Cap.48
O Silêncio do Carro
Não precisou insistir muito para que as meninas permitissem que ele levasse Katleia para casa.
Mas, antes de entrar no carro, Adon o interceptou.
— Apenas leve-a para casa e saia. O Don proibiu você por alguns dias de começar de novo qualquer tratamento, será melhor para você.
— Acha que eu estou perdendo o controle de novo?
— Não sei. Você está? Seu senso de justiça é um pouco distorcido. Se você pudesse e a gente não tivesse controle lá dentro, você teria matado um civil.
— Ele bem que merecia, você não viu ele dizendo que ela era louca.
— Átila... acontece. Apenas leve-a, ok? — Adon concluiu sem paciência. — Eu vou ficar aqui mais um pouco com Selene, faz dias que ela não sai.
— Faça como bem entender! Das minhas coisas cuido eu. — ele avisou, ao encarar Katleia pelo vidro, vendo-a encolhida, com o olhar perdido.
Eles seguiram até a mansão envoltos em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo ronco abafado do motor.
Katleia estava encostada na porta do passageiro, observando as luzes da cidade passarem como borrões. Ela parecia tão pequena, tão frágil, que Átila sentiu uma vontade irracional de parar o carro e simplesmente abraçá-la.
— Como você apareceu ali? — ela perguntou finalmente. Sua voz era um fio de seda, prestes a romper.
Átila manteve os olhos fixos na estrada, as mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Sorte... Dessa vez nem estávamos planejando nada, já que nem sabíamos que tinham saído.
Katleia virou o rosto lentamente para ele. Um brilho de lucidez voltou aos seus olhos.
— Não foi sorte. Você não toma café em lugares charmosos no centro, Átila. Você prefere escritórios escuros e uísque. Adon eu até acredito, mas você... não estava me seguindo, estava?
Ele não respondeu de imediato. A verdade era um emaranhado complexo.
Ele a seguira porque, desde a noite em que ela dormira em seus braços, a ideia de deixá-la fora do seu campo de visão causava uma ansiedade que ele não sabia nomear. Adon não sabia que elas estavam ali, mas Átila sabia bem, e por isso tinha sugerido aquele lugar como ponto de reunião naquele dia.
— Eu estava por perto — ele admitiu, a voz rouca. — Depois da noite anterior... eu não confio no seu discernimento quando o assunto é segurança.
— Eu estava com as meninas, não confia nelas? — murmurou ela, voltando a olhar para a janela. — Mas obrigada. De novo. Você sempre aparece quando o mundo decide desabar em cima de mim.
Átila sentiu uma pontada de sarcasmo amargo no peito. Se você soubesse que eu sou um dos que ajudou a derrubar o mundo, você não estaria agradecendo.
— Esse homem... o tal hater — Átila começou, tentando soar casual, embora seu coração estivesse martelando. — O que ele diz de tão terrível para te deixar nesse estado? Quem é ele, você sabe?
Katleia abraçou os próprios braços, encolhendo-se no banco de couro.
— Não sei quem é. Só sei que é um homem perverso e perigoso, que eu odeio até a alma. Não gosto de falar nele nem de lembrar, porque ele tentou destruir a única coisa que é minha válvula de escape.
Átila fechou os olhos por um breve segundo enquanto parava no sinal vermelho. As mãos tremiam; quanto mais perguntava, mais sentia o peito doer, com um medo crescente. Afinal... isso o fazia lembrar da Kat-X, e o caso deles estava indo longe demais.
— Esqueça esse idiota — ele disse, sua voz saindo mais agressiva do que pretendia. — É apenas alguém frustrado, um covarde atrás de uma tela. Ele não tem poder sobre você.
— Ele tem. Talvez viver trancada tenha me jogado em coisas que minha própria cabeça cria sem sentido e que alguns apenas não vão aceitar, mas está tudo bem. Sinceramente, em breve eu vou parar com isso e pensar em outras coisas para me adaptar.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!