Cap.55
POv Katleia.
O ar na cozinha não era mais oxigênio, era algo carregado, uma névoa invisível de estática que fazia os pelos da minha nuca se arrepiarem.
Eu sentia meus pulmões arderem, não por falta de ar, mas pela temperatura da proximidade de Átila. Cada respiração minha era curta, errática, colidindo contra o peito dele e seus lábios explorando os meus.
As mãos dele, que segundos antes pareciam ancoradas ao mármore frio da bancada, agora se movimentavam. Quando a ponta dos seus dedos encontrou a barra da minha blusa, o mundo lá fora, o som dos carros na rua, o tique-taque do relógio, a própria lógica, simplesmente deixou de existir.
Quando a palma da mão dele finalmente rompeu a barreira do tecido e encontrou a pele nua da minha cintura, o contraste foi um choque galvânico.
A mão de Átila era quente, levemente áspera, reivindicando território com uma lentidão que beirava a crueldade.
Sem pressa Ele deslizava para cima, mapeando cada costela, cada curva, como se estivesse decorando a minha anatomia através do tato.
Eu soltei um gemido baixo, abafado pela boca dele contra a minha. Aquele era como uma invasão, como se estivesse tentando drenar a minha essência.
Minhas mãos ficaram perdidas entre o impulso de empurrá-lo e o desejo de puxá-lo para ainda mais perto, acabaram se fechando nos fios de cabelo da sua nuca, prendendo-o a mim.
O mármore gelado nas minhas costas servia apenas para destacar o calor febril que emanava dele.
Meu cérebro, num último esforço de preservação, tentava enviar sinais de alerta, gritando sobre as consequências e o perigo de se perder naquele homem. Mas a lógica é uma ferramenta fraca diante da biologia e da empolgação de saber que ele não ativava nenhum gatilho.
O ápice veio quando o polegar dele, em um movimento deliberado e carregado de intenção, roçou a renda fina do meu sutiã.
A textura áspera do bordado contra a sensibilidade da minha pele foi o solavanco que me trouxe de volta à superfície.
Foi um choque de realidade elétrico. O coração martelava contra as costelas, implorando por mais, enquanto a minha mente, agora em estado de alerta máximo, percebia que estávamos a um milímetro de um caminho sem volta.
Eu conseguia sentir a pulsação dele contra a minha, um ritmo frenético e compartilhado que dizia o que as palavras não ousavam
— Átila... — murmurei entre o beijo, minha voz saindo mais como um suspiro suplicante do que uma ordem.
— O quê? — ele sussurrou contra meus lábios, sua respiração tão quente quanto o toque de suas mãos.
— Eu... eu preciso parar. — Usei o resto de força que me restava para apoiar as mãos em seus ombros e afastá-lo levemente. — Eu preciso de um banho. Antes de comer, é melhor... sei lá assistimos algo! — tentei me desvencilhar.
Ele me encarou por um longo tempo, os olhos ainda nublados por uma luxúria que ele não se dava ao trabalho de esconder.
Ele soltou um suspiro pesado, encostando a testa na minha por um momento antes de se afastar o suficiente para que eu pudesse descer da mesa.
Meus pés tocaram o chão e eu me senti estranhamente instável, como se tivesse acabado de desembarcar de um navio em meio a uma tempestade.
— O banheiro é por ali — ele indicou com um movimento de cabeça, sua voz ainda rouca. — No final do corredor, a porta à direita. É a suíte principal. Pode usar o que precisar.
Eu assenti, sem coragem de olhar nos olhos dele, e caminhei apressada pelo corredor.
Ao abrir a porta do quarto, parei na soleira, perdendo o fôlego por um motivo diferente. O quarto de Átila era exatamente como ele, luxuoso, organizado, com um minimalismo austero que exalava poder.
O cheiro dele estava em todo lugar, uma mistura de cedro, couro e um perfume caro que parecia entranhado nas paredes.
A cama era imensa, com lençóis de um cinza chumbo impecavelmente esticados.
Olhei para aquela cama e, por um milésimo de segundo, uma imagem vívida de nós dois ali, sem as barreiras da cozinha ou as interrupções de Adon, cruzou minha mente.
“Pelo amor de Deus, Katleia!” Levei as mãos às bochechas, sentindo-as queimar. Dei dois t***s leves no próprio rosto, tentando expulsar os pensamentos pecaminosos.
Eu estava agindo como uma adolescente obcecada, e a vergonha de imaginar Átila me analisando, literalmente, naquela situação me fez correr para o banheiro e trancar a porta.
Dez minutos depois, o vapor preenchia o ambiente.

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Quarto errado, Mafioso certo!