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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 209

Cap.16

Tudo bem se for ele.

Pov Katleia

A volta da mansão dos Bertans foi um silêncio pesado dentro do carro.

Eu ainda sentia o peso e alivio naquelas promessas feitas naquela sala de guerra, das decisões tomadas sobre minha vida sem que eu precisasse falar mais do que algumas palavras, era tao bom.

O caminho de volta da mansão dos Bertans foi marcado por um silêncio denso, mas, pela primeira vez, não era solitário. Aquele medo esmagador que costumava me isolar parecia ter se fragmentado, distribuído agora entre os ombros largos de Adon, a determinação feroz de Selene e a presença silenciosa, quase magnética, de Átila ao volante.

Pela primeira vez, o peso da minha própria vida não estava apenas sobre as minhas costas.

Quando paramos diante da Casa da Ponte, a chuva já havia cedido, deixando para trás um ar noturno frio e purificado. Ao tentar descer do carro, a realidade física me atingiu: sem a adrenalina da reunião, a dor no meu tornozelo explodiu. Dei um único passo e um gemido sufocado escapou, traindo minha tentativa de parecer forte.

Antes que eu pudesse alcançar a muleta, Átila já estava lá.

— Isso já foi o bastante por hoje — disse ele. A voz era baixa, firme, sem qualquer margem para discussão.

Sem cerimônia, mas com uma delicadeza que me roubou o fôlego, ele se inclinou e me colheu do chão.

Um braço passou sob minhas costas, o outro sob meus joelhos, e de repente o mundo inclinou.

O contato foi total e repentino. Senti meus músculos travarem instantaneamente. Um pânico antigo, gravado nos meus nervos, disparou um alerta vermelho.

Homem. Toque. Confinamento.

Meu coração martelou contra as costelas, implorando por fuga. Mas, no segundo seguinte, outro sentido assumiu o controle.

A firmeza dos braços dele não era agressiva, era um porto. Havia uma segurança inegável naquele aperto, algo que se traduzia em cuidado puro, não em invasão.

Escondi o rosto contra o meu próprio ombro, sentindo a pele queimar de uma vergonha que eu não conseguia controlar.

Através do tecido da minha roupa, o calor do corpo dele era um convite perigoso à calma, e o ritmo constante de sua respiração soprava perto demais.

— É só porque você andou demais — ele murmurou. Parecia ler o caos na minha mente, e sua voz, tão próxima ao meu ouvido, enviou um calafrio que percorreu toda a minha espinha. — Precisa descansar a perna se quiser se recuperar de verdade.

Ele não esperou que eu concordasse. Começou a caminhar em direção à entrada com passos tão estáveis que eu mal sentia o movimento.

Forcei-me a soltar o ar, tentando relaxar os ombros, embora meu corpo ainda vibrasse como uma corda de piano prestes a arrebentar.

Ao cruzarmos a porta, o silêncio da casa foi interrompido pelo choque e meu constrangimento que fez minha face queimar.

Gildete, Mima e Maju estavam na sala. Três pares de olhos se arregalaram em uníssono. A surpresa delas era quase física, tornando o ar pesado e difícil de respirar. Eu nunca, absolutamente nunca, havia permitido que um homem me tocasse daquela forma, quanto mais que me carregasse para dentro de casa como se eu fosse algo importante para tanto cuidado.

Selene entrou logo atrás, agindo rápido para quebrar o transe.

— O pé dela está muito inchado, ela não pode fazer esforço — explicou, mas notei o brilho de curiosidade terna em seu olhar.

As meninas permaneceram mudas, apenas observando enquanto Átila, sem hesitar ou desviar o caminho, começava a subir os degraus em direção ao meu quarto. Eu não conseguia encarar nenhuma delas. Sentia um incêndio subir do pescoço até as orelhas, desejando que o corredor fosse infinito e, ao mesmo tempo, que aquele momento acabasse logo antes que meu coração decidisse que aquele colo era o seu lugar favorito no mundo.

— Ela não pode andar muito, o pé está muito inchado. O Átila está só ajudando — explicou, mas seu olhar também pousou em mim, cheio de uma curiosidade terna e preocupada.

Aqui está a cena ajustada e aprofundada, focando na confusão interna da Katleia e no contraste entre a segurança que ele oferece e o trauma que ainda a assombra.

As meninas continuaram em silêncio, estátuas de surpresa no meio da sala, enquanto Átila subia as escadas comigo nos braços.

Eu não conseguia sustentar o olhar de ninguém com uma mistura de vergonha e algo que eu não sabia nomear.

Eu, que sempre fui mestre em me tornar invisível, agora era o centro das atenções, carregada por um homem que parecia talhado em pedra.

Ao entrarmos no meu quarto, a penumbra era suave. Ele caminhou em direção à cama com uma determinação calma.

No momento em que se inclinou para me depositar sobre o colchão, no entanto, o destino pregou uma peça na sua perfeição controlada.

O pé dele resvalou na borda do tapete felpudo e, por um segundo, a gravidade venceu.

Átila perdeu o equilíbrio.

Em vez de me soltar, ele instintivamente protegeu meu corpo, mas o impulso o levou para a frente. O resultado foi um choque de silêncio e proximidade, ele caiu sobre mim.

O peso dele não me machucou, ele apoiou os braços nos meus lados no último milésimo de segundo, mas estávamos perigosamente próximos.

Senti a respiração dele, quente e apressada, atingir meu rosto.

Nossos olhares se prenderam. O mundo lá fora deixou de existir. Eu petrifiquei, cada célula do meu corpo em alerta máximo, mas não era apenas o alerta do medo. Era uma confusão sensorial avassaladora.

O rosto dele estava a centímetros do meu. Pude ver as linhas de tensão em seus olhos e a firmeza da sua mandíbula. Por um instante eterno, ninguém se mexeu. O ar parecia carregado de eletricidade estática.

— Desculpe... — ele sussurrou, a voz mais rouca do que o normal. — O tapete escorregou. — ele disse e em seguida quase riu. — Parece que estamos destinados a ficar caindo um no outro.

Ele se levantou rapidamente, recuperando a compostura com uma agilidade quase irritante, enquanto eu permanecia afundada nos travesseiros, tentando processar o que acabara de acontecer.

Ele recuou imediatamente, dando-me o espaço que eu precisava, voltando àquela postura profissional e neutra.

— Precisa de mais alguma coisa? — perguntou, os olhos agora fixos em algum ponto acima da minha cabeça.

— N-não. Obrigada — gaguejei, a voz falhando miseravelmente.

Ele apenas acenou e saiu, fechando a porta com um clique suave. No silêncio que se seguiu, minha mente começou a girar.

Um tio?, pensei, lembrando do que Adon insinuara sobre Átila ser um protetor, uma figura familiar de confiança.

Como eu conseguiria vê-lo como um tio se o simples toque dele faz meu sistema nervoso entrar em colapso e meu coração agir como se estivesse em uma maratona?

Mas não tive tempo para analisar meus sentimentos. Sozinha na segurança do meu quarto lindo, o ataque veio.

Não foi disparado pelo toque dele, ironicamente. Foi o alívio. O peso de saber que eu tinha sobrevivido, de saber que havia pessoas poderosas que iriam atras desse homem.

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