Entrar Via

Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 211

Cap.18

A chuva fina de Monselha criava um véu cinzento sobre a cidade naquela manhã.

No corredor da mansão Ponte, após se encontrar com Atila, Adon seguiu seu caminho até o escritorio encontrando William , a atmosfera era de pragmatismo sombrio.

— Então? O que descobriu sobre a tal Gildete?

— Ela tem uma rotina quase militar — William explicava, com um tablet na mão, mostrando logs de movimento para Adon. — Três empregos diferentes. Recepcionista de eventos corporativos, garçonete no Casarão Dourado. — ele fez uma pausa significativa —, que não é exatamente uma boate, é mais uma casa de encontros de alto padrão, ou seja, uma casa de prostituição só que da alta cúpula, mas ela fica só na recepção, aparentemente. E trabalha em um café orgânico nos fins de semana também.

Adon, encostado em sua mesa de mogno, franziu a testa.

— Três empregos? Por que ela trabalha tanto? Precisa de tanto dinheiro assim?

— Não sei ainda — William respondeu, deslizando a tela. — Ela gasta pouco consigo mesma. Roupas simples, transporte público. Mas há saídas regulares de quantias consideráveis da conta dela. Sempre em dinheiro, não sei se tem dividas, ela entre todas as meninas é a que vive uma vida mais modesta.

— Continue seguindo — ordenou Adon, seu instinto de líder alerta. — Descubra onde esse dinheiro vai parar. Selene confia nela, mas não podemos dar chance ao azar, veja se ela não pode trazer problemas, ainda mais se souberem de que família Selene pertence pode ser brecha para sequestros ou algo do tipo, além disso, seja o que for, não importa o que seja, se precisar se resolvido, resolva.

William assentiu, um profissional cumprindo uma ordem, mesmo que a missão de espiar uma das amigas mais próximas de Selene lhe pesasse um pouco na consciência.

Mais tarde, sob a chuva persistente, William seguiu Gildete a uma distância segura.

Ela saiu do café orgânico com uma bolsa simples e um guarda-chuva desbotado.

Seus passos eram rápidos, decididos. Ele a viu entrar em uma loja de departamentos popular, na seção infantil.

Observou, de longe, enquanto ela examinava jaquetas e calças com cuidado, comparando preços, sempre optando pelo mais barato, mas que parecesse durável.

Ela comprou duas jaquetas, três pares de calças e um pacote de meias. Nada para ela.

Logo depois, enquanto ela saía da loja, seu celular tocou. William viu a postura dela mudar instantaneamente.

Ela atendeu, e seu rosto, normalmente tão controlado e irônico, se transformou em uma máscara de pânico.

As palavras eram inaudíveis da distância, mas ele viu seus lábios formarem um "O quê?" silencioso antes de ela cortar a ligação e sair em disparada, esquecendo-se até do guarda-chuva, mergulhando na chuva.

William acelerou o passo, mantendo-a à vista. Ela pegou dois ônibus, cruzando para um bairro na periferia leste da cidade, um lugar de ruas estreitas, casas geminadas simples e o ar carregado de luta. Finalmente, ela parou em frente a uma casa de porta verde descascada e entrou sem bater.

William estacionou o carro discretamente a uma distância, aproximando-se a pé. A chuva ajudava a camuflar sua presença.

As janelas estavam fechadas, mas os gritos atravessavam as paredes finas.

— Você só atrapalha a minha vida! — a voz era de um homem jovem, rouca de raiva. — Eu não tenho obrigação nenhuma de ficar criando essas crianças! Quem tem que fazer isso é você!

A voz de Gildete, normalmente tão firme, soou estridente, desesperada.

— Se você não fosse um inútil que só sabe se meter em problemas, conseguiria, não é?! Tudo o que você faz é causar confusão e fazer dívidas, e eu que tenho que pagar!

— E você ainda reclama? — o homem gritou de volta. — Você passou anos naquele orfanato de boa, e eu aqui, me virando pra cuidar dessa praga! Não é minha obrigação!

— Eles também são seus irmãos, Leo! — Gildete gritou, o nome escorregando como uma faca. — Eu pago as contas! Eu compro a comida! Eu compro as roupas! Você só tem que estar aqui, cuidar deles! E onde está o Ryuk?

William se aproximou um pouco mais, protegido pela sombra de uma árvore. Pela janela entreaberta, viu um rapaz magro e mal cuidado, com não mais de 25 anos, Leo. Ele apontou com desdém para um corredor. No cômodo principal, duas crianças menores, um menino de uns doze anos, Cauã, e uma menina de cerca de dez, Larissa, se encolhiam no sofá, olhos arregalados de medo.

— Tá no quarto. Não tá muito bem — Leo respondeu, com um encolher de ombros que era pura indiferença.

Gildete pareceu fraquejar por um segundo.

Cap.18 1

Cap.18 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!