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Quadros de um divórcio romance Capítulo 155

“Há quem celebre o começo enquanto outros aprendem a continuar.”

Quando Santiago se afastou um pouco, Helena levou a mão ao peito, tentando conter o choro que transbordava. As mãos dele tremiam levemente enquanto encaixava a aliança em seu dedo — um gesto solene, quase sagrado, como se selasse algo eterno.

Ela pegou a outra aliança com cuidado e repetiu o gesto, os olhos presos aos dele. Quando o ouro finalmente deslizou pelo dedo de Santiago, ela sorriu entre lágrimas.

— Eu te amo… tanto — confessou, com a voz embargada.

Ele segurou o rosto dela com carinho, os polegares secando-lhe as lágrimas.

— Eu também te amo.

Os aplausos vieram em cascata, quentes, cheios.

Consuelo foi a primeira a romper o círculo. Enxugava o rosto, mas não conseguia conter o sorriso enquanto envolvia a filha num abraço apertado.

— Você merece tudo isso, minha filha — disse, emocionada, como se cada palavra viesse do fundo do peito.

Rogério aproximou-se logo depois, pigarreando para disfarçar os olhos marejados. Abraçou Santiago com firmeza — um abraço que dizia, sem palavras, “agora você é da família”.

— Cuide bem da minha menina — pediu, a voz grave carregada de orgulho.

Santiago respondeu sem hesitar, olhando Helena com ternura.

— Não precisa nem pedir.

Helena sentiu o coração aquecer de um jeito novo, pleno. Com a certeza tranquila de que aquele momento não era apenas um pedido aceito — era o início de uma vida inteira sendo escolhida, dia após dia.

Lívia surgiu quase pulando, rindo e chorando ao mesmo tempo, incapaz de conter a própria emoção.

— Eu estou tão feliz por você! — exclamou, abraçando Helena com força. — Eu quero ser madrinha!

— Com certeza — respondeu Helena, sem hesitar, sorrindo entre lágrimas.

A poucos passos dali, Pedro observava em silêncio, fiel à sua discrição habitual, mas com um sorriso aberto no rosto. Quando Helena se aproximou, ele apenas inclinou levemente a cabeça, em respeito.

— Parabéns — disse em tom baixo. — Vocês formam um belo casal.

Ela quebrou a formalidade no mesmo instante, envolvendo-o num abraço inesperado. Pedro, visivelmente sem jeito, retribuiu com tapinhas cuidadosos nas costas dela.

Marcelo, bem mais expansivo, abriu os braços assim que Helena se afastou de Pedro.

— Eu sabia que isso ia acabar em casamento — brincou, arrancando risadas gerais.

Ricci e Aurora vieram em seguida, com palavras calorosas, abraços demorados e desejos sinceros de felicidade, daqueles que ficam gravados.

Quando Helena se virou, Santiago se aproximava ao lado da própria família, sorrindo com orgulho.

— Amor, deixa eu te apresentar… — disse ele. — Esses são meus pais, Maitê e Hugo Villar. E esse é meu tio, Olavo Villar.

— É um prazer conhecer vocês — disse Helena, com respeito e doçura.

Maitê foi a primeira a se aproximar. Segurou o rosto de Helena com delicadeza, os olhos marejados.

— Ah, nada de formalidades — disse, sorrindo. — Você já é nossa filha também. Nós te amávamos antes mesmo de te conhecer… por fazê-lo tão feliz.

— Sem contar que somos amigos de longa data — completou Consuelo, radiante, aproximando-se do grupo.

Antes que o momento se acomodasse, Olívia irrompeu eufórica, dando leves tapinhas nos braços do neto.

— Eu sabia que você não ia deixá-la escapar de novo! — disse, divertida. — E confesso que fico aliviada por você não ter perdido tempo.

Ela voltou-se para Helena e a envolveu num abraço cheio de ternura.

— Esse meu menino te ama há muito tempo. Seja boa pra ele… e eu garanto que ele será bom pra você.

— Pode deixar, vovó — respondeu Helena, emocionada.

Hugo foi o próximo a abraçá-la, firme e acolhedor.

— Seja bem-vinda à família. Conhecendo seus pais, eu sei que você só pode ser uma mulher extraordinária.

Rogério assentiu, feliz, para o amigo, trocando um olhar silencioso de cumplicidade.

Depois que Olavo também ofereceu suas felicitações, com palavras elegantes e um sorriso orgulhoso, parecia que todos os abraços possíveis já haviam sido dados.

Mas Olívia, ainda tomada pela empolgação, não se deu por satisfeita.

— Agora eu só quero saber uma coisa — anunciou, com autoridade e brilho nos olhos. — Quando é que eu vou ter meus bisnetinhos? Eu não estou ficando mais nova, então nada de demorarem.

Helena e Santiago trocaram um olhar cúmplice, sorrisos denunciando o segredo já compartilhado por alguns.

Santiago passou um braço pelos ombros de Helena e pousou a outra mão, com cuidado e carinho, sobre o ventre dela.

— Sobre isso, vovó… — disse, com um sorriso contido. — O primeiro já está a caminho.

— É assim que se fala. — Pegou o celular. — Vou pedir ao seu motorista para trazer um terno.

Já a caminho do Studio Cassiani, Renato parecia animado no banco ao lado, o tablet apoiado nas mãos.

— Tenho uma notícia que talvez te anime — disse, deslizando os dedos pela tela. — A Haus Decor Show, aquela que acontece todo ano no São Paulo Expo, está chegando. Como não fizemos uma festa de lançamento, pode ser a oportunidade perfeita para apresentar a coleção a mais pessoas importantes.

Cássio virou-se na hora, o interesse despertando.

— Mas tão em cima assim… será que ainda existe espaço para montarmos um estande?

— Posso conferir agora mesmo — respondeu Renato, já acessando as informações.

— Se ainda houver vaga — Cássio disse, pensativo — vai ser uma vitrine excelente pra Inércia.

Assim que chegaram à empresa, o telefone de Renato tocou. Ele diminuiu o passo automaticamente, atendendo enquanto caminhavam em direção à diretoria. Cássio acompanhava cada palavra com atenção, lendo as expressões do amigo como quem espera um veredicto.

Do outro lado da linha, a confirmação veio rápida: uma desistência de última hora. O espaço não era grande, mas estaria disponível se eles quisessem assumir.

Quando Renato desligou, já estavam dentro da sala.

— E então? — perguntou Cássio, contido, quase sem piscar.

Renato fez questão de prolongar o silêncio por alguns segundos, o canto da boca se erguendo devagar.

— Conseguimos.

— Isso! — Cássio comemorou, levantando-se de um salto para trocar um high five com o amigo, a primeira explosão genuína de entusiasmo em dias.

— Só não se empolga demais — ponderou Renato. — O estande não é grande. Vamos ter que pensar bem na disposição, ser estratégicos.

— Espaço pequeno nunca foi problema quando o conceito é forte — respondeu Cássio, já em modo executivo. — Quanto tempo temos?

— Onze dias. — Renato fez uma breve pausa, escolhendo as palavras. — E tem mais uma coisa… a Orsini Design também vai participar.

O sorriso de Cássio não desapareceu, mas se ajustou. Mais contido. Mais duro.

— Claro que vai — murmurou, assentindo devagar. — Então não é só uma vitrine. É um campo de comparação.

Ele respirou fundo, sentindo a velha tensão se misturar a algo novo — um fio de desafio.

— Ótimo — concluiu, finalmente. — Então vamos fazer com que cada metro quadrado conte.

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