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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 221

Cap.28

A Descoberta de Uma Noite

Pov Atila.

A biblioteca estava silenciosa quando entrei, exceto pelo som de vidro tilintando e passos abafados no tapete. William recolhia os vestígios da noite, copos, uma garrafa vazia, almofadas caídas no chão. Parecia exausto, mas eficiente, como sempre.

— Já vou dormir — ele disse, sem me olhar. — O resto é com você.

Ele saiu antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, levando consigo uma das garrafas e o ar de mistério que sempre o acompanhava ultimamente.

Meu olhar varreu a sala até encontrá-la.

Katleia estava deitada no sofá, os braços abertos como uma estrela-do-mar, os olhos vidrados no teto.

Um sorriso bobo e desfocado brincava em seus lábios. Ela parecia ver estrelinhas onde só havia madeira escura e sombras tava completamente fora de orbita.

Aproximei-me lentamente, observando-a. Seus cabelos curtos estavam desalinhados, uma mecha loira caída sobre os olhos. O pé enfaixado estava apoiado numa almofada, mas o resto do corpo parecia ter declarado independência da gravidade.

— Quanto você bebeu? — perguntei, sentando-me na borda do sofá.

Ela virou a cabeça na minha direção com um esforço visível, os olhos demorando um segundo a mais para focar em mim.

— Duas taças — respondeu, com um orgulho desproporcional à quantidade.

Soltei uma risada curta, incrédula.

— Duas taças? Você ficou bêbada com duas taças?

— Foi vinho — ela explicou, como se isso justificasse tudo. — Vinho de verdade. Dos fortes.

— Katleia. — Minha voz adquiriu um tom mais sério. — Você está tomando medicação. Ansiolíticos. Não pode misturar com álcool. Por que fez isso?

Ela franziu o nariz, uma expressão infantil e ao mesmo tempo desafiadora.

— Porque eu não ia dar conta dele.

— Dar conta de quem?

— Do dia. Das coisas. Da… — Ela fez um gesto vago com a mão, que podia significar tudo ou nada. — Da vida.

Respirei fundo, controlando a irritação que era, na verdade, preocupação disfarçada.

— Levanta. Vamos para o seu quarto.

— Não.

A resposta foi imediata, teimosa.

— Katleia.

— Eu sou criança por acaso? — Ela sentou-se de repente, com uma rapidez que a fez cambalear. — Você tá me dando ordens como se eu fosse…

No movimento de se levantar, ela bateu o pé machucado na borda da mesinha de centro.

— AI!

O grito foi seguido por um gemido de dor aguda, e ela caiu de volta no sofá, segurando o tornozelo enfaixado com as duas mãos, os olhos arregalados e marejados.

Minha expressão mudou instantaneamente. A irritação deu lugar a uma preocupação absoluta.

Ajoelhei-me diante dela, afastando suas mãos com cuidado para examinar o pé.

— Deixa eu ver. Bateu forte? O que você sente? A dor é no osso ou no músculo?

— Dói… — ela gemeu, a voz pequena.

Sentei-me no sofá ao lado dela e, com uma delicadeza que surpreenderia qualquer um que me conhecesse, coloquei o pé dela sobre meu joelho. Comecei a massagear suavemente a região ao redor da enfaixadura, meus dedos pressionando com cuidado para avaliar a extensão do dano.

— Foi aqui? — perguntei, tocando um ponto específico.

Ela gemeu baixinho.

— Aí… sim... bom...

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