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Quadros de um divórcio romance Capítulo 34

“Nem toda imagem pode ser restaurada.”

Fragmento de um restaurador anônimo

No instante em que o carro da empresa estacionou na garagem, Cássio pulou do carro.

— Preciso resolver umas coisas. Te vejo mais tarde.

Sílvia o observou com doçura ensaiada, inclinando levemente a cabeça.

— Claro, amor.

Ele partiu apressado, os passos ecoando pelos corredores enquanto percebia burburinhos acompanhados de olhares estranhos e recriminatórios.

O coração batia num compasso anormal — não sabia se era ressaca ou nervosismo.

Ao abrir a porta do escritório, encontrou Renato à sua espera, de braços cruzados, o semblante grave.

— Finalmente! — disse o amigo, sem esconder a tensão. — Cara... o que aconteceu com você? Parece acabado.

Cássio jogou a pasta sobre a mesa.

— Longa história. Bebi demais e perdi o voo. Fala logo o que houve.

Renato hesitou.

— Acho melhor você se sentar primeiro.

— Vai direto ao ponto, Renato — respondeu, impaciente.

O amigo soltou um suspiro e pegou o tablet sobre a mesa.

— É melhor ver com seus próprios olhos.

Cássio franziu o cenho e pegou o aparelho.

A tela se iluminou — e o mundo pareceu apagar em volta.

“Famoso designer Cássio Amaral é visto em momentos românticos com amante.”

As palavras o atingiram como um soco.

O sangue sumiu-lhe do rosto deixando-o mais pálido do que já estava.

Leu o subtítulo uma, duas vezes, sem acreditar.

“No dia de ontem, o empresário e designer Cássio Amaral, do Studio Cassiani, foi flagrado em clima de romance com uma suposta amante no restaurante do Hotel Miraje. Fontes afirmam que ele ainda é casado com Helena Duarte, herdeira da Construtora Duarte. O casal foi visto trocando carícias e deixando o local juntos…”

Logo abaixo, estavam as fotos:

ele e Sílvia entrando de braços dados;

eles à mesa sorrindo de mãos dadas;

e uma, cruelmente isolada — Helena, sorrindo de forma serena, sozinha.

O chão pareceu desaparecer sob seus pés.

Atirou o tablet no sofá.

— Merda! — gritou, as mãos no cabelo. — Merda, merda, merda!

Andava de um lado para o outro, desorientado.

A respiração curta, o coração disparado.

As imagens continuavam queimando na memória como brasas.

Renato tentou se aproximar.

— Eu já entrei em contato com a equipe jurídica. Estão providenciando a remoção das matérias.

— Matérias? — Cássio ergueu o olhar, a voz rouca. — Você disse... matérias, no plural?

Renato assentiu, relutante.

— São várias publicações, mas o conteúdo é praticamente o mesmo. Espalharam rápido. Está em portais de design, negócios... e principalmente em colunas de fofoca.

Cássio sentiu o corpo fraquejar, apoiando-se na mesa.

— Meu Deus... — murmurou. — E o evento é hoje.

Renato o observava com pesar.

— Eu sei. E os investidores vão estar lá.

Um silêncio denso pairou entre os dois.

Cássio passou as mãos pelo rosto, tentando se recompor.

— Isso... isso é um desastre.

— É. Mas a gente ainda pode controlar os danos — disse Renato, mais firme. — Só precisamos agir rápido.

Cássio caminhou até a janela, olhando a cidade lá embaixo.

Cada prédio parecia uma lâmina, refletindo luz demais, ofuscante.

— Helena vai ver isso… — disse, num sussurro quase inaudível.

Capítulo 34 - Retoques em falso 1

Capítulo 34 - Retoques em falso 2

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