Entrar Via

Quadros de um divórcio romance Capítulo 185

“Há verdades que só reconhecemos quando já não podemos mais tocá-las.”

Cássio permanecia sentado à bancada da cozinha, uma xícara de café quente a sua frente. Quando seus pais e Silvia finalmente se recolheram, a madrugada já se despedia. Ele até tentara deitar, mas a situação da empresa — agora ameaçada por mais um escândalo — não lhe concedeu descanso.

Chegou a cochilar por alguns minutos no sofá, um sono raso e inquieto, interrompido cedo demais pelo barulho da empregada chegando para iniciar o dia. Desde então, alternava o olhar entre o relógio e o celular, conferindo a tela a cada poucos minutos, à espera de alguma mensagem de Riviera. Nada. Apenas o silêncio, que só fazia sua ansiedade crescer.

Por fim, inclinou-se sobre a bancada, apoiando os cotovelos e enterrando o rosto nas mãos. Tudo parecia pesado demais.

Foi então que o celular vibrou.

Ele ergueu a cabeça devagar e, ao olhar o visor, reconheceu o nome de Renato chamando.

Cássio atendeu no terceiro toque.

— Fala. — a voz saiu rouca, cansada.

— Você não dormiu, né? — Renato perguntou do outro lado, sem rodeios.

Cássio soltou um riso curto, sem humor.

— Dormir como? — passou a mão pelo rosto. — Alguma novidade?

Houve uma breve pausa antes da resposta.

— Ainda não sobre a Viviane. A audiência deve sair só mais tarde. Mas… — Renato hesitou. — Tem outra coisa.

O estômago de Cássio se contraiu. Já havia levado golpes demais e temia não resistir a mais um.

— O que aconteceu agora?

— Helena fez uma live agora a pouco. — Renato disse com cuidado. — Explodiu. Está em tudo quanto é lugar. Portais, perfis grandes...

Cássio fechou os olhos com força. Sentiu como se alguém tivesse girado lentamente uma lâmina dentro dele.

— Mas o que ela falou? — perguntou já sentindo o sangue esvair do corpo.

— Coisas demais — Renato abaixou o tom, como se ainda estivesse digerindo o impacto. — Ela jogou tudo no ventilador. E até sobre algumas coisas estranhas sobre tentativa de atropelamento e de sequestro… não citou seu nome diretamente, mas deixou claro que, desde o divórcio, vem sendo perseguida e ameaçada… então…

— Vai respingar em mim — Cássio completou, a voz vazia.

Do outro lado da linha, houve uma breve hesitação.

— E por que você não parece surpreso? — Renato perguntou, agora preocupado de verdade. — Cássio… não me diga que você tem alguma coisa a ver com isso.

A imagem do bar atravessou sua mente. A tentativa frustrada de levá-la à força. Dante apagando rastros que nunca deveriam ter existido.

— Não. Claro que não — respondeu rápido demais. — Mas… eu soube por alto na audiência de anulação do divórcio.

O silêncio que se seguiu foi pesado. Um silêncio que não absolvia.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quadros de um divórcio