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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 247

Cap. 54.

POv Katleia.

O som estridente do toque de celular cortou a penumbra da cozinha como uma navalha, estilhaçando o casulo de calor e desejo que havíamos construído.

O transe foi quebrado, mas apenas parcialmente. Senti um sobressalto percorrer meu corpo, o susto típico de quem é pego em flagrante, mesmo estando em um refúgio teoricamente seguro. Tentei me desvencilhar, minhas mãos espalmadas contra o peito de Átila em um reflexo instintivo de fuga, de silêncio, enquanto ele atendia a ligação sem nenhuma hesitação.

Em vez de me soltar, seus braços se fecharam ao meu redor com uma possessividade que me deixou sem ar e em segundos, eu estava de costas, sentindo o calor dele e respiração em minha nuca.

Com um movimento fluido e deliberado, ele me fez recuar. Senti o impacto frio da borda da mesa de mármore, e logo em seguida, o peso sólido e quente do corpo dele se colando ao meu. Ele não apenas me mantinha ali, ele me prensava, me fazendo sentir cada centímetro de sua estrutura, a tensão em seus músculos e a cadência de sua respiração á minhas costas.

— Fique... quieta — ele sussurrou contra o meu ouvido, a voz tão baixa que era quase um rosnado.

Meu coração martelava contra as costelas, tão alto que eu tinha certeza de que quem estivesse do outro lado da linha conseguiria ouvir.

Átila pegou o celular no bolso, enquanto a outra se espalmava na mesa, ao lado do meu quadril, me cercando completamente. Ele atendeu sem me soltar, mantendo o rosto a milímetros do meu pescoço.

— O que foi, Adon? — Átila atendeu. Sua voz era o oposto da minha agitação, era gélida, profissional e irritantemente calma.

— O que foi? Você ainda pergunta o que foi, seu desgraçado? — A voz de Adon rugiu pelo alto-falante, carregada de uma agressividade que me fez encolher. — Você desviou o caminho! Eu perdi o sinal de vocês por dez minutos antes de rastrear esse trajeto idiota. Onde diabos você está com ela?

Átila não respondeu de imediato. Ele inclinou a cabeça, e para o meu desespero e deleite proibido, ele voltou a pressionar os lábios contra a curva do meu pescoço.

Ele deu um beijo lento, úmido, provocando um arrepio que me fez morder o lábio inferior para não soltar um som.

Minha face ardia. Eu sentia que poderia entrar em combustão ali mesmo, entre o mármore frio e o calor febril daquele homem.

— Relaxa, Adon. Eu decidi que ela precisava de um pouco de ar puro e comida de verdade. — Átila disse, sua voz vibrando contra a minha pele enquanto ele falava ao telefone. — O café foi um desastre, você viu. Ela estava exausta e me pediu para ir para algum lugar calmo.

— Exausta? Ela é responsabilidade nossa, Átila! Se o Velho descobre que você está por aí batendo perna com ela sem uma escolta e sem monitoramento... — Adon continuou a repreensão, mas eu mal conseguia processar as palavras.

Átila estava me torturando. Enquanto ouvia as reclamações do irmão, seus dentes roçaram levemente o lóbulo da minha orelha.

Meus olhos se arregalaram, e eu levei as mãos a lateral de sua cintura atrás de mim, apertando o tecido da sua camisa, tentando em vão encontrar um equilíbrio. Era uma cena surreal a sua concentração.

A situação que ele estava me colocando deixou meu cérebro inerte a qualquer limitação que eu tinha sobre seu toque, eu só queria não ser descoberta e nem que Adon percebesse o que ele estava fazendo.

— Onde ela está? — Adon exigiu. — Ela está bem? Deixe-me falar com ela agora, Selene e as meninas estão quase arrancando meu cabelo de tanto estresse.

Átila se afastou apenas o suficiente para olhar no fundo dos meus olhos. Havia um brilho de divertimento sádico ali, um brilho de quem estava adorando o perigo da situação. Ele pegou o celular e, com uma rapidez impressionante, tirou uma foto da mesa farta que havíamos montado , os queijos, as uvas, as massas, e enviou para Adon.

— Ela está comendo, Adon. Veja por si mesmo.

Houve um silêncio de alguns segundos do outro lado. Eu conseguia imaginar Adon analisando a foto, as engrenagens da sua mente paranoica girando.

— Essa mesa... esses pratos... — A voz de Adon voltou, agora em um tom de descoberta furiosa. — Eu conheço essa louça. Átila, você levou ela para o seu apartamento? Seu desgraçado! Você perdeu o juízo de vez?

O pânico me atingiu. Se Adon soubesse que estávamos ali, ele viria derrubar a porta em questão de minutos.

Atila agora me virou para ele.

Fixei meus olhos em pânico nele, suplicando silenciosamente para que ele dissesse algo, qualquer coisa. Átila sorriu de canto e se aproximou do meu ouvido novamente, sussurrando por baixo da voz de Adon que gritava insultos:

— Eu vou mentir... se não ele virá te buscar agora. Você quer ir com o Adon? — Ele perguntou, sua voz carregada de um desafio íntimo.

Balancei a cabeça freneticamente negativamente. Eu não queria sair dali. Não queria que aquela noite acabasse, por mais perigosa que fosse.

— Adon, cale a boca e escute — Átila interrompeu o surto do irmão, recuperando o tom autoritário. — Eu não estou no apartamento. Eu parei em um hotel de luxo aqui perto, aluguei um quarto apenas para que ela pudesse comer e descansar um pouco sem o caos da mansão. Ela não queria ver ninguém, muito menos você com essa cara de quem vai matar o próximo que respirar.

— Um quarto? Você levou a menina para um quarto de hotel? — Adon parecia prestes a ter um aneurisma. — Átila, eu vou acabar com você! Eu vou aí agora e...

— Você não vai a lugar nenhum — Átila cortou. — Eu levo ela para casa mais tarde... ou amanhã. Pelo horário e pelo cansaço dela, provavelmente amanhã cedo. Ela está segura comigo. Mais segura do que com qualquer outro.

Ouvi o suspiro pesado e derrotado de Adon. Ele sabia que, quando Átila tomava uma decisão, era difícil movê-lo.

— Passe para ela. Agora. Selene quer falar com ela também.

Átila estendeu o aparelho para mim.

Minhas mãos tremiam tanto que quase deixei o celular cair. Ele não se afastou, permaneceu colado a mim, seu braço direito passando por cima do meu ombro, me mantendo presa contra o mármore.

— Kat? — A voz de Selene surgiu na linha, suave e carregada de preocupação. — Querida, você está bem? Por favor, me diga que está bem, Atila é mesmo um babaca que não pensa!

Limpei a garganta, tentando forçar uma normalidade que não existia.

Cap. 54 1

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