“Há quem celebre o começo enquanto outros aprendem a continuar.”
Quando Santiago se afastou um pouco, Helena levou a mão ao peito, tentando conter o choro que transbordava. As mãos dele tremiam levemente enquanto encaixava a aliança em seu dedo — um gesto solene, quase sagrado, como se selasse algo eterno.
Ela pegou a outra aliança com cuidado e repetiu o gesto, os olhos presos aos dele. Quando o ouro finalmente deslizou pelo dedo de Santiago, ela sorriu entre lágrimas.
— Eu te amo… tanto — confessou, com a voz embargada.
Ele segurou o rosto dela com carinho, os polegares secando-lhe as lágrimas.
— Eu também te amo.
Os aplausos vieram em cascata, quentes, cheios.
Consuelo foi a primeira a romper o círculo. Enxugava o rosto, mas não conseguia conter o sorriso enquanto envolvia a filha num abraço apertado.
— Você merece tudo isso, minha filha — disse, emocionada, como se cada palavra viesse do fundo do peito.
Rogério aproximou-se logo depois, pigarreando para disfarçar os olhos marejados. Abraçou Santiago com firmeza — um abraço que dizia, sem palavras, “agora você é da família”.
— Cuide bem da minha menina — pediu, a voz grave carregada de orgulho.
Santiago respondeu sem hesitar, olhando Helena com ternura.
— Não precisa nem pedir.
Helena sentiu o coração aquecer de um jeito novo, pleno. Com a certeza tranquila de que aquele momento não era apenas um pedido aceito — era o início de uma vida inteira sendo escolhida, dia após dia.
Lívia surgiu quase pulando, rindo e chorando ao mesmo tempo, incapaz de conter a própria emoção.
— Eu estou tão feliz por você! — exclamou, abraçando Helena com força. — Eu quero ser madrinha!
— Com certeza — respondeu Helena, sem hesitar, sorrindo entre lágrimas.
A poucos passos dali, Pedro observava em silêncio, fiel à sua discrição habitual, mas com um sorriso aberto no rosto. Quando Helena se aproximou, ele apenas inclinou levemente a cabeça, em respeito.
— Parabéns — disse em tom baixo. — Vocês formam um belo casal.
Ela quebrou a formalidade no mesmo instante, envolvendo-o num abraço inesperado. Pedro, visivelmente sem jeito, retribuiu com tapinhas cuidadosos nas costas dela.
Marcelo, bem mais expansivo, abriu os braços assim que Helena se afastou de Pedro.
— Eu sabia que isso ia acabar em casamento — brincou, arrancando risadas gerais.
Ricci e Aurora vieram em seguida, com palavras calorosas, abraços demorados e desejos sinceros de felicidade, daqueles que ficam gravados.
Quando Helena se virou, Santiago se aproximava ao lado da própria família, sorrindo com orgulho.
— Amor, deixa eu te apresentar… — disse ele. — Esses são meus pais, Maitê e Hugo Villar. E esse é meu tio, Olavo Villar.
— É um prazer conhecer vocês — disse Helena, com respeito e doçura.
Maitê foi a primeira a se aproximar. Segurou o rosto de Helena com delicadeza, os olhos marejados.
— Ah, nada de formalidades — disse, sorrindo. — Você já é nossa filha também. Nós te amávamos antes mesmo de te conhecer… por fazê-lo tão feliz.
— Sem contar que somos amigos de longa data — completou Consuelo, radiante, aproximando-se do grupo.
Antes que o momento se acomodasse, Olívia irrompeu eufórica, dando leves tapinhas nos braços do neto.
— Eu sabia que você não ia deixá-la escapar de novo! — disse, divertida. — E confesso que fico aliviada por você não ter perdido tempo.
Ela voltou-se para Helena e a envolveu num abraço cheio de ternura.
— Esse meu menino te ama há muito tempo. Seja boa pra ele… e eu garanto que ele será bom pra você.
— Pode deixar, vovó — respondeu Helena, emocionada.
Hugo foi o próximo a abraçá-la, firme e acolhedor.
— Seja bem-vinda à família. Conhecendo seus pais, eu sei que você só pode ser uma mulher extraordinária.
Rogério assentiu, feliz, para o amigo, trocando um olhar silencioso de cumplicidade.
Depois que Olavo também ofereceu suas felicitações, com palavras elegantes e um sorriso orgulhoso, parecia que todos os abraços possíveis já haviam sido dados.
Mas Olívia, ainda tomada pela empolgação, não se deu por satisfeita.
— Agora eu só quero saber uma coisa — anunciou, com autoridade e brilho nos olhos. — Quando é que eu vou ter meus bisnetinhos? Eu não estou ficando mais nova, então nada de demorarem.
Helena e Santiago trocaram um olhar cúmplice, sorrisos denunciando o segredo já compartilhado por alguns.
Santiago passou um braço pelos ombros de Helena e pousou a outra mão, com cuidado e carinho, sobre o ventre dela.
— Sobre isso, vovó… — disse, com um sorriso contido. — O primeiro já está a caminho.
— É assim que se fala. — Pegou o celular. — Vou pedir ao seu motorista para trazer um terno.
Já a caminho do Studio Cassiani, Renato parecia animado no banco ao lado, o tablet apoiado nas mãos.
— Tenho uma notícia que talvez te anime — disse, deslizando os dedos pela tela. — A Haus Decor Show, aquela que acontece todo ano no São Paulo Expo, está chegando. Como não fizemos uma festa de lançamento, pode ser a oportunidade perfeita para apresentar a coleção a mais pessoas importantes.
Cássio virou-se na hora, o interesse despertando.
— Mas tão em cima assim… será que ainda existe espaço para montarmos um estande?
— Posso conferir agora mesmo — respondeu Renato, já acessando as informações.
— Se ainda houver vaga — Cássio disse, pensativo — vai ser uma vitrine excelente pra Inércia.
Assim que chegaram à empresa, o telefone de Renato tocou. Ele diminuiu o passo automaticamente, atendendo enquanto caminhavam em direção à diretoria. Cássio acompanhava cada palavra com atenção, lendo as expressões do amigo como quem espera um veredicto.
Do outro lado da linha, a confirmação veio rápida: uma desistência de última hora. O espaço não era grande, mas estaria disponível se eles quisessem assumir.
Quando Renato desligou, já estavam dentro da sala.
— E então? — perguntou Cássio, contido, quase sem piscar.
Renato fez questão de prolongar o silêncio por alguns segundos, o canto da boca se erguendo devagar.
— Conseguimos.
— Isso! — Cássio comemorou, levantando-se de um salto para trocar um high five com o amigo, a primeira explosão genuína de entusiasmo em dias.
— Só não se empolga demais — ponderou Renato. — O estande não é grande. Vamos ter que pensar bem na disposição, ser estratégicos.
— Espaço pequeno nunca foi problema quando o conceito é forte — respondeu Cássio, já em modo executivo. — Quanto tempo temos?
— Onze dias. — Renato fez uma breve pausa, escolhendo as palavras. — E tem mais uma coisa… a Orsini Design também vai participar.
O sorriso de Cássio não desapareceu, mas se ajustou. Mais contido. Mais duro.
— Claro que vai — murmurou, assentindo devagar. — Então não é só uma vitrine. É um campo de comparação.
Ele respirou fundo, sentindo a velha tensão se misturar a algo novo — um fio de desafio.
— Ótimo — concluiu, finalmente. — Então vamos fazer com que cada metro quadrado conte.

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