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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 235

Cap.42

O Código de Ética Pendurado pelo Cinto

Ponto de Vista: Átila

Eu sempre me orgulhei do meu autocontrole. Em situações de combate, sob interrogatório ou em negociações com os piores cartéis do leste europeu, meu batimento cardíaco raramente ultrapassava os oitenta batimentos por minuto.

Mas ali, na biblioteca da Casa da Ponte, amarrado a uma poltrona de couro enquanto uma menina de dezenove anos com hálito de Malbec tentava abrir minha calça, eu senti que o meu sistema nervoso estava prestes a entrar em curto-circuito.

— Eu não vou mais testar isso com você. Você não obedece às regras. Foi meu erro, um erro crasso. Eu deveria ter deixado outra pessoa acompanhando a sessão.

— Você disse que era meu namorado — ela sussurrou enquanto o desgraçado do adon tava petrificado tentando entender, os olhos dela nublados e brilhantes, fixos nos meus. — Eu gosto tanto de você, Átila. Não vou terminar nunca. E você... você não pode terminar comigo de jeito nenhum. Você deu sua palavra.

Encarei-a seriamente, meus músculos retesados contra as cordas.

— Um mafioso nunca quebra sua palavra, Katleia. Mas isso aqui... isso ultrapassou qualquer limite terapêutico.

Ela sorriu, um sorriso que era metade inocência e metade puro pecado.

— Então você é o meu mafioso preferido.

— Por que você é tão pervertida assim? — perguntei, metade chocado, metade fascinado pela audácia dela.

— Ok... eu não tenho ideia do que esta acontecendo... — adon murmurou pensando se se aproximava ou não.

Katleia parou por um segundo, balançando a cabeça de um lado para o outro como se tentasse organizar os pensamentos.

— Isso me deixa... inspirada. Para escrever.

Meu coração deu um solavanco.

— Como assim? O que você escreve, Katleia?

— Ah... um romance ali, um romance aqui... — ela respondeu com um gesto vago das mãos. — Histórias onde o amor pode acontecer, mesmo no escuro.

— Eu não sabia que você era escritora... — murmurei, tentando cavar mais fundo.

— Eu quero ver você pelado — ela declarou com a confiança de quem acabou de ganhar na loteria.

— Não, você não quer! — exclamei, forçando as cordas até que os pulsos ardessem. — Katleia, solta esse cinto! ADON! Pode tirar ela de cima de mim agora!

— O que em nome de todos os santos está acontecendo aqui? — Adon perguntou, a voz oscilando entre o choque e a vontade de rir.

— Tira ela de cima de mim! Agora! — gritei, vermelho como um pimentão.

Adon, tentando manter a face de mafioso durão, aproximou-se e segurou Katleia pelos ombros, levantando-a com facilidade. No momento em que ele a colocou no chão, ela pareceu vacilar por um segundo, mas então seus olhos se focaram em Adon.

Ela o olhou de cima a baixo. Um sorriso lento e predatório surgiu em seu rosto, ah... não! Nem pensar!

— Você também é lindo — ela disse, a voz subindo uma oitava. — E tem um corpo lindo!

Adon congelou. O homem que não temia balas recuou um passo.

— Parece que sim — Selene respondeu, segurando Katleia pelos braços com firmeza, mas com carinho. — Sinto muito, Adon. Ela não pode beber sem as meninas por perto... se não, ela tem esses surtos de... "apreciação estética".

Adon limpou o suor da testa, ainda trêmulo.

— Surtos? Ela quase me arrancou a pele com os olhos! Eu... eu me sinto realmente assediado sem nem ter sido tocado, que tipo de monstros vocês estão escondendo nessa mansão?

— Selene — eu disse, tentando recuperar o pouco de dignidade que me restava enquanto ainda estava preso, Katleia me paga pela humilhação. — Quero conversar com você depois. Preciso entender essas reações da Katleia. Isso não é normal.

Selene fez uma breve reverência, o olhar um pouco culpado.

— Em parte é culpa minha e das meninas, Átila. Nós... nós incentivamos um pouco demais a imaginação dela. Vou contar os detalhes depois.

Selene e Gildete levaram Katleia, que ainda tentava olhar para trás e mandar beijos para os "homens lindos". O som de suas risadas desapareceu pelo corredor, deixando para trás um silêncio sepulcral e constrangedor na biblioteca.

Adon permaneceu parado perto da porta por um longo tempo, recompondo o terno. Então, ele caminhou lentamente até mim.

Em vez de me desamarrar imediatamente, ele puxou uma poltrona, sentou-se de frente para mim e cruzou as pernas.

— Agora... — ele começou, a voz voltando ao tom frio e autoritário de sempre, embora houvesse um brilho de deboche no fundo dos olhos. — Você vai me contar o que diabos está rolando aqui, Átila. Por que você está amarrado? E que história é essa de "namoro de tratamento"?

Olhei para os nós em meus pulsos e depois para o meu melhor amigo.

— É uma longa história, Adon. E você vai precisar de um uísque bem forte para acreditar nela.

— Eu tenho tempo — ele respondeu, sorrindo de lado. — E, sinceramente? Ver você nessa situação valeu cada segundo da humilhação que eu passei fugindo daquela garota. — ele riu incrédulo, mas me desamarrar que é bom...

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