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Quadros de um divórcio romance Capítulo 39

“Toda máscara é uma pincelada mal seca sobre o rosto.” Jean Cocteau

Carlos e Esther já estavam no salão, acompanhados por Viviane.

Assim que viram o filho atravessar as portas de vidro, os três se apressaram em sua direção.

— Meu filho — disse Esther, os olhos marejados de orgulho. — Está tudo tão lindo... Eu sempre soube que você ganharia o mundo.

Cássio sorriu, beijando-lhe a mão.

— Obrigado, mãe.

Carlos, mais contido, lançou um olhar de aprovação.

— Está mesmo impecável, Cássio. Um evento digno da história da empresa. — fez uma pausa breve, medindo as palavras. — Mas... onde está Helena?

A pergunta pairou entre eles, cortando o brilho do momento.

Cássio hesitou por um instante antes de responder, a voz firme, mas o olhar fugidio:

— Ela não estava se sentindo muito bem. Preferiu não vir.

O pai trocou um olhar rápido com a esposa — ambos haviam lido as manchetes, sabiam que algo não estava bem.

Carlos pigarreou.

— Diante dos boatos que circularam hoje — disse, olhando discretamente de Cássio para Silvia —, talvez fosse importante que ela estivesse aqui. Apenas para encerrar o assunto.

Viviane cruzou os braços, a expressão carregada de ironia.

— Eu, sinceramente, preferia que os boatos fossem verdade — comentou, com um meio sorriso. — A Silvia combina muito mais com ele.

Silvia baixou os olhos, esboçando um sorriso tímido, mas o brilho de satisfação era impossível de esconder.

Foi então que uma nova voz se somou ao grupo.

— Concordo plenamente — disse Tânia, aproximando-se ao lado de Renato. — Silvia tem muito mais a ver com o nosso círculo de amigos.

Renato lançou-lhe um olhar de advertência.

— Tânia, por favor, não se envolva em assuntos particulares.

Ela arqueou uma sobrancelha.

— E desde quando ter opinião é se intrometer? — provocou, cruzando os braços. — Ou vai dizer que você também não acha o mesmo?

— Quem tem que achar qualquer coisa aqui é o Cássio — respondeu Renato, firme, o tom baixo, mas cortante.

O silêncio que se seguiu foi denso.

Tânia desviou o olhar, engolindo o orgulho.

Cássio, então, respirou fundo, endireitou os ombros e falou com calma, mas a tensão em sua voz era evidente.

— Helena é minha esposa. Gostem vocês ou não. — Olhou em volta, certificando-se de que ninguém ao redor os ouvia. — E eu preferiria que mudássemos de assunto antes que algum fofoqueiro acrescente mais lenha nessa fogueira.

As palavras pairaram no ar, pesadas e definitivas.

Silvia manteve o sorriso — um sorriso frio, quase imóvel.

Mas por trás do verniz impecável, algo se partia.

Por dentro, o rancor queimava como ferro em brasa.

E ela jurou, silenciosamente, que aquela seria a última vez que ouviria Cássio chamar Helena de “esposa”.

Cássio atravessava o espaço como quem conhece o próprio palco.

Sua expressão controlada carregava a segurança que ele queria que vissem — mesmo que por dentro ainda ardesse o rescaldo da manhã caótica.

Naquela noite, precisava ser apenas o homem que construiu um império a partir do nada.

Silvia mantinha-se sempre ao seu lado, o braço ocasionalmente roçando o dele, a cada contato o olhar dela faiscava com algo entre desejo e posse.

Sua presença chamava atenção — o vestido prateado parecia feito para os flashes, e ela sabia disso.

Sabia também que muitos olhares a seguiam, que as mulheres cochichavam, e que Cássio, ao lado dela, estava sendo julgado em silêncio.

Mas ela gostava do jogo.

Gostava do risco, do escândalo, do poder de pertencer a um caos que só ela parecia dominar.

Cássio, por outro lado, forçava um sorriso profissional.

Cumprimentava investidores, acenava para conhecidos, mantinha conversas, curtas, mas amistosas com todos. E de tempos em tempos, olhava para o celular — e nada. Nenhuma mensagem de Helena.

A cada minuto, o salão se tornava mais vivo — um redemoinho de vozes, luzes e cristais tilintando.

O espaço antes impecavelmente disposto agora pulsava sob o movimento dos convidados: ternos escuros, vestidos cintilantes, taças elevadas em cumprimentos.

Era o ápice do glamour e da ambição reunidos num só lugar.

Donos de redes de lojas de móveis de alto padrão, magnatas do setor madeireiro e têxtil, investidores atentos em busca de oportunidades, jornalistas especializados em casa e decoração.

Cada um deles representava um degrau possível — visibilidade, um contato, uma chance, uma promessa de crescimento.

Capítulo 39 - Pinceladas de aparência 1

Capítulo 39 - Pinceladas de aparência 2

Capítulo 39 - Pinceladas de aparência 3

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