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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 244

Cap. 51

POv. Atila.

O silêncio do meu apartamento, que sempre foi meu santuário de ordem e solidão, parecia agora vibrar com uma frequência estranha.

Ver Katleia ali, parada no meio da minha sala, era um choque para o meu sistema.

Ela parecia pequena demais para aquele espaço, e ao mesmo tempo, preenchia cada canto com uma presença que eu não sabia como gerenciar.

Eu estava inquieto. Andava de um lado para o outro, ajeitando almofadas que já estavam retas, verificando o ar-condicionado três vezes.

Eu, o homem que mantinha a calma diante de execuções da máfia e surtos psicóticos, estava suando frio porque não sabia como "entreter" uma moça de dezenove anos no meu refúgio.

— Átila... — ela chamou, sua voz suave me fazendo parar perto da bancada da cozinha. — Por que você está agindo como se estivesse pisando em ovos? Você parece... desconfortável.

Parei, coçando a nuca, sentindo um calor subir pelo meu pescoço que não tinha nada a ver com a temperatura ambiente.

— É que... — comecei, evitando o olhar dela. — Sendo sincero, eu nunca trouxe nenhuma mulher para este apartamento, Este lugar é onde eu me escondo do mundo. Não sei exatamente o que fazer com você aqui. Que tipo de programa você quer? Podemos... ver um documentário? Ou talvez você queira ler?

Ela soltou uma risada cristalina, caminhando em direção à televisão enorme que ocupava a parede principal. — Você tem uma TV maior que a da sala de cinema da mansão. E aquilo ali... — ela apontou para o console e os controles organizados — ...são jogos? Você gosta de jogar?

— É um passatempo — admiti, aproximando-me dela. — Ajuda a desligar o cérebro quando o peso das sessões de terapia ou dos negócios da família fica insuportável. É um controle que eu entendo.

Ela continuou explorando, como uma gatinha curiosa em um território novo. Meus olhos a seguiam, cada movimento dela parecendo um teste para a minha sanidade. Foi então que ela parou diante de uma mesa lateral, onde pilhas de cadernos de couro e meu laptop pessoal estavam repousando.

— Você também escreve? — ela perguntou, a mão pairando sobre a capa de um dos cadernos.

— Mercado? — Repeti a palavra como se fosse um conceito alienígena. Eu, um dos herdeiros dos Corvos, empurrando um carrinho de compras com a minha "paciente/namorada de mentira" no meio da noite?

— É. Vamos ao mercado. Comprar coisas para fazer um jantar de verdade. Sem soldados, sem Adon no nosso pé. Só nós dois.

A ideia era absurda. E, por algum motivo, era a coisa mais atraente que eu já ouvira.

— Isso! — exclamei, sentindo uma onda de empolgação que não sentia há anos. — Vamos. Conheço um mercado 24 horas aqui perto que é tranquilo.

Estendi a mão para ela, conduzindo-a para a porta. Quando meus dedos se fecharam em volta da mão dela, senti que estávamos cruzando uma fronteira perigosa.

No mercado, sob as luzes fluorescentes, seríamos apenas um casal. E o problema de viver uma mentira tão bem contada é que, em algum momento, você começa a acreditar nela e eu cinicamente queria mesmo levar isso como uma parte séria da minha vida.

E sinceramente... não me lembro se alguma vez já tive alguma namorada, só me lembro da minha paixão compulsiva por Rose.

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