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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 210

Cap.17

O Código de Ética em Chamas

(POv. Átila)

Eu não dormi. Tentar dormir depois de quase desabar sobre o corpo de Katleia era como tentar ignorar um incêndio enquanto se está sentado no meio das chamas.

Cada vez que eu fechava os olhos, a sensação do meu peito contra o dela voltava, a memória da respiração dela, curta, assustada, mas tão terrivelmente viva, ricocheteando nas paredes da minha mente.

Eram 5h30 da manhã. O sol ainda era apenas uma promessa pálida no horizonte.

Levantei-me da cama com um rosnado de frustração e peguei o celular na mesa de cabeceira. Meu primeiro instinto, o mais irracional deles, foi abrir o site onde as obras de Kat X eram publicadas.

Eu dizia a mim mesmo que era "estudo de caso". Que eu precisava entender a mente daquela escritora para compreender melhor o fenômeno cultural. Mentira.

Eu estava viciado ou obcecado por aquela narrativa que parecia arrancar pedaços da minha própria realidade e transformá-los em prosa. Mas não havia nada novo. O capítulo anterior terminara em um cliffhanger que estava queimando meus neurônios.

— Droga — murmurei, jogando o celular no colchão.

Vesti uma calça de moletom cinza e uma camiseta de algodão fino, tão velha que moldava meus ombros sem esforço.

Eu precisava de café e de silêncio. Precisava me lembrar de que sou um homem de quase trinta anos, um profissional treinado, e não um adolescente esperando pelo próximo post de um blog.

Caminhei pelos corredores da Casa com passos abafados pelo tapete. A casa respirava em um ritmo lento, mas quando passei em frente à biblioteca, algo mudou.

A porta estava entreaberta, e uma luz suave escapava de lá, quem poderia estar acordado a essa hora? O sol nem mesmo raiou

Parei. Meus instintos de segurança gritaram primeiro, mas meu coração foi o que me traiu.

Katleia estava lá.

Ela estava deitada de bruços no enorme sofá de veludo esmeralda, os pés descalços balançando no ar com uma cadência distraída.

Usava uma camisola de seda clara, um tom de pérola que parecia fundir-se com a sua pele sob a luz fraca dos abajures.

O cabelo curto estava desgrenhado, fios rebeldes caindo sobre a testa, dando-lhe um ar de vulnerabilidade que era... perigoso.

Ela olhava para a tela do notebook com um sorriso que eu nunca tinha visto.

Não era o sorriso contido que ela dava na mesa, ou o sorriso tenso de quem tenta ser educada. Era uma expressão de puro deleite.

Ela suspirou, um som suave que preencheu o silêncio da sala, e mordeu o lábio inferior enquanto seus dedos voavam pelo teclado, o que poderia fazer surgir esse sorriso que era tão raro ver em uma menina que quem olhasse percebia que era retraída e fechada?

Um nó de ciúmes, frio e irracional, apertou minha garganta. Com quem ela está falando?, pensei, as mãos fechando-se em punhos nos bolsos do moletom.

Algum garoto? Algum seguidor? Ela está apaixonada por alguém atrás dessa tela? Ela? Não acredito nisso...

Eu estava tentando criar coragem de entrar, mas ela vestida daquela forma, o vestido mal cobria ate metade de suas coxas. Mas eu deveria ter entrado e perguntado o que ela fazia acordada àquela hora.

Mas eu não consegui me mexer. Meus olhos, agindo contra a minha vontade, desceram pela curva das suas costas, seguiram a linha das suas pernas e pararam na forma como a seda deslizava pelo seu corpo.

Ela era jovem, sim. Dezenove anos. Mas naquele momento, naquela luz, ela exalava uma sensualidade crua e inconsciente que me fazia sentir como o pior dos pecadores.

De repente, meu celular vibrou no bolso.

O susto quase me fez denunciar minha posição.

Retirei o aparelho e olhei para a tela. Uma notificação de Kat X: "Novo capítulo postado, O Gosto do Primeiro Amor - Ato II".

Olhei para Katleia. Ela ainda estava lá, digitando freneticamente, com os olhos brilhando de felicidade genuína.

Olhei para o celular. A coincidência era absurda, mas minha mente, entorpecida pelo desejo e pelo cansaço, não fez a conexão final. Eu só queria ler o restante daquele romance, que droga! Estou fodido mesmo, interessado em romance para adolescentes... não! Para mulheres adultas, isso aqui está com cara que vai ter depravação entre um romance proibido.

Recuei alguns passos para a sombra do corredor e abri o link, ansioso como um viciado em busca de uma dose.

O Romance: "O Gosto do Primeiro Amor"

— Você é um bom homem, Átila. Quase um tio para ela, cuidando dela assim.

A palavra "tio" soou como um insulto. Como uma sentença de morte, aquele desgraçado estava mesmo fazendo isso de proposito para me frustrar, mas... eu não vou cruzar nenhuma linha, ainda não existiu na terra homem mais centrado e controlado do que eu.

— Sim. Um tio — repeti, as palavras saindo como cinzas. — Vou tentar descansar mais um pouco.

Passei por ele sem olhar para trás e caminhei para o meu quarto. Tranquei a porta e me joguei na cama, mas a paz não veio. Peguei o celular novamente. O capítulo de Kat X ainda estava aberto.

Eu continuei a leitura. A cena ficava cada vez mais íntima. O autor descrevia a sensação das mãos do homem acariciando a pele de Eleonor sobre o tecido fino, o som dos suspiros dela, a forma como ela se moldava ao corpo dele, seus corpos se pressionando não acredito que ele vai mesmo profanar uma menina, desgraçado imoral.

E de repente, o texto desapareceu, fechei meus olhos e as palavras tornaram-se imagens.

Na minha mente, não era Eleonor e o personagem sem nome. Era eu. E era Katleia...

Eu nos via na biblioteca. Eu sentia o calor dela enquanto ela montava no meu colo, a camisola de seda deslizando para o chão. Eu sentia o gosto do seu beijo, a mistura de inocência e desejo reprimido.

Minhas mãos, as mesmas mãos que deveriam apenas protegê-la, deslizavam por sua coxa, subindo, subindo... até a borda de sua peça íntima, sentindo a umidade, o convite, o perigo.

Abri os olhos com um solavanco, meu peito arfando como se eu tivesse corrido quilômetros. O teto do meu quarto parecia estar se fechando sobre mim.

— Átila! — Minha própria voz soou estranha no quarto vazio. — Você está perdendo o controle?

Larguei o celular na mesa de cabeceira como se ele estivesse em brasa. Sentei-me na borda da cama, enterrando o rosto nas mãos.

Eu era o lobo cuidando da ovelha, Porque, por mais que eu tentasse me convencer do contrário, a imagem de Katleia no meu colo não era mais uma cena de um livro de internet.

Era o meu novo e mais aterrorizante desejo.

Eu precisava parar de ler. Precisava me afastar. Mas, enquanto o sol finalmente nascia, eu sabia que a primeira coisa que eu faria no dia seguinte seria procurar por ela. E a segunda seria verificar se Kat X havia postado um novo capítulo.

Eu estava condenado.

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