Cap. 53
Foi um choque. Senti o corpo dele enrijecer por um milésimo de segundo, o impacto da minha audácia atingindo-o em cheio.
Mas então, o som do metal contra o metal ecoou no corredor: Átila soltou o carrinho de compras, deixando-o rolar alguns centímetros para o lado, e me envolveu.
Suas mãos desceram para a minha cintura, apertando-me contra o seu corpo com uma força que me tirou o fôlego.
O beijo mudou. Deixou de ser um teste e tornou-se algo profundo, calmo e terrivelmente demorado.
Ele estava me saboreando, explorando cada curva dos meus lábios como se estivesse memorizando um mapa que ele jurou nunca seguir.
Ali, entre caixas de espaguete e latas de molho, o resto do mundo simplesmente deixou de existir.
Subitamente, como se tivesse levado um choque elétrico da própria consciência, Átila se afastou.
O afastamento foi brusco. Ele soltou minha cintura e deu um passo para trás, recuperando a máscara de frieza tão rápido que minha pele protestou com o frio repentino.
Ele limpou a garganta, ajeitando a gola da camisa, e olhou ao redor para garantir que nenhum repositor de estoque tivesse testemunhado o "deslize".
— Isso... — ele começou, a voz voltando ao tom profissional, embora ainda um pouco trêmula. — Estamos em um local público. A conduta deve ser mantida.
Eu o encarei, ainda zonza, sentindo meus lábios formigarem. Eu não conseguia acreditar que tinha tido a audácia de beijá-lo em um supermercado. O constrangimento começou a subir, mas a alegria era maior.
— Conduta? — Eu ri, um som nervoso que escapou antes que eu pudesse conter. — Você beijou meu pescoço na frente da sua ex! Onde estava sua conduta ali, doutor?
Ele me olhou de soslaio, tentando manter a cara de mau, mas um brilho de diversão traiu sua seriedade. Ele coçou a nuca, visivelmente desconfortável com a própria perda de controle.
— Eu estava... estabelecendo limites territoriais, além disso, ela nunca foi minha ex, nem mesmo já toquei naquela mulher como você pensa. — Ele resmungou, puxando o carrinho de volta com uma agressividade desnecessária.
Eu soltei uma risada mais alta desta vez, e para minha surpresa, ele também soltou um riso curto e seco.
Ficamos ali, dois idiotas rindo sem conseguir dizer nada, olhando para os lados como adolescentes que acabaram de ser pegos fazendo algo proibido.
— Vamos logo — ele disse, ainda sorrindo de canto enquanto empurrava o carrinho. — Antes que você decida me assediar no corredor de congelados e eu tenha que chamar a segurança para mim mesmo.
— Eu não prometo nada — respondi, voltando a caminhar ao lado dele, sentindo que, embora ele estivesse tentando recuperar sua frieza, o nó entre nós tinha acabado de ficar muito, muito mais apertado.
Continuamos a andar pelo mercado, pegando coisas aleatórias e fingindo que éramos apenas duas pessoas normais, mas a cada vez que nossas mãos se tocavam ao pegar um produto, o choque era o mesmo. A noite estava longe de acabar, e o banquete que nos esperava no apartamento seria apenas o começo de uma nova e perigosa fase. Eu estava ansiosa para explorar esse momento, já que nunca tinha passado um período tão longo acompanhada por um homem.
Voltamos para o apartamento com quatro sacolas cheias. Na cozinha, o clima era de uma domesticidade vibrante. Preparamos tudo juntos, ou melhor, eu preparava e Átila tentava ajudar, embora tenha quase travado uma guerra com um abridor de latas, não porque não sabia, realmente eu estava deixando ele um pouco tímido? Isso me deixava mais confortável.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!