“O verdadeiro encontro entre duas pessoas acontece quando os corpos também se reconhecem.” D. H. Lawrence
Helena e Santiago se moviam pela cozinha com a naturalidade de quem já havia feito aquilo muitas vezes juntos. Havia algo de familiar no gesto de dividir o preparo da refeição, tão parecido com a primeira noite em que cozinharam ali — a mesma em que, sem perceber, nunca mais haviam se largado. Santiago cuidava do strogonoff, atento ao ponto do molho, enquanto Helena finalizava o arroz. Os movimentos se encaixavam em perfeita sincronia.
Desde que Pedro e Marcelo haviam voltado a ocupar o sobrado ao lado, uma nova rotina se formara dentro daquela casa. Jantares improvisados, portas abertas, risadas atravessando os cômodos. Um pequeno núcleo que se sustentava em afeto e presença. Ainda assim, Helena sabia: aquele equilíbrio tinha prazo para mudar outra vez.
Pouco antes, haviam recebido a visita de Inês Cavalcante, a engenheira parceira dos Duarte. Durante quase uma hora, as duas casas deixaram de ser apenas espaços e se transformaram em possibilidades. Caminharam de um ambiente a outro, descrevendo ideias, derrubando paredes imaginárias, criando jardins de luz. Inês anotava tudo em seu tablet, tão envolvida quanto eles, enquanto a empolgação crescia a cada novo detalhe pensado.
Restavam apenas alguns dias para aproveitar aquele cenário como ele era. A reforma começaria na semana seguinte, e com ela viria a mudança temporária para o apartamento de Santiago. Helena sentiu um misto de nostalgia e expectativa. Aquele lar estava prestes a se transformar — e, junto com ele, também eles.
— No que você está pensando? — perguntou Santiago, percebendo a leve ausência no olhar dela.
Helena piscou, voltando ao presente, e sorriu para ele.
— Em tanta coisa… — respondeu com suavidade. — Tudo aconteceu rápido demais. Alguns meses atrás, eu jamais imaginaria que poderia ser feliz assim.
Ela alisou o ventre num gesto quase inconsciente.
Santiago a envolveu por trás, encaixando o corpo no dela, cobrindo suas mãos com as dele.
— Te ver feliz é tudo o que importa pra mim — disse, beijando o topo da cabeça dela.
— Mesmo sabendo que será temporário… — ela suspirou. — Já estou sentindo falta da casa.
— Eu também — concordou. — Mas imagina quando tudo estiver pronto… nós dois aqui, cozinhando desse jeito… — fez um gesto no ar, desenhando a cena — enquanto nosso feijãozinho corre de um lado pro outro.
Helena riu, imaginando a cena. O riso, porém, não durou muito.
A imagem seguinte veio sem aviso: perigo, vigilância, ameaças que ainda pairavam como sombras. Aquela criança também seria um alvo.
O corpo dela enrijeceu.
— O que foi? — Santiago perguntou na hora, sentindo a mudança.
— Eu estava pensando na investigação… — ela confessou. — Achei que expor o rosto daquele homem ajudaria a localizá-lo. Mas já se passaram dias e até agora nada.
Santiago respirou fundo antes de responder, escolhendo as palavras.
— Não se preocupa agora — disse, tentando transmitir firmeza. — A polícia está trabalhando. Isso vai se resolver.
Helena assentiu, mas o aperto no peito não cedeu de todo.
Santiago desligou o fogo e levou a panela até a mesa.
— Vem comer — chamou, com a voz tranquila.
Helena se aproximou devagar. Aos poucos, a tensão foi cedendo. Havia algo nele — na presença firme, no cuidado silencioso — que sempre a ancorava.
Comeram sem pressa, trocando olhares, comentários bobos.
Quando terminaram, Helena se levantou automaticamente, esticando as mãos para recolher as louças.
Santiago se ergueu no mesmo instante e interceptou o movimento.
— Deixa isso aí. Amanhã a gente limpa — disse, segurando-lhe os pulsos com cuidado. — Você está cansada.
Aproximou-se ainda mais, a voz baixa junto ao ouvido dela.
— Que tal eu te dar um banho? — murmurou. — Acho que os efeitos daquela droga ainda não passaram completamente…
Helena riu, empurrando-o de leve no ombro.
— Safado.
O sorriso dele se alargou.
— Só com você.
Antes que ela pudesse reagir, Santiago passou um braço sob as pernas dela e a ergueu no colo com facilidade. Helena soltou uma exclamação surpresa, agarrando-se ao pescoço dele, rindo.
— Santiago!
— Relaxa — disse ele, já caminhando pelo corredor.
Levou-a até o banheiro e a sentou sobre a bancada. Não se afastou, ficou ali, entre as pernas dela, as mãos apoiadas ao lado de seu corpo, apenas observando.
Helena sentiu o peso daquele silêncio. O olhar dele não era apressado, nem faminto. Era denso. Cheio.
— Isso me faz lembrar de uma coisa — ele disse por fim, a voz baixa, quase preguiçosa.
— Do dia do incidente em frente à empresa? — ela perguntou, já sorrindo, referindo-se à tentativa de atropelamento, quando ele a colocara exatamente daquela forma para cuidar do ferimento em seu joelho.
Santiago assentiu devagar.
— Sim… — inclinou-se um pouco mais. — Você não faz ideia do que passava pela minha cabeça naquele dia… — O tom era provocador.
Helena se aproximou dele também, apoiando as mãos em seus ombros, entrando no jogo.
— O quê? — perguntou, os olhos brilhando. — Agora fiquei curiosa.
Ele sorriu de canto. Um sorriso que prometia mais do que palavras.
— Quer que eu te mostre?
Antes que ela respondesse, Santiago levou a mão ao rosto dela, o polegar deslizando com lentidão pela linha do maxilar. O gesto era simples, mas carregado de intenção.
Ele se aproximou e a beijou. Um beijo lento, sem urgência, como se o tempo tivesse se dobrado ali dentro daquele banheiro. Puxou seu cabelo para o lado e desceu os lábios para seu pescoço.
A respiração de Helena perdeu o compasso e seu corpo arrepiou inteiro quando ele apertou o próprio corpo entre suas pernas.
Santiago tirou a blusa dela, o sutiã de renda preta contornando seus seios clamava por suas mãos. Sentiu o bico enrijecido com o polegar e voltou a tomar a boca dela.
Suas mãos abandonaram os seios dela para abrir os botões da própria camisa até se livrar dela. Puxou-a pela cintura colando suas peles.
Ela arqueou o corpo para trás, as mãos já procurando o fecho do sutiã para abri-lo. A peça logo caiu ao chão junto com as peças das quais já haviam se livrado.
Santiago empurrou os ombros dela para trás inclinando-a sobre a bancada enquanto traçava beijos sem pressa por seu corpo, começando em seu pescoço, demorando-se em seus seios e terminaram pouco abaixo do umbigo.
Ergueu-a apenas para ajuda-la a se livrar da calça, a lingerie caindo junto com ela a seus pés. Voltou a sentá-la na bancada, beijando-a enquanto também terminava de se despir.
As unhas dela passeando por se abdômen aumentava sua urgência.
Voltou a pressioná-la contra a bancada, agora sem nenhum tecido entre eles. Sentiu a umidade dela ao se esfregar, roçando em suas partes quentes pronta para ele.

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