Cap.21 O Romance Proibido do Coração.
A tarde caía sobre a Casa da Ponte, um manto cinzento e úmido que fazia o mundo lá fora parecer distante e sonolento. No quarto de Katleia, porém, um calor diferente pairava no ar. As meninas estavam reunidas em volta da cama, como um conselho de guerreiras em tempos de paz.
Katleia, apoiada em uma pilha de almofadas, seu pé ainda enfaixado sobre o edredom, tinha um brilho novo nos olhos. Um brilho que não vinha apenas da recuperação.
— Você parece mais animada, o que foi?
— Estou escrevendo um novo romance — anunciou, sua voz um pouco tímida, mas carregada de uma excitação contida. — Estou muito inspirada.
Selene, sentada na beira da cama, sorriu, animada.
— Sério? Qual é o tema?
— É sobre… primeiro amor. Um romance… meio proibido — Katleia respondeu, desviando os olhos por um segundo. — Mas de um jeito diferente.
— Deve ser interessante! — Selene falou, genuinamente curiosa. — Já tem algo para ler?
Katleia assentiu, pegando seu laptop. Com alguns cliques, enviou um link para o grupo que tinha no celular.
— Mandei o link para vocês. É só o começo. Você pode ler e dizer o que acha — disse, dirigindo-se a Selene, mas olhando para todas. — Criei uma personagem… mas sem trauma, sabem? Queria uma moça normal, a Eleanor. E o personagem principal… não é daqueles bilionários poderosos que todo mundo escreve. É um homem com um passado… duvidoso. Com sombras. Mas que tem uma gentileza escondida. Um jeito contido.
Mima, que já estava com o celular na mão, os olhos percorrendo as linhas, sorriu.
— Já comecei a ler. E estou amando a história, Kat. A atmosfera é diferente mesmo, é bem peculiar a relação deles.
Gildete, ao lado dela, concordou, embora seu sorriso fosse um pouco mais pensativo, como se estivesse vendo coisas além das palavras.
— É verdade. Os dois têm uma química estranha, né? Sutil. Mas nenhuma de nós percebe a singularidade… — ela comentou, e as outras riram, sem pegar o duplo sentido.
As meninas ficaram mais um pouco, conversando sobre amenidades, perguntando se Katleia estava bem, se precisava de algo. Ela confirmou que estava bem, melhor do que esperava.
— Na verdade — disse ela, olhando para a tela do laptop —, quero escrever mais. Quero ver para onde esses personagens vão. Estou com a mente cheia de cenas.
Selene levantou-se, entendendo o sinal.
— Tudo bem, escritora. Vamos descer e deixar você se inspirar em paz. Não exagera, hein? Descansa o pé.
Uma a uma, elas saíram, deixando um silêncio carregado no quarto. Katleia olhou para a porta fechada, e então, sem querer, seus olhos se fixaram nela, como se esperasse que ela se abrisse. Uma imagem involuntária surgiu de Átila entrando, com sua postura ereta, seus olhos escuros buscando os dela.
Ela fechou os olhos com força, um rubor quente subindo por seu pescoço.
— Para com isso — sussurrou para si mesma, abanando a mão na frente do rosto como se pudesse dissipar o pensamento. — Para de ficar ruminando essas coisas. É só… gratidão. É porque ele é gentil.
Mas quando abriu os olhos e olhou para a tela, para as palavras que havia escrito sobre Evans, o personagem de passado sombrio e gestos contidos que fazia a protagonista se sentir vista e segura de uma forma nova, o coração deu um salto dentro do peito.
A semelhança não era acidental. Era uma cópia descarada, romantizada, mas uma cópia de Átila.
“Nunca gostei de ninguém” pensou, confusa. “Isso vai passar. É só porque ele é a primeira pessoa que me trata bem assim, que me faz sentir… protegida. É confusão.”


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!