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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 240

Capítulo 47: A Sombra no Café

O quarto de Katleia estava com as cortinas fechadas, a luz do dia cuidadosamente bloqueada como se pudesse também bloquear a vergonha que a consumia.

Ela estava enrolada nas cobertas, apenas os olhos aparecendo, quando Selene entrou sem bater — liberdade de irmã.

— Levanta — Selene ordenou, puxando o edredom com força. — Vamos sair.

— Não.

— Sim.

— Não.

— Katleia, você não vai passar o resto da vida escondida porque deu em cima do seu terapeuta.

Katleia enterrou o rosto no travesseiro com um gemido abafado.

— eu assediei um homem e sabe lá as coisas que eu faria se ninguém impedisse, você entende?.

— E ele continua vivo, não continua? E continua vindo aqui fazer suas sessões? Então não foi tão grave assim.

— Você não entende.

— Entendo perfeitamente. — Selene sentou na cama, puxando os cabelos loiros de Katleia para tirá-los do travesseiro. — Aliás, o Adon sabia que você estaria assim. Por isso não ficou na mansão hoje. Para você se sentir mais confortável.

Katleia ergueu a cabeça, surpresa.

— Ele fez isso?

— Ele disse: "Sua amiga vai precisar de espaço depois do constrangimento. Melhor eu sumir hoje." — Selene sorriu. — Ele é um chato ciumento, mas tem suas qualidades.

— Ainda não vou.

— Vai, sim. Chá das cinco no centro. Só nós, as meninas. Um café fechado, só para a gente. Sem risco de ninguém estranho.

Katleia hesitou. A ideia de sair, de ver gente, de enfrentar o mundo depois daquela noite era aterrorizante. Mas ficar trancada, remoendo cada detalhe do que fizera com Átila, era pior.

— Tá — murmurou, finalmente. — Mas se eu quiser voltar, a gente volta.

— Combinado.

[...]

O café "Petit Palais" era um oásis de civilidade no coração da cidade. O aroma de grãos torrados e baunilha misturava-se ao som suave de um piano de cauda ao fundo. Selene escolhera o lugar a dedo: mesas largas de mármore, luzes quentes e uma distância segura entre os clientes. Era o cenário perfeito para uma tarde "normal".

À mesa, o clima era de uma leveza rara. Gildete, com seu espírito indomável, gesticulava enquanto narrava um desentendimento que tivera com um fornecedor na manhã.

— E eu disse a ele: "Meu caro, se você acha que pode me entregar linho sintético e cobrar preço de egípcio, você não conhece meu trabalho como supervisora, mas na verdade eu só estava fazendo serviços gerais ali, ne verdade eu sempre acabo aprontando algumas coisas ali, mas... é um lugar bom para conseguir tecidos de qualidade já que Maju está começando a aprender corte e costura.

— Isso não vai trazer problemas? — Maju perguntou.

— Nada, relaxa, estou investindo na minha futura estilista, da mesma forma que investimos na nossa escritora de sucesso.

Katleia sorriu. Um sorriso real, que alcançava os olhos. Por um momento, o peso da Casa da e as sombras de Átila pareciam pertencer a outra vida.

— Em breve terá um evento dedicado a meus livros, seria bom ter vocês ao meu lado.

— Seria maravilhoso, Kat. Você tem um gosto impecável.

A conversa continuou, fluida e doce, até que a quantidade de chá ingerida cobrou seu preço. Katleia sentiu a bexiga pressionar.

— Meninas, eu vou ao banheiro rapidinho — avisou, começando a se levantar.

Selene imediatamente ficou em alerta, o olhar percorrendo o salão.

— Quer que uma de nós vá com você, querida?

— Não precisa — Katleia riu, tentando demonstrar a independência que Átila tanto incentivava. — É logo ali o corredor depois daquela pilastra. Eu não vou me perder.

Ao deixar a mesa, Katleia sentiu-se vitoriosa. Caminhar sozinha em um lugar público era um passo gigantesco.

la atravessou o salão principal. Mas, à medida que se afastava do calor das meninas e entrava no corredor que levava aos toaletes, o som do piano tornou-se abafado e o ar pareceu esfriar.

O corredor era estreito, decorado com espelhos de molduras douradas. No meio do caminho, um homem estava parado de costas, encostado na parede, falando ao telefone.

Katleia diminuiu o passo.

O homem era alto. Magro. Usava um sobretudo escuro que parecia pesado demais para a estação. Ele falava baixo, mas a cadência da sua voz... era arrastada. Áspera.

“Sim... eu já disse que vou resolver... ela não vai a lugar nenhum...”

Katleia travou. O chão sob seus pés pareceu liquefazer-se.

A "singularidade" daquele homem a atingiu como um soco no estômago.

Não era apenas o porte físico; era a aura. O modo como ele inclinava a cabeça enquanto ouvia o telefone, o jeito que os dedos longos tamborilavam na parede.

Era ele. O fantasma do seu passado. O tio.

Sua visão começou a escurecer nas bordas. O oxigênio tornou-se sólido, impossível de engolir. O medo, aquele velho conhecido, subiu por sua espinha, gelando cada vértebra. Ela estava presa em um túnel do tempo, onde os abusos de anos atrás eram o presente.

Ela tentou recuar, mas seus pés estavam pregados ao mármore.

O homem desligou o telefone e começou a se virar. Katleia soltou um suspiro engasgado e cambaleou para trás, chocando-se contra algo sólido e quente.

Um par de mãos fortes segurou seus ombros, impedindo-a de cair.

— O que pensa que está fazendo, garota? — A voz era grave, impaciente.

Katleia girou a cabeça, o pescoço estalando de tensão. Era Adon. Ele estava ali, provavelmente vigiando o perímetro de forma discreta, mas sua expressão era de puro descontentamento. Ele a encarava de cima, as sobrancelhas unidas.

— Adon... — ela sussurrou, a voz sumindo. Ela agarrou as mangas do paletó caro dele com uma força que o fez franzir o cenho. — Ele... ali...

Adon olhou por cima da cabeça dela para o homem no corredor. O desconhecido apenas guardou o telefone e passou por eles, lançando um olhar curioso e confuso para a cena de Adon segurando uma garota pálida e trêmula.

— É só um homem comum, Katleia — Adon disse, sua voz soando como um trovão controlado. — Solte minha roupa, você vai amassar o tecido.

Mas Katleia não soltou. Ela estava em pleno colapso.

O toque de Adon, embora fosse para sustentá-la, no meio do pânico, parecia apenas outra forma de restrição.

Suas pupilas estavam dilatadas, o coração batendo tão forte que Adon podia sentir a vibração através das mãos.

— Tudo bem, tudo bem. Só queria ajudar. Não precisa dessa agressividade.

Enquanto se afastava, o homem resmungou para si mesmo, mas alto o suficiente para que os ouvidos treinados de Átila captasse.

— Que louca. Como deixam uma pessoa assim sair na rua e estragar o café dos outros?

Átila deu um passo à frente, os tendões do pescoço saltando. A fúria predatória emanava dele como calor de uma fornalha. Ele estava pronto para quebrar aquele homem em pedaços diante de todos.

Foi quando uma mão tocou seu ombro. William.

— Não — William disse baixinho, sua voz sendo a única coisa capaz de penetrar a névoa de sangue de Átila. — Não vale a pena. O objetivo hoje é levá-la para casa em segurança. Não atraia a polícia.

Átila respirou fundo, fechando os punhos com tanta força que as juntas estalaram. Ele olhou para Katleia, que ainda tremia, sendo amparada por Selene.

— é melhor irmos embora desse lugar.

Átila respirou fundo, forçando os músculos a relaxarem. Voltou-se para a mesa, onde Katleia ainda tremia, amparada por Selene e Gildete.

A atmosfera no "Petit Palais" ainda vibrava com a eletricidade estática do surto de Katleia. Enquanto Selene tentava acalmá-la, Átila, parado a poucos passos, mantinha os ouvidos atentos. Ele era um homem treinado para captar nuances, e uma palavra específica cortou o barulho de louça quebrada e conversas sussurradas como uma lâmina.

— Katleia, afinal... aquele homem é parecido com seu tio?

— não sei... foi os gestos, eu acabei justando as aparências, mas depois na conversa dele me fez lembrar de outra pessoa mesmo que eu nunca tenha visto.

— que outra pessoa?

— O hater — Katleia sussurrou para Selene, com os olhos perdidos. — O homem que me persegue online... pensar nele me deixou em pânico igual ao meu tio.

Átila sentiu um frio súbito na espinha.

— Do que vocês estão falando? — A voz dele era um comando, não uma pergunta. — Que história é essa de "Hater"?

Selene olhou para ele, hesitante, apertando a mão de Katleia com mais força.

— É uma longa história, Átila. Não é o momento.

— Eu decido o momento — rebateu ele, os olhos fixos em Katleia, que parecia murchar sob o escrutínio. — Katleia também é perseguida por um hater? Alguém está ameaçando ela?

Selene suspirou, lançando um olhar de aviso para Adon, que observava tudo de braços cruzados.

—Tem um homem que passou dos limites. Ele envia mensagens de ódio, disseca o que ela escreve com uma maldade que parece pessoal, mas Os Bertans estão investigando a origem dos IPs. Ele é bom em se esconder, parece que tem conhecimentos avançados em informática.

Átila sentiu o estômago dar um solavanco. Um hater. Alguém que enviava mensagens de ódio. Alguém que a criticava de forma ácida. A imagem do seu próprio perfil anônimo, as palavras venenosas que ele mesmo digitara contra a autora "Kat X" apenas por frustração literária, brilharam em sua mente como um letreiro de neon.

Puta que pariu, pensou ele, a mandíbula travando com tanta força que doeu. Quais as chances dessas coincidências?

— Vou levá-la para casa — Átila disse bruscamente, interrompendo qualquer explicação adicional. Ele precisava sair dali. Precisava de ar. E, acima de tudo, precisava esconder a culpa que começava a vazar pelos seus poros.

— Eu posso ir com vocês — ofereceu Selene, preocupada com o estado catatônico da amiga.

— Não. Fica com as meninas. Eu cuido dela.

O tom de Átila não admitia réplicas. Era o tom do herdeiro dos Corvos, mas também de um homem que acabara de descobrir que talvez tenha sido o carrasco da pessoa que agora jurava proteger.

ola meninas! ultimamente tou demorando um pouco com as atualizações, não estou em sentindo muito bem esses dias, mas assim que melhorar reponho os capítulos. Normalmente era para estar saindo de dois a cinco capítulos, mas estou conseguindo no mínimo um.

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