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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 214

Cap.21 O Romance Proibido do Coração.

A tarde caía sobre a Casa da Ponte, um manto cinzento e úmido que fazia o mundo lá fora parecer distante e sonolento. No quarto de Katleia, porém, um calor diferente pairava no ar. As meninas estavam reunidas em volta da cama, como um conselho de guerreiras em tempos de paz.

Katleia, apoiada em uma pilha de almofadas, seu pé ainda enfaixado sobre o edredom, tinha um brilho novo nos olhos. Um brilho que não vinha apenas da recuperação.

— Você parece mais animada, o que foi?

— Estou escrevendo um novo romance — anunciou, sua voz um pouco tímida, mas carregada de uma excitação contida. — Estou muito inspirada.

Selene, sentada na beira da cama, sorriu, animada.

— Sério? Qual é o tema?

— É sobre… primeiro amor. Um romance… meio proibido — Katleia respondeu, desviando os olhos por um segundo. — Mas de um jeito diferente.

— Deve ser interessante! — Selene falou, genuinamente curiosa. — Já tem algo para ler?

Katleia assentiu, pegando seu laptop. Com alguns cliques, enviou um link para o grupo que tinha no celular.

— Mandei o link para vocês. É só o começo. Você pode ler e dizer o que acha — disse, dirigindo-se a Selene, mas olhando para todas. — Criei uma personagem… mas sem trauma, sabem? Queria uma moça normal, a Eleanor. E o personagem principal… não é daqueles bilionários poderosos que todo mundo escreve. É um homem com um passado… duvidoso. Com sombras. Mas que tem uma gentileza escondida. Um jeito contido.

Mima, que já estava com o celular na mão, os olhos percorrendo as linhas, sorriu.

— Já comecei a ler. E estou amando a história, Kat. A atmosfera é diferente mesmo, é bem peculiar a relação deles.

Gildete, ao lado dela, concordou, embora seu sorriso fosse um pouco mais pensativo, como se estivesse vendo coisas além das palavras.

— É verdade. Os dois têm uma química estranha, né? Sutil. Mas nenhuma de nós percebe a singularidade… — ela comentou, e as outras riram, sem pegar o duplo sentido.

As meninas ficaram mais um pouco, conversando sobre amenidades, perguntando se Katleia estava bem, se precisava de algo. Ela confirmou que estava bem, melhor do que esperava.

— Na verdade — disse ela, olhando para a tela do laptop —, quero escrever mais. Quero ver para onde esses personagens vão. Estou com a mente cheia de cenas.

Selene levantou-se, entendendo o sinal.

— Tudo bem, escritora. Vamos descer e deixar você se inspirar em paz. Não exagera, hein? Descansa o pé.

Uma a uma, elas saíram, deixando um silêncio carregado no quarto. Katleia olhou para a porta fechada, e então, sem querer, seus olhos se fixaram nela, como se esperasse que ela se abrisse. Uma imagem involuntária surgiu de Átila entrando, com sua postura ereta, seus olhos escuros buscando os dela.

Ela fechou os olhos com força, um rubor quente subindo por seu pescoço.

— Para com isso — sussurrou para si mesma, abanando a mão na frente do rosto como se pudesse dissipar o pensamento. — Para de ficar ruminando essas coisas. É só… gratidão. É porque ele é gentil.

Mas quando abriu os olhos e olhou para a tela, para as palavras que havia escrito sobre Evans, o personagem de passado sombrio e gestos contidos que fazia a protagonista se sentir vista e segura de uma forma nova, o coração deu um salto dentro do peito.

A semelhança não era acidental. Era uma cópia descarada, romantizada, mas uma cópia de Átila.

“Nunca gostei de ninguém” pensou, confusa. “Isso vai passar. É só porque ele é a primeira pessoa que me trata bem assim, que me faz sentir… protegida. É confusão.”

Foi quando a porta do quarto se abriu sem bater.

Maju entrou, com um copo de suco na mão.

— Kat, trouxe isso para você, pensei que…

Seus olhos pousaram na tela do laptop, onde a imagem de Átila em close ocupava quase todo o espaço. Maju parou, os olhos arregalando-se.

Katleia, pega em flagrante, deu um salto tão alto que quase derrubou o laptop. Seu coração disparou, não de medo, mas de puro e absoluto constrangimento.

— Não é… não é o que parece! — ela gaguejou, fechando a tela do navegador com um clique selvagem.

Maju ergueu uma sobrancelha, um sorrisinho maroto tocando seus lábios.

— E o que parece, exatamente? Você estava… admirando a vista?

— Anatomia! — a palavra saiu de Katleia como um tiro, alta e desesperada. — Estava pesquisando… anatomia! Para um personagem! Para o Evans! Precisava de… de referências! De traços fortes! De um rosto expressivo!

A desculpa era tão esfarrapada, tão obviamente falsa, que até ela mesma se sentiu ridícula. Maju riu, um som leve e divertido.

— Tudo bem, Kat. Suas referências anatômicas são muito específicas, hein? — Ela colocou o suco na mesa de cabeceira. — Mas não se preocupa, seu segredo está seguro comigo. Só não deixa o “modelo anatômico” descobrir, senão ele pode cobrar direitos autorais.

Com um último piscar de olhos cúmplice, Maju saiu, deixando Katleia encostada nas almofadas, o rosto em brasa, o coração batendo feito um tambor e a certeza de duas coisas: primeiro, que seus sentimentos por Átila estavam muito menos escondidos do que ela imaginava; e segundo, que talvez, apenas talvez, escrever sobre eles não fosse suficiente para mantê-los confinados à segurança das páginas digitais.

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