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Quadros de um divórcio romance Capítulo 136

“Mesmo cercada de sombras, a vida encontra um jeito de crescer em direção à luz.”

Já deitados, Helena se aninhou contra o peito de Santiago. A mão desenhava círculos lentos sobre a barriga ainda lisa, como se tentasse assimilar aquela novidade.

— É surpreendente pensar que tem um serzinho crescendo aqui — murmurou.

Santiago beijou-lhe a testa, demorando um pouco mais do que o necessário.

— Uma pena não termos conseguido comemorar isso direito.

Helena suspirou, o ar saindo pesado.

— Será que tudo isso vai acabar algum dia?

— Vai, sim — respondeu ele, com a calma de quem precisa acreditar no que diz. — Não existe tempestade que dure para sempre.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, depois deixou escapar o que realmente a inquietava.

— Eu só não consigo entender… quem poderia querer me fazer mal assim? E por quê?

Santiago perdeu o olhar em algum ponto qualquer. Não fazia muito tempo que era parte da vida dela, mas já a conhecia o suficiente para saber: Helena não era alguém que provocasse ódio, muito menos a ponto de alguém desejar sua morte.

— A gente vai descobrir — disse por fim, também acariciando a barriga dela com cuidado. — E, se Deus quiser, tudo isso vai ficar para trás. Vamos criar esse feijãozinho livre, seguro… e feliz.

— Eu preciso contar para os meus pais — disse Helena, ainda com a mão sobre a barriga. — Eles vão surtar.

— Quando você pretende fazer isso? — perguntou Santiago.

— Já mandei mensagem pra minha mãe. Combinei com eles de virem tomar café amanhã. Preciso ser mais rápida do que a linguaruda da Lívia pelo menos nisso.

Santiago pensou por um instante.

— Você acha que eles podem ficar chateados? Quer dizer… um filho fora do casamento…

— Não — respondeu ela com segurança. — Eles sempre quiseram um netinho. E não é como se a gente fosse namorar pro resto da vida.

— Senhora Duarte… — ele disse, fingindo-se ofendido. — Mesmo depois que nos casarmos, você vai ser minha eterna namorada.

Helena riu.

— Bobo. Você entendeu o que eu quis dizer! — Depois ficou pensativa. — E seus pais? Eu nem cheguei a conhecê-los ainda… e ser apresentada já grávida… — a ansiedade escapou na voz.

— Não se preocupa — ele respondeu, tranquilo. — Eles vão amar você.

— Como você pode ter tanta certeza?

— Porque você me faz feliz — disse, simples, antes de roubar-lhe um beijo. — Que pais não amam alguém que faz o filho se sentir tão feliz quanto você me faz?

Ela ainda parecia um pouco insegura.

— Eles estão em Paris agora — continuou Santiago. — Foram para o Art Basel e acabaram ficando para outros eventos. A verdade é que desde que assumi os negócios, passam mais tempo viajando, sempre com a desculpa de descobrir novos artistas para a empresa. — Ele sorriu de lado. — Mas acho que agora eles vão ter um ótimo motivo para voltar.

Helena começou a sorrir, mas o gesto foi interrompido por um bocejo involuntário.

— Vamos dormir. Você precisa descansar. _ disse Santiago vendo o cansaço estampado no rosto dela.

Ela não resistiu. Apenas acomodou a cabeça no ombro dele e, em poucos instantes, o corpo relaxou por completo, rendido ao sono.

...

Na manhã seguinte, já sentados à mesa, Helena segurava um copo de suco enquanto observava os pais, que tomavam café com tranquilidade, alheios à tensão que crescia dentro dela.

Santiago, por outro lado, estava visivelmente nervoso. Quando Consuelo pediu que ele passasse a manteiga, esticou o braço rápido demais e acabou esbarrando na cesta de pão de queijo. As bolinhas douradas rolaram pela mesa — uma delas despencou no chão.

A expressão que ele fez foi, no mínimo, engraçada. Olhou sem jeito do pão de queijo caído para os sogros, como se tivesse cometido um crime grave.

— Está tudo bem com você? — perguntou Rogério, curioso com o comportamento estranho.

— Sim! Está… está sim. Aqui, coma mais um.

Empurrou a cesta na direção de Consuelo com um sorriso tenso, enquanto Helena mordia o lábio para não rir.

Ela segurou a mão dele por baixo da mesa. A palma estava levemente suada. Era curioso — e até encantador — vê-lo daquele jeito. Parecia o mesmo Santiago nervoso que, no alto do mirante da fazenda, confessara ter a protegido em segredo.

Helena lançou-lhe um olhar demorado, carregado de admiração e ternura.

Os pais finalmente percebendo que estava acontecendo alguma coisa, trocaram um olhar entre si.

— Por que vocês dois estão tão estranhos hoje? — perguntou Consuelo, desconfiada.

Helena respirou fundo, apertou a mão de Santiago e ergueu o olhar.

— Pai… mãe… temos uma coisa pra contar pra vocês.

Rogério pousou a xícara com cuidado sobre o pires. Consuelo inclinou levemente a cabeça, atenta.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntou a mãe, já num tom mais sério.

— Eu estou grávida. — Ela confessou sem anestesia.

Por um instante, ninguém reagiu.

— Qualquer coisa, qualquer hora, você liga.

Ao entrarem no carro, não precisaram discutir o próximo passo. Já tinham um destino certo.

Mais do que nunca, precisavam estar perto da filha.

...

Observando pela janela do sobrado ao lado, Pedro percebeu o momento em que Helena e Santiago saíram e apressou-se em descer.

Deixou Santiago na galeria e seguiu com Helena para a Orsini Design.

Antes de ir para o setor de criação, ela passou pelo marketing para checar se a equipe precisava de mais alguma coisa. A produtora contratada para a campanha estava ali, trabalhando junto aos funcionários da empresa, ajustando os últimos takes, revisando enquadramentos, luz e pequenos detalhes que fariam diferença no resultado final.

Helena cumprimentou a todos com um sorriso tranquilo, observando o movimento com o olhar atento de quem conhecia cada etapa daquele processo. Ainda havia tensão no ar, aquela sensação típica de véspera, quando tudo já está pronto e, ao mesmo tempo, nada parece totalmente concluído.

— Helena! — a produtora a chamou assim que a viu se aproximar. — Que bom que você veio. Estávamos justamente revisando os últimos takes.

— Imagino — Helena sorriu, olhando ao redor. — Como estamos?

— Tecnicamente, tudo fechado — respondeu ela, passando o tablet para ela. — A luz está linda, o material está forte… você poderia facilmente ser uma atriz.

Helena riu da possibilidade.

— Não. Isso não é pra mim.

A produtora se aproximou, sussurrando como se compartilhasse um segredo.

— Se um dia mudar de ideia, não hesite em me procurar.

Houve assistiu ao vídeo quase concluído.

— Então fechamos assim? — perguntou a produtora.

— Fechamos — respondeu Helena, firme. — Confio em você.

— Perfeito. — A produtora fez uma anotação rápida. — Te aviso assim que exportarmos a versão final.

— Estarei por aqui.

Quando Helena se afastou, a produtora a acompanhou com o olhar por um segundo a mais, antes de comentar em voz baixa para um dos assistentes:

— É raro trabalhar com alguém fácil assim, que sabe exatamente o que quer…

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