“O amor começa assim: um contorno tímido… e um coração disposto a preencher.”
Depois que todos se despediram, Santiago depositou um beijo demorado na testa de Helena e seguiu para o banho, enquanto ela recolhia as últimas coisas na cozinha. Quando terminou e foi para o quarto, encontrou-o apenas com a toalha enrolada na cintura, o cabelo ainda úmido, falando ao telefone em voz baixa.
— Combinado, então. Também amo vocês — disse ele, antes de encerrar a ligação.
Helena o envolveu por trás, abraçando-o pela cintura.
— Posso saber o que o senhor Villar anda aprontando? — provocou, com um sorriso na voz.
Ele girou o corpo, ficando de frente para ela.
— Nada demais — riu. — Estava só falando com meus pais.
— Você sente muita falta deles, não é? — perguntou, suave.
Santiago assentiu, o olhar brevemente distante.
— Sinto. Mas acho que não vai demorar para eles sossegarem.
Ela apoiou a cabeça em seu peito, sentindo o calor que ainda vinha do banho.
— Que tal passarmos o fim de semana na fazenda? — sugeriu. — Acho que merecemos um descanso.
— Eu ia achar ótimo.
— Que bom que aceitou — completou ele, divertido — porque eu já tinha avisado a vovó.
Helena riu, tentando fingir indignação.
— Você realmente não tem jeito.
— Tenho sim — respondeu, aproximando-se mais. — Mas só você pode dar.
Ele afundou o rosto no pescoço dela, arrancando-lhe um arrepio.
— O senhor Villar quer que eu dê um jeito nele? — murmurou. — Pensei que já tivesse feito isso ontem.
— Por mim — respondeu ele, sorrindo contra a pele dela — você pode me dar um jeito todos os dias.
...
Na manhã de sábado, Helena despertou envolvida pelo aroma de capim-limão, chá-verde e sândalo que parecia brotar da pele dele. Ergueu o rosto com cuidado, observando Santiago ainda adormecido ao seu lado. Levou a mão até o rosto dele, desenhando-lhe os contornos com a ponta dos dedos, devagar, como se quisesse memorizar cada detalhe.
“A vida pode ser realmente boa quando encontramos a pessoa certa”, pensou, tomada por um afeto calmo e profundo.
De repente, a mão dele fechou-se sobre a sua.
Ela levou um pequeno susto ao perceber que Santiago estava acordado, os olhos pousados nela com doçura.
— Por que acordou tão cedo, meu amor? — perguntou ele, a voz ainda baixa, carregada de carinho.
— Nem está tão cedo assim… — respondeu, sorrindo. — E nós não vamos para a casa da vovó?
— Vamos, sim. Mas mais tarde. — Ele passou a mão pelos cabelos dela. — Descansa mais um pouco.
— Não é nada mal ficar assim mais um tempo com você — murmurou, acomodando-se melhor em seu peito.
Ficaram assim por mais de meia hora, entre silêncios confortáveis e respirações compartilhadas, até que o celular de Santiago vibrou sobre o criado-mudo.
Ele o pegou rápido, franzindo levemente o cenho ao ver o visor.
— É coisa da galeria — disse, antes de se levantar. — Já volto.
Santiago saiu do quarto para atender, deixando Helena sozinha entre os lençóis, ainda envolta no perfume dele.
Depois que ele saiu do quarto, Helena acabou cedendo a outro cochilo. Só despertou algum tempo depois, com Santiago ao lado da cama, segurando uma bandeja de café da manhã. Havia croissants ainda quentes, suco de laranja, morangos frescos e um pequeno buquê de margaridas recém-colhidas do jardim.
— Vamos, dorminhoca… hora de acordar.
Ela piscou algumas vezes antes de se sentar na cama, os olhos ainda sonolentos, mas já sorrindo.
— O que é isso? — perguntou, encantada.
— Apenas um homem apaixonado mimando a mulher que ama — respondeu, acomodando a bandeja sobre as pernas dela.
— Eu tenho mesmo muita sorte — disse, erguendo o rosto em um pedido silencioso de beijo.
Santiago atendeu com um selinho demorado e se sentou ao lado dela em seguida.
— Come — pediu, levando um morango até a boca dela.
Helena mordeu a fruta e retribuiu, fazendo-o dar uma mordida em um dos croissants.
— Você também precisa comer… — provocou. — Como acha que vai ter fôlego para correr atrás do nosso guri?

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