naquele mesmo dia não havia sido proposital. O desespero começava a se enraizar no peito, sufocante.

Riviera hesitou.

— Na verdade… o valor referente ao processo das coleções não sairia do seu patrimônio pessoal.

Cássio ergueu o olhar.

— Como assim?

— As coleções foram registradas pelo CNPJ da empresa — explicou. — E a ação está sendo movida contra a pessoa jurídica, não contra você como pessoa física. Ou seja — completou Riviera — qualquer indenização, cessão de direitos ou restituição financeira sairia diretamente da empresa.

Cássio sentiu um frio percorrer-lhe a espinha.

— Então… — murmurou — se ela ganhar…

Riviera assentiu, grave.

— A empresa é quem paga.

A ficha começou a cair de verdade.

Inércia.

O lançamento.

Os investidores.

Tudo agora pendia por um fio.

Cássio se levantou devagar, caminhou até a janela e encarou a cidade novamente.

Riviera permaneceu em silêncio, esperando uma decisão do chefe.

Depois de um longo tempo em silêncio, ele finalmente falou:

— Veja com o financeiro quanto temos em ativos disponíveis em caixa. — A voz saiu baixa, quase sem cor. — Depois, entre em contato com a advogada dela e solicite uma reunião. Tente resolver isso o mais rápido possível.

— Sim, senhor. — respondeu Riviera prontamente, já se movendo para fora da sala.

Cássio permaneceu imóvel.

Capítulo 132 - Um pingo novo 1

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Capítulo 132 - Um pingo novo 3

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