Cap.26
O Peso de Dezessete Anos
O corredor da Casa da Ponte parecia interminável.
Axel conduzia Maju com uma mão firme em seu ombro, mantendo-a ereta enquanto ela cambaleava ao seu lado como um barquinho em mar revolto.
Seu corpo estava tenso, cada múscculo preparado para o momento em que ela inevitavelmente tropeçasse.
Ele mantinha a distância máxima possível que ainda permitisse mantê-la em pé: um palmo, talvez dois. Nada além disso.
— Eu nem estou bêbada — Maju declarou, sua voz arrastada e ofendida, como se a própria sugestão fosse um insulto pessoal. — Foi só uma tacinha. Uma. Pequena.
— Você tem dezessete anos — Axel respondeu, o tom de repreensão mal disfarçando a exasperação. — Nem deveria ter provado.
— Dezessete e dez meses — ela corrigiu, erguendo o dedo indicador com a solenidade de quem apresenta uma prova judicial. — Quase dezoito. Quase adulta.
— Quase não é dezoito, e dezoito não é adulta!
Ela parou subitamente no meio do corredor, fazendo com que Axel quase perdesse o equilíbrio ao tentar não colidir com ela. Seus olhos, marejados de uma tristeza repentina e desproporcional, encontraram os dele.
— Eu sei — disse ela, a voz pequena, embargada. — Eu sei que eu só tenho dezessete anos.
Uma lágrima teimosa escapou pelo canto do olho, traçando um caminho lento por sua bochecha corada.
— Não posso beber. Não posso fazer nada. Não posso nem… nem te segurar. Pra você não ir embora.
O corredor ficou subitamente muito silencioso.
Axel a encarou, o rosto numa luta visível entre a contenção e algo mais profundo que ele tentava desesperadamente manter enterrado. Sua mão ainda estava no ombro dela, mas agora parecia pesar uma tonelada.
— Menina… — a palavra saiu rouca, quase um sussurro. — O que você está falando, que droga?
— Não quero que você vá embora. — A voz dela se quebrou no final, transformando-se em um fio de choro contido. As lágrimas agora caíam livremente, e ela nem tentou enxugá-las. — Você vai ficar tanto tempo longe… e quando voltar, vai ser diferente. Você pode até já estar casado, vai ter uma vida inteira lá fora, e eu… eu vou ser só a mesma menina boba que ficou esperando.
Axel fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, havia uma tempestade neles que ele não conseguia mais esconder completamente.
— Eu tenho que ir, Maju. Além disso, dois ou três anos não são dez anos. — Sua voz estava controlada, mas havia uma tensão nela, como a corda de um violino prestes a se romper. — E, além disso… daqui a alguns anos você vai se apaixonar por alguém da sua idade, alguém que faça sentido, e vai perceber que esse sentimento agora… — Ele hesitou, as palavras custando a sair. — É só porque você me viu te salvar. Está encantada, coisa de criança, só isso. Em outra ocasião, você não se interessaria por um homem mais velho assim. Então se comporta.
— Eu não quero me comportar.
A resposta foi imediata, desafiante, embora sua voz ainda tremesse. Maju ergueu o queixo, os olhos vermelhos e molhados fixos nos dele com uma intensidade que parecia completamente desproporcional à sua fragilidade momentânea.
— Eu quero que você fique. — Ela agarrou a manga do casaco dele com os dedos trêmulos. — Eu prometo que não vou gostar de você, Axel. Juro. Não vou atrapalhar sua vida, não vou esperar cartas, não vou… não vou fazer nada. Só não vai embora. Fica aqui. Fica perto.
O nó na garganta de Axel era físico, quase doloroso. Ele a observou implorar para ficar perto dele sob a condição absurda de não sentir nada, quando ele já sentia e estava fugindo.
— Maju…
Ela abriu a boca para responder, mas, em vez de palavras, o que saiu foi um soluço cansado. Seus olhos reviraram lentamente, e seu corpo, que já pendia perigosamente, simplesmente… cedeu.
— MAJU!
Axel a segurou antes que ela atingisse o chão. Suas mãos encontraram sua cintura no último segundo, puxando-a contra si com uma força que veio do pânico puro.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!