Cap. 35
O Peso do Desejo e o alívio do esquecimento.
Pov atila.
Ela estava no meu colo. E pela primeira vez desde que essa loucura começou, eu não sentia excitação.
Sentia medo e medo surreal do que ela poderia fazer porque eu cometi a gafe de inventar esse tratamento que já começou sendo um fiasco.
Mas também estava começando a sentir medo de mim mesmo, Do que eu seria capaz se ela continuasse. Do que aconteceria se alguém entrasse. Do abismo que se abria entre o que eu deveria fazer e o que eu queria fazer.
Mas então, algo mudou no rosto dela.
O sorriso bêbado vacilou. Os olhos, que brilhavam com aquela coragem líquida, encheram-se de lágrimas. Seu corpo, que estava tão confiantemente apoiado no meu, começou a tremer.
— Por que você tratou nosso beijo com indiferença? — a voz dela saiu num fio, embargada, infantil. — Eu te beijei tantas vezes… tantas… e você me tratou como uma mera paciente, porque você é sempre frio e distante?
— Katleia…
— Eu te odeio, Átila! — Ela bateu no meu peito com os punhos fechados, um golpe fraco, sem força. — Mas ainda assim… — As lágrimas escorriam agora, lavando o rubor do vinho. — Ainda assim eu quero ver seu corpo bonito. Quero… quero sentar em você.
Meus olhos quase saltaram das órbitas.
— Epa! Olha lá! Como assim "sentar"?
Ela não respondeu. Apenas se inclinou e, num movimento que parecia tão natural quanto respirar, sentou-se no meu colo.
O ar saiu dos meus pulmões num golpe. O peso dela, o calor, a forma como seu corpo se encaixava no meu, tudo era ao mesmo tempo perfeito e aterrorizante. Suspirei, tentando me convencer de que conseguiria controlar a situação.
Até ela beijar minha bochecha.
O beijo foi suave, quase inocente. Mas a mão dela, que deslizou pelo meu peito logo em seguida, não tinha nada de inocente.
Seus dedos percorreram cada linha do meu torso através da camisa, explorando, descobrindo, provocando.
Ela recuou o rosto apenas o suficiente para me olhar. Um sorriso bêbado, lento e cheio de malícia, surgiu em seus lábios, ela se esfregou em meu colo pressionando algo que não deveria...
— Você tá duro de novo — ela constatou, com a mesma naturalidade com que comentaria o tempo. — Seu pervertido.
Soltei uma risada seca, incrédula.
— Nunca mais eu confio em você.
Ela soluçou, um som que era metade choro, metade riso.
— Mas eu gosto de você. Então a culpa é sua.
Meu coração deu um salto.
— Você gosta de mim?
Ela confirmou com a cabeça, um movimento lento e solene, enquanto sua mão subia para acariciar meu rosto.
Seus dedos traçaram a linha da minha mandíbula, a curva dos meus lábios, a asa do meu nariz.
Havia uma ternura naquele toque que contrastava violentamente com a situação e do peso dela contra meu membro.
— Tô me apaixonando por você — ela confessou, a voz embargada. — Gosto do seu corpo forte. De cada linha do seu abdômen. — Ela pressionou a mão sobre minha camisa, como se pudesse sentir os músculos através do tecido. — Até escrevo sobre você.
Minha testa franziu.
— Escreve?
Ela colocou um dedo sobre meus lábios, num gesto de segredo.
— Silêncio! — Ordenou, num sussurro dramático. — Eu vou me aproveitar de você, ok?
Balancei a cabeça, um sorriso involuntário surgindo em meus lábios.
— Assim não… me desamarra, e controlamos isso do jeito certo, se quer, eu deixo, mas assim não, assim eu não sei o que você vai aprontar de verdade, ainda mais se esfregando bem lá... — protestei e um arfa escapou com o movimento dela.
Ela riu, um som cristalino e bêbado, e sua mão desceu. Deslizou pelo meu peito, pelo meu abdômen, e parou. Bem ali.
Sobre o volume que minha calça não conseguia mais disfarçar.
Eu me contorci na cadeira, puxando as cordas com uma força que fez meus pulsos arderem.
— Por que você deu tantas voltas na corda? — a pergunta saiu num gemido de frustração.
Ela inclinou a cabeça, seus olhos fixos nos meus com uma lucidez perturbadora para alguém tão bêbada.
— Assim como eu não conseguia escapar — ela disse, a voz mais grave — você também não vai.
A visão escureceu nas bordas por um segundo. O instinto mais primitivo gritou dentro de mim, e as palavras escaparam antes que eu pudesse controlá-las, como ela ousa querer me controlar assim? Eu... não tem nada que eu mais odeie do que alguém me impondo limites e tentando me fazer me prostrar.
— Quem não vai escapar é você, quando eu estiver debaixo da sua saia, sua filha da puta, sabe com o que está brincando, Katleia!

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!