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Quadros de um divórcio romance Capítulo 179

Cássio deu um passo para trás, como se o chão tivesse cedido sob seus pés. O olhar foi, quase por reflexo, até a irmã — um emaranhado confuso de sentimentos atravessando-lhe o rosto.

— Não, Cássio… — Viviane implorou, a voz quebrada, o choro desordenado. — Você precisa acreditar em mim. Eu não o droguei. Eu juro. Eu não fiz isso.

O coração dele se apertou. Nunca foram muito próximos, mas ela ainda era sua irmã mais nova. Mimada, cruel muitas vezes — sim —, mas capaz de algo assim? A ideia parecia grande demais para caber nele.

— Isso não prova nada — disse por fim, erguendo o queixo, como quem se agarra à última defesa possível. Voltou-se para Helena, o olhar agora duro, defensivo. — Quem garante que ele não foi drogado por outra pessoa? Ou até que não tenha feito isso sozinho?

Pedro soltou uma risada curta, sem humor.

— Claro — rebateu, seco. — E ela montada em cima dele, naquele estado, é só uma coincidência infeliz.

Cássio respirou fundo, tentando manter algum controle.

— Todo mundo é inocente até que se prove o contrário — insistiu. — Não é isso que dizem?

A porta se abriu naquele exato momento.

Outro policial entrou, a expressão séria, objetiva.

— Trouxe as gravações — anunciou, erguendo um pendrive entre os dedos.

Viviane arregalou os olhos.

O pânico atravessou seu rosto sem pedir licença. Aquilo era o fim da linha. As imagens não teriam piedade. Seu nome, sua imagem, sua vida cuidadosamente construída… tudo prestes a ser lançado na lama.

Ela buscou o irmão com o olhar, desesperada.

Cássio percebeu. Viu o medo cru, incontido, e sentiu sua convicção vacilar como vidro fino sob pressão.

O gerente do hotel se adiantou, solícito:

— Podem usar meu notebook, se quiserem.

O policial assentiu, sentou-se e conectou o pendrive à lateral do aparelho. O clique seco do USB pareceu alto demais naquele silêncio pesado.

Helena observava tudo com uma calma quase perturbadora. Nenhuma pressa. Nenhum tremor. Apenas certeza.

— Vamos ver — disse, a voz firme — essa inocência toda em que você tanto acredita.

O policial que operava o computador fez um breve gesto para o tenente.

— Esta é a filmagem do corredor onde ficam os banheiros.

O superior assentiu e clicou em play.

A imagem surgiu estável, silenciosa. Por alguns segundos, o corredor permanecia vazio. Então, Santiago apareceu no enquadramento, caminhando de forma irregular, como se estivesse sentindo alguma dor. Afrouxava o nó da gravata com dedos trêmulos; a pele exposta do pescoço estava vermelha demais. Havia algo errado ali — visível até para um leigo.

Ele cambaleou e desapareceu pela entrada que dava acesso aos banheiros.

Viviane manteve os olhos cravados na tela, tensa, o maxilar rígido, sabendo exatamente o que viria a seguir.

Algum tempo depois, ela surgiu no vídeo. Parou na entrada do corredor, olhou para os lados com cuidado calculado, como quem confere se está sendo observada. Um sorrisinho breve — rápido demais, confiante demais — cruzou seu rosto antes que ela avançasse corredor adentro, desaparecendo também em direção aos banheiros.

O tempo passou na gravação. Longos minutos, silenciosos e opressores.

Então eles reapareceram.

Mas agora Santiago mal conseguia se sustentar. O corpo alto parecia pesado demais para as próprias pernas. Viviane o amparava, um braço firme demais em torno dele. Antes de seguir, ela voltou a olhar ao redor — novamente aquele gesto — e então o conduziu até o elevador.

As portas se fecharam.

O vídeo terminou.

O silêncio na sala foi absoluto.

Cássio desviou os olhos da tela lentamente, como se precisasse de esforço físico para fazê-lo. Encarou a irmã, o rosto esvaziado de qualquer defesa.

— Você… — a palavra morreu antes de se completar.

— Eu só estava ajudando — Viviane disse entre soluços, a voz fina, frágil demais para a cena que acabara de ser exibida. — Ele não estava bem… eu só…

— Agora — interrompeu o policial, com a mesma calma técnica — vamos ao vídeo do elevador.

Seus dedos já navegavam pelos arquivos. O cursor piscou.

Viviane empalideceu de vez.

A imagem seguinte surgiu na tela.

Viviane entrou no elevador sustentando Santiago pelo tronco, apoiando-o contra a parede espelhada. Precisou afastar o corpo apenas o suficiente para esticar o braço e apertar o botão do andar. Nesse instante, ele a puxou, os braços se fechando em volta dela.

— Está vendo? — Viviane explodiu, a voz aguda cortando o ar. — Isso prova que ele queria!

Sua interferência não foi casual, ela queria apenas evitar que eles ouvissem demais.

— Silêncio. — A ordem do sargento veio seca, sem elevar o tom. Em seguida, voltou-se ao policial. — Volte alguns segundos.

— Não! Pra quê? — Viviane insistiu, desesperada. — Está nítido que foi consentido!

O sargento a encarou, implacável.

— Se continuar interferindo, eu a enquadro também por desobediência.

Viviane se calou. Percebendo que não havia mais margem para encenação.

O vídeo retrocedeu alguns instantes.

Dessa vez, após Santiago puxá-la, o áudio captou algo que passara despercebido pelo barulho dela. Um sussurro arrastado, fraco, mas audível no silêncio da sala.

— Helena…

O nome ecoou como um estilhaço.

Cássio prendeu a respiração. Esperou — quase implorou internamente — que, em algum ponto da gravação, a irmã o corrigisse. Que dissesse não sou ela. Que se afastasse. Que impusesse um limite.

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