Entrar Via

Quadros de um divórcio romance Capítulo 165

“Há prazos que fazem nascer obras. E prazos que fazem ruir impérios. No fim, não é o talento nem o poder que decide, é quem aguenta o peso da contagem regressiva.”

Quando Santiago retornou do sobrado, Helena e Pedro acabavam de concluir o treino. O corpo dela ainda pulsava com o esforço, a respiração um pouco acelerada.

Santiago se aproximou, pronto para abraçá-la, mas Helena ergueu as duas mãos, interrompendo-o.

— Não… eu estou toda suada.

Ele segurou os braços dela com firmeza, um de cada lado do corpo.

— Eu não me importo — respondeu com um sorriso fácil. — Também estou.

Helena percorreu o peito nu dele com um olhar claramente aprovador, observando o brilho da umidade sobre a pele.

Pedro pigarreou, percebendo a proximidade crescente.

— Melhor eu sair antes que isso vire uma sessão imprópria para menores — comentou, já se dirigindo à porta. Parou por um instante e acrescentou: — Mas não se esqueçam de que já está quase na hora de sairmos.

Helena soltou um suspiro resignado.

— Ele tem razão. É melhor a gente tomar um banho antes de ir para o trabalho.

Santiago sorriu, aproximando-se um pouco mais.

— Vamos — disse, num tom baixo. — Eu te ajudo.

...

Helena chegou à empresa acompanhada por Pedro, vestido com seu terno discreto de segurança. Assim que entrou no setor, foi informada de que Orsini desejava falar com ela.

Seguiu até a diretoria e bateu de leve na porta.

— Pode entrar — instruiu ele, do lado de dentro.

— Senhor Orsini, bom dia. Gostaria de falar comigo?

— Helena! Sim, entre, por favor.

Ele fez um gesto para que ela se sentasse assim que se aproximou. Helena aceitou, sentindo o coração acelerar levemente.

— Antes de qualquer coisa, quero parabenizá-la pelo noivado — disse ele, com um sorriso sincero. — Lorenzo Ricci me contou. Santiago parece ser um homem íntegro e respeitável.

— É sim, muito obrigada — respondeu Helena, sorrindo de verdade. — Espero que o senhor possa comparecer ao nosso casamento.

— Será uma honra — assentiu. — Quanto ao lançamento… como eu previa, foi um sucesso. Especialmente no exterior. Em apenas três dias, a coleção já ultrapassou o volume de pedidos das nossas linhas anteriores.

Helena arregalou levemente os olhos.

— Isso é… incrível!

— O seu trabalho é incrível, Helena — corrigiu Orsini com naturalidade. — E resolvi aproveitar o impacto desse lançamento para algo maior. Quero levar a coleção Prisma para a Haus Decor Show.

— Sério? — ela levou a mão ao peito, surpresa. Participar de uma das maiores feiras de decoração do país jamais lhe parecera tão próxima. — Nossa… eu nem sei o que dizer.

— Não precisa dizer nada — respondeu ele. — Só preciso que me ajude um pouco mais.

— Claro! No que eu puder — garantiu, pronta.

— Pensei em expandir a coleção com peças menores e mais decorativas — explicou Orsini. — Luminárias, objetos de parede, talvez padrões inspirados na Prisma para tapetes. Elementos que componham ambientes completos e que também possamos usar no estande da feira.

A mente de Helena já fervilhava. Cores, texturas, volumes, possibilidades.

— Claro! Com o maior prazer.

— Fico feliz que tenha aceitado — disse ele. — Vou deixar tudo sob sua responsabilidade. Só há um detalhe…

Ela endireitou a postura.

— Qual?

— O prazo é curto.

— Quanto tempo?

— Nove dias.

Houve um segundo de silêncio.

Se fosse tempos atrás, quando trabalhava sozinha, aquilo seria impensável. Mas agora havia uma equipe, estrutura, apoio — e uma confiança que ela não tinha antes.

Helena respirou fundo, sentindo-se inteira no próprio lugar.

— Isso não será um problema.

Orsini sorriu, satisfeito.

Helena retornou ao seu setor com alguns documentos em mãos — a planta do estande, anotações rabiscadas às pressas, contatos dos responsáveis pela feira. O semblante trazia uma mistura difícil de esconder: foco absoluto e empolgação contida.

Ela parou no centro da sala e chamou a atenção da equipe.

— Tenho uma novidade para vocês.

As conversas cessaram aos poucos. Cadeiras se viraram. Olhares curiosos se ergueram.

Helena respirou fundo antes de continuar.

— Exibiremos a coleção Prisma na Haus Decor Show.

Houve um segundo de silêncio — seguido por uma explosão de reações.

— Sério?!

— A feira nacional?

— Aquela da expo São Paulo?

Helena assentiu, sorrindo.

— Essa mesma. E não é só isso — acrescentou, erguendo os papéis. — Vamos expandir a coleção. Luminárias, peças decorativas para compor o ambiente.

Ela distribuiu as plantas sobre a mesa central.

— O prazo é curto: nove dias. Mas tenho certeza que daremos conta juntos.

Um brilho coletivo tomou conta do ambiente. Alguém já puxava um caderno, outro abria o computador, outro apontava detalhes na planta do estande.

Helena observou a movimentação com um nó bom no peito de realização.

Era bom demais não se sentir mais sozinha.

...

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quadros de um divórcio