Cap.31
POv atila.
Quando abri os olhos, ela estava vermelha. Muito vermelha. Um rubor que subia do pescoço até a raiz dos cabelos, iluminando seu rosto como um sinal de alerta.
— Você… — ela começou, mas não terminou.
— Vai dormir, Katleia. — Minha voz estava rouca, instável. — Agora. Eu tenho… coisas para resolver.
Saí do quarto antes que ela pudesse responder, antes que eu pudesse fazer algo ainda mais irreversível.
Fechei a porta atrás de mim e encostei a testa na madeira fria, respirando fundo.
— Que desgraça — murmurei para o corredor vazio. — Tô me sentindo assediado e ainda de pau duro com os assédios. Que caráter de merda o meu.
Empurrei o corpo da porta e caminhei em passos largos até meu quarto direto para o banheiro.
A água fria do chuveiro atingiu minhas costas como um choque, mas não foi suficiente. Nada seria suficiente depois daquela noite.
Fechei os olhos, e a imagem dela veio imediatamente. Katleia à minha frente, as mãos no meu peito, os lábios percorrendo minha pele.
O calor do seu corpo contra o meu, mesmo sem toque. O som da sua respiração, o brilho nos seus olhos quando disse que eu era lindo.
A mão desceu.
E na minha mente, a cena continuou.
Ela está deitada na cama, e eu estou sobre ela. Finalmente. Minhas mãos, livres agora, percorrem seu corpo com a fome de quem passou fome a vida inteira.
A curva da cintura dela se encaixa perfeitamente nas minhas palmas. A pele dela é macia, quente, viva sob meus dedos, consigo imaginar cada centímetro do seu corpo sem roupa facilmente.
Abaixo a cabeça e beijo seu pescoço, a clavícula, o espaço entre seus seios. Ela arqueia as costas, um gemido baixo escapando de seus lábios. Eu quero ouvir mais. Quero ouvir todos os sons que ela pode fazer.
Ela está nua. Eu estou nu. Não há mais barreiras, não há mais distância, não há mais interesse clínico. Há apenas ela e eu e o que sentimos.
Até que o êxtase veio, violento e libertador, sacudindo meu corpo num espasmo longo que me deixou ofegante, encostado na parede do box, a água fria ainda escorrendo pelas costas.
Fiquei ali por um longo tempo, recuperando o fôlego. Os punhos cerrados. A testa apoiada no azulejo.
— Desgraçado — a voz saiu num sussurro rouco, cheio de desprezo por mim mesmo. — Você não estava tentando fugir disso? Olha onde foi parar.
A água continuava a cair, fria e implacável, mas não lavava a culpa. Não lavava o desejo. Não apagava a verdade inegável que eu vinha tentando negar desde o primeiro momento em que a vi na biblioteca.
Eu não queria tratá-la.
Eu queria ela. Todos os pedaços. Até os quebrados. Talvez especialmente os quebrados.
E isso me tornava o pior tipo de monstro.
Desliguei o chuveiro e fiquei parado no escuro do box, a água escorrendo do meu corpo, os olhos fechados.
Lá fora, a chuva continuava a cair sobre a Casa da Ponte. E dentro de mim, uma tempestade muito mais perigosa estava apenas começando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!