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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 227

Cap.34

O Experimento e a Coragem Líquida

Pov. Atila

— Tudo bem — a voz dela saiu num sussurro, mas firme. — Eu topo. Mas… não sei o que fazer.

Levantei-me da poltrona, um plano já se formando na mente. Ou pelo menos o esboço de um plano. Algo entre a terapia e uma loucura completa, ou completa loucura, porque minha mente está insistindo que eu estou fazendo merda, uma grande merda.

— Espera aqui.

Desci as escadas até o porão da mansão. Lugar sombrio, cheio de móveis antigos cobertos por lençóis empoeirados e caixas esquecidas.

Mas eu sabia o que procurava. Havia visto, numa das minhas inspeções de segurança, um baú com objetos antigos. Entre eles…

Encontrei. Cordas. resistentes, daquelas de navio, mas macias o suficiente para não machucar a pele.

Peguei também uma poltrona antiga que estava num canto, pesada, de madeira maciça, com braços largos e uma estrutura sólida que não iria a lugar nenhum.

Arrastei a poltrona escada acima com um esforço que fez meus músculos protestarem. Droga, como aquilo era pesado, mas eu queria montar um cenário e aquela poltrona e os braços dela eram perfeitos.

Quando cheguei à biblioteca, Katleia me olhava com uma expressão que era metade curiosidade, metade apreensão.

Eu devia estar um espetáculo, suando, a camisa desalinhada, arrastando um móvel do século 18 como se fosse um carrinho de supermercado.

— O que… o que é isso? — ela perguntou, levantando-se do sofá.

— Paciência.

Posicionei a poltrona no centro da sala, sob a luz mais forte. Ajustei-a, testei a estabilidade. Sólida. Perfeita.

Sentei-me nela e, antes que pudesse pensar duas vezes, peguei as cordas e as entreguei a ela.

— Pronto.

Ela olhou para as cordas em suas mãos, depois para mim, depois para as cordas novamente.

— O quê?

— Para eu não te tocar — expliquei, com uma calma que estava longe de sentir. — Você pode me amarrar. Assim, o controle é totalmente seu, ontem você criou liberdade quando sentiu que eu não poderia te tocar, torne isso real, não só por que eu escolher obedecer mas porque você impôs, quero ver qual sua reação em saber que não posso mesmo que eu quisesse. Você decide a distância, o contato, tudo. Eu fico imobilizado. Você testa o que te deixa confortável.

Ela ficou paralisada, os olhos arregalados.

— Eu não vou te amarrar! Isso é absurdo demais...

— Katleia, é só uma brincadeira. Um experimento controlado. — Tentei soar tranquilizador. — Você no comando. Eu sem poder fazer nada. Não é exatamente o oposto de tudo o que você viveu? É isso que eu quero experimentar e tirar uma conclusão.

Ela mordeu o lábio, pensando. A hesitação ainda estava lá, mas algo brilhou em seus olhos, uma centelha de interesse, de curiosidade, de desafio.

Pensando bem, quem diabos em sã consciência inventaria uma merda dessa, mas... vamos lá. Tudo pelo paciente, certo?

— Tá — ela disse finalmente, e a palavra saiu mais firme do que eu esperava.

Ela se aproximou, as cordas nas mãos. Seus dedos roçaram meu pulso quando começou a amarrar, e eu senti o formigamento familiar, aquele que vem me atormentando desde a primeira vez que a segurei no colo.

Ela trabalhava com uma eficiência surpreendente. Os nós surgiam sob seus dedos com uma precisão que me fez erguer as sobrancelhas.

— Você é boa nisso — comentei, genuinamente impressionado.

Ela sorriu, um sorriso pequeno, mas havia algo diferente nele. Algo mais… confiante.

— É. Sempre fui, depois de um tempo eu tive que aprender a desamarrar essas coisas, para ter um pouco de alivio.

— Tem a ver com seu passado?

Ela deu o nó final no meu outro pulso, prendendo-me firmemente ao braço da poltrona. Seus olhos encontraram os meus, e pela primeira vez naquela noite, não havia medo neles. Havia algo elétrico, vibrante, quase selvagem.

— Nunca pensei muito sobre isso — ela disse, a voz um pouco mais baixa. — Mas pensando agora amarrar alguém… me faz sentir algo bom. É como… êxtase. Adrenalina no sangue.

Minha respiração prendeu por um segundo. A imagem dela, ali, com as cordas nas mãos, aquele brilho nos olhos, dizendo aquelas palavras… Era perturbador e fascinante ao mesmo tempo, bom... até aqui nada de errado aconteceu e ela sã não tem perigo algum.

— Interessante — consegui dizer, a voz saindo mais rouca do que o normal.

Ela terminou o último nó, prendendo meu tornozelo à perna da poltrona, o que não estava no plano, mas parece que ela se empolgou na brincadeira, mas tudo bem, ela so tem que estar sã.

Dei uma testada, não conseguia me mexer quase nada. Ela havia feito um trabalho impecável.

Ficamos assim por um momento. Ela de pé diante de mim, eu amarrado na poltrona. O controle, pela primeira vez, era totalmente dela.

E então, a expressão no rosto dela mudou.

O brilho diminuiu. Os ombros se curvaram ligeiramente. Ela deu um passo para trás, depois outro.

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