“O amor imaturo diz: te amo porque preciso de ti. O amor maduro diz: preciso de ti, porque te amo.”
Olívia surgiu à porta com um sorriso largo no rosto, os cabelos brancos, curtos, refletindo o brilho quente das luzes penduradas. Vestia um traje mais sóbrio do que o florido com o qual Helena a conhecera — parecia pronta para a missa de domingo, elegante na simplicidade.
— Minhas crianças… — cumprimentou-os, afetuosa, já abrindo os braços. — Que bom que vieram.
Helena foi a primeira a se deixar envolver pelo abraço apertado, retribuindo com a mesma ternura. O carinho se prolongou um pouco mais do que o esperado, até que Santiago pigarreou atrás dela, fingindo impaciência.
— Não seja tão ciumento — repreendeu a avó, divertida, estendendo os braços também para ele.
Santiago sorriu ao abraçá-la, rendido.
— Fizeram boa viagem? — perguntou Olívia, segurando as mãos de Helena entre as suas.
— Fizemos, sim — respondeu ela, ainda absorvendo o cenário ao redor. — Mas… por que a casa está toda decorada assim?
— Ah, isso? — a senhora minimizou com um gesto leve. — Isso não é nada. Você precisa ver a varanda dos fundos. — E, sem esperar resposta, já começou a puxá-la pela mão.
— Espera… — Helena tentou frear, rindo. — Deixamos as sacolas no carro.
Santiago pousou a mão em suas costas, num gesto suave, incentivando-a a seguir.
— A gente pega depois.
— Vamos, vamos… — disse a senhora, andando rápido demais para as pernas curtas.
À medida que atravessavam o longo corredor da casa, Helena já conseguia ver a iluminação se intensificando à frente, denunciando a proximidade da grande varanda.
Antes que alcançasse a porta, Santiago tomou-lhe a mão, fazendo-a parar.
Olívia se virou. Primeiro olhou para as mãos entrelaçadas dos dois, depois para o neto. Um sorriso largo se abriu em seu rosto, e ela assentiu, compreensiva e visivelmente feliz.
Deu dois tapinhas suaves na mão de Helena, que ainda segurava, e seguiu adiante sozinha, oferecendo-lhes espaço.
— O que está acontecendo? — Helena perguntou, a testa franzida, o coração acelerando sem saber por quê.
Santiago respondeu com um selinho rápido, quase travesso.
— Bobinha…
E, sem dar mais explicações, puxou-a consigo, atravessando a porta à frente deles.
Assim que pisaram no chão de pedra, Helena levou um susto com a explosão suave de confetes brancos que caíram sobre eles, acompanhados por uma enxurrada de vozes alegres, risadas e aplausos.
Por um instante, ela ficou completamente imóvel.
Piscou algumas vezes, tentando entender o que via.
Só então percebeu o espaço aberto cuidadosamente preparado, iluminado por dezenas de lanternas suspensas no alto, lançando uma luz quente e acolhedora. Tecidos brancos desciam entre as colunas como cortinas leves, ondulando com a brisa, enquanto flores brancas se espalhavam por todos os cantos — nas mesas, nos arranjos, nos sorrisos.
E ali estavam eles.
Todos.
Helena sentiu o peito apertar e as lágrimas correrem sem barreiras.
— Eu não quero prometer um caminho sem tropeços — continuou. — Quero prometer presença. Escolha diária. Quero estar quando você estiver forte… e, principalmente, quando não estiver. Quero ser casa pra você, do jeito que você é casa pra mim.
A música seguia ao fundo, quase como um sussurro cúmplice.
— Helena… — ele disse o nome dela com um cuidado quase reverente. — Você aceita caminhar comigo? Aceita ser minha esposa?
Por um segundo, o mundo pareceu encolher. As vozes ao redor desapareceram. As luzes, as flores, as pessoas… tudo virou pano de fundo.
Ela levou a mão ao ventre por reflexo, sentindo o corpo inteiro tremer — não de medo, mas de plenitude. Pensou em tudo que perdera para chegar ali. Em tudo que doera. Em tudo que, finalmente, fazia sentido.
“É isso”, pensou.
“É assim que o amor deve ser.”
Helena riu entre o choro, balançando a cabeça como quem ainda tenta acreditar na própria sorte.
— Eu aceito — disse, a voz embargada, mas firme. — Aceito todos os dias.
Santiago se levantou no mesmo instante, envolvendo-a com cuidado, como se ela fosse feita de algo precioso demais para apertar. Quando ele a beijou, foi um beijo lento, inteiro — daqueles que não selam apenas uma promessa, mas um recomeço.
E, ao fundo, a música seguiu cantando baixinho, como se soubesse:
“Tu é trevo de quatro folhas…”

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