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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 218

Cap.25

— Senta — Gildete ordenou, apontando para o chão com a taça. — Senta e bebe.

Selene sentou-se, cruzando as pernas, e aceitou o copo que Katleia lhe ofereceu. Tomou um gole, sentindo o calor do álcool espalhar-se pelo peito.

— Então, qual é a queixa geral? — Selene perguntou, contorcendo a cara. — Um gole não deve fazer mal.

— A vida é injusta — Gildete resumiu.

— Ah... concordo, Selene comentou, analisando cada uma das meninas, até encarar Maju, percebendo-a embriagada na metade do copo. Você não pode beber, Maju.

— Foi só um... tiquinho assim... — ela fez um bico engraçado, apontando para o corpo e dando um joinha sem saber nem o que estava fazendo.

— O Axel não olha para mim, eu só queria ser amiga do meu salvador... — Maju completou, com a sinceridade instantânea de quem acabou de descobrir o efeito do vinho.

— E eu… — Katleia hesitou, olhando para o líquido rubi em sua taça. — Eu não sei o que eu sou, eu queria ser normal... viver normalmente sem medo, mas... parece que o destino quer me trancar em uma jaula para viver segura... eu só consigo viver romances escrevendo-os, eu quero sair! — ela se levantou e caiu sentada de novo por causa do pé. — quero ver homens bonitos dançando, isso vai me inspirar a escrever mais romances.

— Ah... que bom que temos você, Selene, mesmo depois de ter encontrado sua família... você não abandonou nenhuma de nós...

— Qual é, promessa é promessa, nos prometemos não nos separar jamais, certo? Não somos uma família? Até que todas se casem, não devemos abandonar uma as outras.

— Do que está falando? Quando Kat estiver bem, você tem que ir morar com seu marido, vocês já são casados!

Selene as observou, uma por uma, e algo se apertou em seu peito. Ela ergueu o copo.

— Vocês são as melhores coisas que aconteceram na minha vida. — A voz dela saiu mais embargada do que esperava. — Eu passei tanto tempo sozinha, sem saber quem eu era, sem saber que tinha vocês esperando por mim. E quando finalmente encontrei… — Ela engoliu o nó na garganta. — Vocês são minha família. Minha verdadeira família, mas Adon... ele é o amor da minha vida todinho! Também... por que não ter tudo bem pertinho? Ate mesmo a Mima, que está dormindo que nem uma pedra!

Gildete fungou.

— Selene, você é a melhor coisa na nossa vida também, sua boba.

— É verdade — Maju concordou, balançando a cabeça com tanta ênfase que quase tombou para o lado. — Você salvou a gente. Salvou todo mundo.

— Não fui nada sem vocês — Selene insistiu, os olhos marejados. — Eu não era nada. Só uma menina perdida procurando respostas. Vocês são o que me deu coragem.

— Para de ser melosa — Gildete resmungou, mas seus olhos também estavam úmidos.

Elas ficaram em silêncio por um momento, cada uma perdida em seus próprios pensamentos embaçados pelo vinho. A garrafa estava quase no fim. Maju já estava com as bochechas coradas e um sorriso permanente nos lábios. Gildete parecia ter esquecido por que estava triste.

Katleia sentia o mundo levemente inclinado, mas de um jeito estranhamente agradável.

Foi quando a porta se abriu com um ímpeto súbito.

Adon entrou na biblioteca como um pai que acabou de descobrir uma festa teen em seu porão.

Seu olhar percorreu a cena, a garrafa vazia, os copos espalhados, quatro mulheres cambaleantes sentadas no tapete. Sua expressão era de puro choque.

— Adon! — Selene soluçou com o susto, a taça quase escapando de sua mão. Ela tentou endireitar a postura, mas seu corpo parecia ter perdido a noção de verticalidade. — Eu… eu não bebo. Jamais.

Ela riu, um riso fofo e bêbado, completamente não-convincente.

Adon estreitou os olhos.

— Você está bebendo, se Guilhermina não avisasse para vir te buscar quantas garrafas iam beber até desmaiar?

— Estou não. — Ela escondeu o copo atrás das costas, como uma criança de cinco anos. — É suco. Suco de uva fermentado e tem mais duas garrafas de uva esperando.

— Selene.

Cap.25 1

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