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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 217

Cap.24

Vinho, Verdades e Uma Gata Borralheira

Onze horas da noite. A Casa da Ponte estava em silêncio, apenas o tamborilar distante da chuva fina que parecia não querer cessar, no jardim, quebrava a quietude.

No quarto de Katleia, porém, o silêncio era preenchido pelo som rítmico das teclas do laptop e pela respiração concentrada de duas pessoas.

Katleia digitava freneticamente, os olhos vidrados na tela, quando a voz de Maju ao seu lado cortou o transe.

— Kat, ele vai beijar ela agora? Seus... eles estão em um romance tão intenso... — ela dizia, balançando as pernas empolgada.

Katleia parou, os dedos pairando sobre o teclado. Olhou de lado. Maju estava debruçada sobre seu ombro, os olhos arregalados e brilhantes percorrendo as linhas do documento aberto.

— Maju, você está lendo por cima do meu ombro?

— Estou acompanhando a escrita em tempo real. É como um filme, só que melhor. — A garota não desviou o olhar da tela. — Então? Vai beijar? Vai fazer coisinhas de amor?

Katleia sentiu o calor subir pelas bochechas. Fechou o laptop com um movimento rápido, fazendo Maju protestar.

— Ei!

— Você é muito nova para ler essas coisas — Katleia disse, com um tom que tentava ser firme, mas saía apenas envergonhado.

— Kat, por favor! — Maju juntou as mãos num gesto de súplica, o olhar de gatinho abandonado em potência máxima. — Me deixa ler. Eu prometo que não conto pra ninguém. Nem vou comentar nada. Só quero saber se eles ficam juntos!

Katleia suspirou, derrotada pela intensidade da garota. Abriu o laptop novamente, mas antes de voltar a digitar, lançou um olhar lateral.

— Por que você não vai conversar com o Axel? Vocês parecem próximos, você não ver ele como seu herói? Pensei que já eram amigos. Não quer passar um tempo com ele antes da viagem?

O efeito foi imediato. O brilho nos olhos de Maju apagou—se, e ela baixou a cabeça, os dedos entrelaçando-se nervosamente no colo.

— Ele… não fica perto de mim. — A voz saiu pequena, quase inaudível. — Desde que decidiu que vai embora, ele mal olha na minha direção. É como se eu fosse invisível. Ou pior, como se ele tivesse medo de me ver.

Katleia observou o perfil da garota, o queixo apoiado na mão, os olhos perdidos em algum ponto distante da parede. Ela conhecia aquele olhar. Era o mesmo que ela mesma evitava dar a certas pessoas.

— Maju…

— Mas essa história! — Maju interrompeu, forçando um ânimo que não sentia, virando-se para a tela do laptop. — Ela é tão linda, Kat. Tão romântica. O Evans, mesmo sendo todo sério e fechado, ele olha para Eleanor como se ela fosse a única coisa que faz sentido no mundo dele. — Ela fez uma pausa, os olhos brilhando de novo, mas agora com uma ternura diferente. — Eu nunca beijei ninguém. E quando leio essas cenas… parece…

— Parece nada — Katleia cortou, rápida demais, sentindo suas próprias bochechas corarem.

Maju a encarou com uma curiosidade repentina.

— Kat, você já…? Quer dizer, já ficou com alguém? Namorou? Por que fica tão envergonhada também? Suas bochechas estão queimando.

A pergunta pairou no ar. Katleia desviou o olhar para as próprias mãos.

— Não. Nunca fiquei com alguém, nunca quis me envolver ou me apaixonar. — Ela hesitou, as palavras saindo com esforço. — Até então, nunca tinha gostado de ninguém.

Maju não respondeu. Apenas assentiu lentamente, como se tivesse ouvido mais do que as palavras diziam.

Foi então que uma sombra passou rápida pela fresta da porta entreaberta.

Ambas se viraram. Maju levantou-se, curiosa.

— Quem está andando pela mansão a essa hora? — Katleia perguntou quase em pânico se levantando.

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