Entrar Via

Quadros de um divórcio romance Capítulo 181

“Quando alguém cruza um limite, o mundo deixa de ser inocente.”

O celular de Cássio vibrou no silêncio pesado da sala.

Riviera: “Já estou aqui fora.”

Cássio: “Me espere aí!”

Quando finalmente retornou ao salão, Helena já não estava mais ali. Ainda assim, a presença dela parecia persistir no ar — e os olhares inquisidores que agora recaíam sobre ele pareciam atravessar sua pele.

Precisava manter a postura. Se vacilasse, tudo desmoronaria.

Caminhou de cabeça erguida entre os convidados até Renato.

— Cara… o que foi que aconteceu? — o amigo perguntou, em um murmúrio tenso.

Antes que Cássio respondesse, Silvia se apressou em segurar seu braço, a expressão cuidadosamente ensaiada de preocupação.

— Vimos a Viviane ser praticamente arrastada pelos policiais. O que ela fez para merecer isso? — perguntou, os olhos sobressaltados no ponto exato.

Cássio percorreu o salão com o olhar uma última vez, medindo o ambiente carregado de curiosidade e julgamento. Um evento que tinha tudo para ser promissor, havia se transformado em um verdadeiro tribunal.

— Vamos embora — disse, firme. — Não podemos ter essa conversa aqui.

Saíram sem se despedir de ninguém — ainda que discrição, naquele momento, não fosse uma opção.

Do lado de fora, encontraram Riviera aguardando na calçada, o semblante sério.

— Sr. Amaral, vim o mais rápido que pude — disse o advogado. — No caminho, vi várias notícias dizendo que sua irmã foi presa. O que—

— Vamos para a delegacia — interrompeu Cássio, seco. — No caminho eu explico.

Virou-se então para Silvia.

— Vá com o Renato e a Tânia.

Não esperou qualquer resposta. Entrou no carro, fechando a porta com força.

Ao chegarem à delegacia, Cássio e Riviera foram conduzidos até a sala onde Viviane aguardava.

— Cássio… — ela disse assim que o viu, a voz trêmula, os olhos vermelhos. — Eu sabia que você não me deixaria aqui. Você veio me tirar daqui, não veio? Eu não posso ser presa, irmão. Isso vai acabar com a minha vida.

Não restava nada da influencer arrogante que desfilara pelo salão horas antes. Ali havia apenas alguém acuada, despida de pose e soberba.

Cássio respirou fundo, contendo o turbilhão que lhe subia ao peito.

— Riviera já está a par por alto — disse, sério, sem se aproximar. — Ele vai conversar com você e ver o que pode ser feito.

Virou-se para o advogado.

— Nos deixe a sós primeiro.

Assim que a porta se fechou, o silêncio se impôs. Cássio voltou o olhar para a irmã, não havia afeto em sua voz.

— Agora — disse, a voz baixa e dura — você vai me dizer que merda estava passando pela sua cabeça pra fazer uma idiotice dessas.

Viviane engoliu em seco. As mãos tremiam no colo, o corpo inteiro encolhido naquela cadeira dura, como se quisesse desaparecer.

— Eu… — começou, mas a voz falhou. — Eu só… queria provar que ela não é tudo isso.

Cássio fechou os olhos por um instante, passando a mão pelo rosto. Quando voltou a encará-la, havia exaustão — não raiva explosiva, mas algo pior: decepção crua.

— Provar pra quem? — perguntou. — Pra mim? Pra você mesma? Ou pra Helena?

O nome saiu como uma lâmina. Viviane apertou os lábios.

— Desde que vocês se divorciaram, tudo gira em torno dela — disparou, a voz ganhando volume, misturada ao choro. — Você agora parece vidrado nela. Todo mundo só fala dela. E agora até esse homem… esse Santiago… como se ela fosse o centro do universo.

— E isso te dá o direito de drogar alguém? — Cássio cortou, finalmente elevando o tom. — De arrastar um homem quase inconsciente pra um quarto?

— Eu não o droguei! — ela rebateu rápido demais. — Eu juro! Pensei que ele estivesse apenas bêbado. Eu só… aproveitei a oportunidade.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Essa frase sozinha já te coloca no fundo do poço, Viviane — ele disse, baixo. — Você tem noção do que isso significa?

Ela desviou o olhar, incapaz de sustentar o dele.

— Eu achei que… se ele ficasse comigo … — soluçou. — Ela cairia. Quebraria. Eu poderia ficar com ele e todo mundo finalmente veria que ela não é essa santa.

— Você não destruiu a Helena. Você se destruiu — disse, a voz fria, cortante. — Já parou para pensar no que isso pode fazer com a imagem da empresa? Com a minha? Logo agora que eu começava a colocar tudo de volta nos trilhos… você resolve implodir tudo?

Ele esmurrou a mesa com força. O impacto ecoou pela sala e fez Viviane erguer o rosto num sobressalto.

— Eu nunca quis isso — ela disse, a voz trêmula. — Você precisa acreditar em mim. — Os olhos vibravam, desesperados, à procura de qualquer coisa que a absolvesse. — As coisas só saíram do controle. Como eu poderia imaginar que aquela idiota ia aparecer do nada?

— Chega! — Cássio interrompeu, pressionando os dedos contra a ponte entre as sobrancelhas, como se tentasse conter a própria mente.

Ela hesitou por um instante antes de perguntar, quase inaudível:

— Você vai me abandonar? Vai deixar que me tratem como uma criminosa qualquer?

— Não — respondeu após alguns segundos.

O alívio surgiu no rosto dela — breve, frágil, quase infantil.

— Mas também não vou mentir por você — completou, sem suavizar o tom. — Nem comprar versões. Nem atacar ninguém para te salvar. O que você fez é grave. Agora existe polícia, exame toxicológico, testemunhas. Isso saiu completamente das minhas mãos.

As lágrimas voltaram com força.

— Então… o que vai acontecer comigo?

Cássio começou a caminhar pela sala, devagar, como quem pesa cada passo.

— Eu ainda não sei.

Parou diante da porta, a mão pousada na maçaneta. Falou sem se virar:

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quadros de um divórcio