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Quadros de um divórcio romance Capítulo 32

“Mesmo na paleta mais calma, há tons que anunciam a ameaça.”

Na manhã seguinte, o relógio marcava pouco mais que oito horas quando Santiago ouviu duas batidas leves na porta.

Ele levantou o olhar do notebook e, ao reconhecer o rosto familiar, um sorriso cansado se formou.

— Ei, Santi! — disse Marcelo, abrindo um sorriso largo ao entrar no escritório.

— Fala, meu velho. — Santiago se levantou, e os dois se cumprimentaram com um abraço bruto com bons t***s nas costas, do tipo que só bons amigos dão.

Marcelo jogou-se na poltrona à frente da mesa e soltou um suspiro.

Santiago percebeu — o semblante do amigo estava diferente, mais sério do que o habitual.

— E aí? — perguntou, voltando a se sentar. — O que tem pra mim?

O detetive apoiou os cotovelos na mesa, respirou fundo e tirou uma pasta da bolsa que trazia consigo, entregando-a a Santiago.

— Você estava certo — disse, com a voz baixa, entregando o material.

Santiago pegou a pasta e a abriu, os dedos tensos.

Dentro, havia algumas fotográficas e um pen drive.

Marcelo continuou, com o tom de quem pesava cada palavra:

— Revirei as câmeras de toda a região, uma por uma. Aquele carro… não estava perdido, nem em alta velocidade à toa. — Fez uma pausa breve. — Ele chegou logo depois do carro da sua garota e ficou parado com o motor ligado. E só arrancou quando ela já atravessava.

Santiago ficou em silêncio. A mandíbula travada. O ar parecia pesar no ambiente.

Fechou os olhos por um instante, tentando conter o impulso que lhe apertava o peito, aquele que vinha sempre que algo tocava o nome dela.

— Conseguiu ver o motorista? — perguntou, por fim, a voz firme, mas carregada.

— Infelizmente, não. — Marcelo balançou a cabeça. — O vidro era escurecido. Mas… — puxou uma das fotos da pasta — consegui a placa.

Santiago pegou-a, olhando-a rapidamente e levantou o olhar, tenso.

Marcelo completou:

— O carro está registrado em nome de uma empresa de fachada. Criada há menos de um ano. Nenhum funcionário, nenhum endereço fixo.

Um silêncio pesado se instalou.

— Uma empresa de fachada… — murmurou Santiago, encostando-se à cadeira. — Então não foi acidente. Alguém realmente tentou acertá-la.

— É o que parece. — Marcelo cruzou os braços. — Vou continuar cavando. Mas, se fosse você, ficava de olho nela.

Santiago passou a mão pelo rosto, respirando fundo.

— Eu já estou — respondeu, num tom que misturava cansaço e determinação. — Mas vou precisar de mais um favor teu.

— Diga.

— Quero que coloque alguém com ela. Um segurança, 24 horas por dia. Mas discreto. — Fitou o amigo com seriedade. — Não quero que ela perceba. Se ela souber, vai se assustar.

Marcelo arqueou as sobrancelhas, pensativo.

— Entendido. Acho que tenho o cara certo pra isso.

Santiago assentiu, confiante.

E observou o amigo parecendo se lembrar de algo.

— Quando te falei o nome dela na ligação... você achou interessante... por quê?

Marcelo deu um meio sorriso, coçando a barba como quem pondera se deve ou não dizer.

— Pois é. Na verdade, esse nome me chamou atenção por um motivo curioso. — Fez uma pausa breve, depois prosseguiu: — Há um tempo, uma advogada me procurou. Lívia, o nome dela. Me contratou pra levantar informações sobre um sujeito, pra um processo que uma amiga dela pretendia mover contra ele.

Santiago franziu o cenho, sentindo um leve arrepio na nuca.

— E...?

— Essa amiga é a sua garota — respondeu Marcelo, direto. — Helena Duarte.

Caminhou até o quadro de Helena, agora emoldurado e pendurado na parede.

Suas cores, sob a luz dourada da manhã, pareciam ainda mais vivas, quase pulsantes.

Era uma ironia — aquela pintura, feita por ela, o havia salvado de formas que ela jamais imaginaria. Servia de um lembrete constante de que ainda havia tempo... e que o tempo, agora, seria para protegê-la.

Pegou o celular e abriu uma nova mensagem.

“Helena, posso te ver hoje a noite? Preciso falar com você.”

A hesitação durou segundos. Então, enviou.

O aparelho vibrou de volta pouco depois.

“Sinto muito, hoje tenho um evento para ir. Pode ser amanhã?

Evento?

Santiago franziu o cenho, pensativo.

Caminhou até a mesa, revirando uma pilha de papéis até encontrar o que procurava — um convite azul, com a logo dourada do Studio Cassiani impressa no centro.

Abriu-o e confirmou a data.

“Bingo.” Provavelmente seria esse o evento ao qual ela se referia.

Pegou o celular novamente e digitou apenas uma palavra:

“Claro!”

Mas, ao deixar o aparelho sobre a mesa, um meio sorriso curvou-lhe os lábios.

Ele sabia que não esperaria até o dia seguinte.

Veria Helena ainda naquela noite — de um jeito ou de outro.

Pois uma coisa era certa: Santiago Villar não deixaria mais nada — nem o acaso, nem o medo — decidir por ele.

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