Após o almoço com Silvia, Cássio foi com ela para o aeroporto.
Os protótipos da nova coleção de móveis já estavam prontos, mas ele ainda precisava fechar um contrato importante com um fornecedor que garantisse material suficiente para a produção em larga escala.
Pouco mais de três horas após o embarque, chegaram ao destino e foram recebidos pelo motorista enviado pelo parceiro de negócios.
A reunião se estendeu até bem depois do pôr do sol, mas terminou como ele esperava: com sucesso.
Assinaram os contratos, selaram promessas e, satisfeito, Cássio seguiu para o hotel reservado com antecedência.
Mal entrou no quarto, o celular vibrou em seu bolso.
Ao abrir a mensagem de um número desconhecido, o sangue pareceu sumir-lhe do rosto.
Na tela, uma foto de Helena e Santiago almoçando juntos — ela sorria, e aquele sorriso... era o mesmo que há muito tempo não se voltava para ele.
A imagem o desestabilizou. Um nó se formou no estômago. Aquilo não podia ser verdade.
— Aconteceu alguma coisa, amor? — perguntou Sílvia, notando a mudança no semblante dele.
— Não foi nada — respondeu impaciente, afastando-se. Caminhou até a varanda, onde o mar de luzes da cidade cintilava como se zombasse de sua raiva crescente.
Puxou o celular novamente e ligou para a secretária.
— Fernanda, reserve um voo de volta ainda pra esta noite. O mais rápido possível. — ordenou, sem sequer esperar por um cumprimento.
Do outro lado, ela hesitou por um segundo diante do tom dele.
— Sim, senhor — respondeu apenas, entendendo a urgência.
Cássio começou a andar de um lado para o outro na varanda. O ar parecia rarefeito.
Precisava voltar. Precisava ver Helena. Precisava confrontá-la.
Desfez o nó da gravata, ofegante, o corpo tremendo. Queria gritar — mas só conseguia sentir o controle escorrendo por entre os dedos.
Atrás da porta, Sílvia observava tudo, imóvel. Um sorriso discreto curvava seus lábios — o sorriso satisfeito de quem vê a armadilha funcionando.
O tempo se arrastou até o aparelho tocar novamente.
— Sinto muito, senhor, mas não há mais voos para esta noite. O próximo é o de amanhã, o mesmo que já está confirmado.
— Tente um particular.
— Eu já tentei, senhor. Infelizmente não há nenhum disponível.
— Merda! — gritou, socando a parede. A dor latejante nos nós dos dedos não foi suficiente para aplacar a fúria.
Pensou em ir de carro, mas seriam mais de dez horas de viagem.
Passou a mão pelo rosto, frustrado. Vestiu o paletó e, ao cruzar o quarto, apenas disse:
— Preciso sair um pouco.
Sílvia fingiu surpresa, mas não tentou impedi-lo.
Do lado de fora, ele procurou um canto discreto e ligou para Helena.
A ligação chamou até cair, uma, duas vezes. O deixando ainda mais impaciente.
Na terceira, ela finalmente atendeu.
— Alô.
— Alô? Você pode me explicar que diabos estava fazendo almoçando com o Santiago?! — explodiu, a voz trêmula de raiva.
Do outro lado, Helena respondeu com uma calma desarmante:
— Desculpe, não entendi.
— Como assim não entendeu? Vai negar que estava com ele?
— Não. Por que eu negaria?
— Então você tem a coragem de confirmar?


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